18/09/2015

Virando a página do preconceito


Com o auditório externo lotado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) celebrou nessa quinta (17) o lançamento da Ação Síndrome de Down como parte do Programa Semear Inclusão. Na oportunidade, foi oficializada a contratação de 11 pessoas com síndrome de down, que irão realizar serviços de higienização e conservação de acervos no Laboratório de Conservação e Restauração de Documentos (LACOR) e outras atividades em gabinetes de ministros.

Fernando César do Tocantins Filho, um dos contratados, afirmou que está satisfeito com o trabalho que é realizado. “Nós colocamos luva e máscaras para cuidar dos processos”.
No evento, foi firmada a parceria entre o Tribunal e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal (Apae/DF). O projeto propõe colocar em prática ações de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Na abertura, a vice-presidente do STJ, ministra Laurita Vaz, saudou e agradeceu a presença de todos e exaltou o desempenho do senador Romário Faria na luta pela inclusão das pessoas com deficiência. “Desde que deixou os campos de futebol para se dedicar à política no Legislativo Federal, tem revelado o mesmo brilhantismo de outrora. Minhas sinceras homenagens a este homem que nos fez feliz no esporte e agora no meio político”, declarou a ministra.

Trabalho especializado

A ministra Nancy Andrighi, que está à frente do plano de inclusão de pessoas com síndrome de down nos quadros de prestadores de serviços do STJ, saudou os novos contratados.  “Eles vão cuidar da parte mais importante desta Corte, os nossos livros. Os serviços de conservação e higienização dos acervos serão realizados exclusivamente por rapazes e moças que apresentam a síndrome de down”.

Segundo ela, a sociedade ainda não está apta para acolher este segmento da população brasileira. “Com a chegada da Lei Brasileira de Inclusão, vivemos um momento muito especial neste país, pois ela oferece às pessoas com deficiência a oportunidade de exercerem seus direitos sociais e também reconhece que é dever da sociedade se preparar para recebê-los com alegria, respeito e dignidade”, pronunciou.

Mais dignidade

O senador Romário Faria foi o relator, no Senado Federal, da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (n. 13.146, de 6 de julho de 2015) e tem uma filha com down. Ele acredita que o trabalho representa a conquista de uma vida plena, reforça a autoestima e possibilita uma maior autonomia. “As pessoas com down são capazes de contribuir para uma sociedade e o meu sonho é que quando minha filha crescer, escolha uma profissão e trabalhe, assim como a partir de hoje muitos farão aqui no Tribunal", disse o senador.

Mudança de paradigma

A coordenadora do Programa Semear Inclusão e uma das idealizadoras do projeto, Simone Pinheiro Machado conta que não é fácil modificar o serviço público, mas é possível. “A casa está feliz pelo lançamento do novo contrato e pela nova etapa que conseguimos concluir”, afirmou a servidora.

De acordo com a chefe do Laboratório de Conservação e Restauração de Documentos (LACOR/SED), Solange de Brito, os novos contratados farão higienização de documentos, desmetalização, acondicionamento, planificação, organização e outras atividades decorrentes da higienização.

Para Heloísa Rocha, lotada na Seção de Documentos Administrativos (SEDAD/SED), a iniciativa do STJ na contratação de pessoas com necessidades especiais pode servir de exemplo para outros órgãos investirem em trabalhos como esse. “É muito importante para as famílias e para eliminar o preconceito com as pessoas com deficiência”, observa.

Entre os convidados, estavam os ministros do STJ Paulo de Tarso Sanseverino, Moura Ribeiro, o ministro do Superior Tribunal Militar (STM) José Barros Filho, além do diretor-geral, Miguel Augusto Fonseca de Campos.

Para refletir

A emoção tomou de conta do ambiente e os protocolos foram colocados de lado. “Essas pessoas nos fazem sair melhores do que quando entramos”, finalizou a vice-presidente.

Educacionais Anísio Teixeira.

Dedicação e organização

Desde o início de setembro, uma equipe de 11 pessoas com Síndrome de Down presta serviços no Laboratório de Conservação e Restauração de Documentos (LACOR/SED) e em gabinetes de ministro.

No LACOR, oito dos novos colaboradores exercem funções de higienização e acondicionamento de documentos, livros e outras publicações. Os demais foram lotados em gabinetes de ministros. A chefe do laboratório, Maria

Solange de Brito e Silva, revela estar muito satisfeita com o empenho deles: “Eles são minuciosos, caprichosos e organizados, além de sempre quererem fazer tudo certo”.


Mais informações com a Assessoria de Eventos Institucionais, pelos ramais 6212, 6805 ou 9947.



Fonte: STJ
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