22/02/2018

Surdo ou Deficiente Auditivo: qual é a nomenclatura correta?


Uma coisa muito comum quando pessoas começam a se interessar pelo universo da acessibilidade são as dúvidas sobre as diferentes nomenclaturas. PCD, deficiente ou pessoa com deficiência? Deficiência mental ou deficiência intelectual? Cego ou deficiente visual? Essas e outras perguntas acabam sempre surgindo. E, quando falamos de surdez, a maior dúvida é: qual é o termo mais correto, deficiente auditivo ou surdo?

Nenhuma das duas é mais certa, porque nenhuma das duas é exatamente errada! E a gente vai te explicar qual é a diferença entre ser uma pessoa surda ou com deficiência auditiva nesse pequeno guia sobre o assunto!

A principal diferença entre “Deficiente Auditivo” e “Surdo”

Do ponto de vista clínico, o que difere surdez de deficiência auditiva é a profundidade da perda auditiva. As pessoas que têm perda profunda, e não escutam nada, são surdas. Já as que sofreram uma perda leve ou moderada, e têm parte da audição, são consideradas deficientes auditivas.

Porém, levar em conta só a pers pectiva clínica não é suficiente, já que a diferença na nomenclatura também tem um componente cultural importante: a Língua Brasileira de Sinais.

A importância da Libras para os surdos

Para quem não sabe, a Libras é uma língua (e não uma linguagem) oficial do Brasil e possui estrutura e gramática próprias. Por ser uma língua visuoespacial, ela é um muito mais fácil de ser aprendida pelos surdos e por isso é o primeiro idioma da comunidade surda no país. E é aí que entra o aspecto cultural na diferenciação entre surdos e deficientes auditivos. O fator preponderante para a escolha de um ou outro termo é a participação na comunidade surda. As pessoas que fazem parte da comunidade se identificam como surdas, enquanto as que não pertencem a ela são chamadas de deficientes auditivas. Sob essa perspectiva, a profundidade da perda auditiva passa a não ter importância, já que a identidade surda é o que define a questão.

Para os surdos, a surdez não é uma deficiência – é uma outra forma de experimentar o mundo. Mais do que isso, a surdez é uma potencialidade, que abre as portas para uma cultura própria muito rica, que não se identifica pelo que ouve ou não. Na comunidade surda não há “perda auditiva”, mas sim um “ganho surdo”.

E como os surdos dependem da língua de sinais para se comunicar, é essencial que haja acessibilidade em Libras em todos os lugares, desde as escolas até a internet – o que não faz tanta diferença assim para quem é deficiente auditivo.

O deficiente auditivo e o mundo ouvinte

Diferentemente dos surdos, os deficientes auditivos têm uma identidade muito mais relacionada ao mundo ouvinte. Geralmente essas pessoas foram perdendo a audição com o tempo e não utilizam a Libras. Muitas delas se comunicam em português, fazendo leitura labial e dependendo de outros recursos assistivos, como as legendas.

Também é comum encontrar pessoas com deficiência auditiva que utilizam próteses auditivas ou implantes cocleares, justamente por também quererem fazer parte do mundo oralizado, além do mundo surdo.

Infelizmente, há casos em que pais ouvintes insistem na oralização de seus filhos surdos, por não conhecerem bem a comunidade surda e acreditarem que o mundo ouvinte é o único que existe. E como o português é uma língua muito fonética, é mais difícil para o surdo aprendê-la sem saber Libras primeiro. Como consequência, muitos surdos têm o desenvolvimento comprometido, uma vez que a cognição está fortemente relacionada ao desenvolvimento da linguagem.

A educação dos surdos é um assunto para outro post, já que é uma grande discussão na comunidade surda. O ponto principal aqui é chamar a atenção para como é primordial a gente conhecer mais sobre o universo da surdez. No final das contas a decisão sobre a nomenclatura é individual, mas a gente precisa entender os significados que existem por trás!

Toda essa discussão sobre as palavras mais corretas parecer preciosismo demais, mas todo mundo sabe como as palavras têm poder. Ainda mais quando estamos falando de pessoas! Então, se ficou alguma dúvida, mande para a gente nos comentários!

21/02/2018

Minha história de Vida - Fernanda Zago






Era uma adolescente como outra qualquer, com seus sonhos, medos, amigos, festas e com muita vontade de viver. Sempre fui independente e acho que por isso comecei a trabalhar aos 15 anos na loja da minha tia para ter meu próprio dinheirinho.


Mas aos 16 anos, no dia 21/02/2000, minha vida mudou drasticamente. Caí da escada da loja onde trabalhava e a partir de então não levantei mais sozinha. Logo me levaram para o hospital e lá me falaram que eu havia f
raturado a 5ª vértebra cervical, com uma grave lesão na coluna. Lembro-me das enfermeiras cortando meu uniforme de trabalho que estava inaugurando naquele dia e tirando todos os acessórios que estava usando naquele momento. Lembro do meu pai e minha mãe chegando ao meu lado ainda na sala de radiografia, com aquele olhar triste e quase desabando, sem saber direito o que iria acontecer dali em diante. Devido à gravidade me colocaram dentro de uma ambulância com minha mãe, o médico e uma enfermeira para irmos para Brasília. Meu pai e meu namorado (na época) foram de carro nos acompanhando. Foi uma das viagens mais triste da minha vida. Acho que graças a minha mãe e a Deus estarem ao meu lado naquela hora eu não me revoltei e nem entrei em pânico.

Chegando a Brasília, fiquei em uma maca no corredor do hospital esperando os médicos avaliar meu caso. Para isso precisei fazer alguns exames. Cada máquina que nunca havia entrado antes e que dava medo e apreensão. Nesse dia me lembro de ter vomitado muito, da movimentação dos meus familiares e do meu desespero para não rasparem meu cabelo, porque se os médicos resolvessem fazer tração na coluna seria necessário. Para a minha felicidade não foi preciso. Fiz a cirurgia no dia seguinte, na qual me lembro dos médicos conversando sobre meu corte na cabeça, que segundo eles havia um pedaço bem fundo que não teria como dar pontos. Acordei só no dia seguinte em uma sala de UTI, com muita sede e fome, com uma placa de titânio no pescoço, um colar cervical, tubos no meu nariz e graças a Deus com minha mãe ao meu lado. Foram cinco dias nessa sala, da qual só me lembro do teto, do relógio pregado na parede, de vários pacientes em estado grave e de uma enfermeira muito boazinha que me tratava com muito carinho, e claro que da minha mãe que dormiu comigo todos os dias. Por ironia do destino havia lido o livro Feliz ano velho de Marcelo Rubens Paiva cinco meses antes e tudo que ele havia passado estava se repetindo comigo. O que mais vi naqueles dias foi o teto de hospitais, decorei cada rachadura que havia.

Depois me transferiram para um quarto só para mim e minha família. Foram mais cinco dias aprendendo o que havia acontecido comigo, que a cirurgia foi um sucesso e segundo o médico estaria andando em seis meses. Na hora ainda pensei, “nossa isso tudo!”. Recebi várias visitas, telefonemas de várias pessoas e lugares, pessoas que eu nem conhecia, mas que eram amigas da família. Tive as primeiras sessões de fisioterapia, vários testes de sensibilidade, no qual odiava, pois ficavam espetando uma agulha em mim para dizer se eu sentia. Acho que odiava porque não sentia em quase nenhum lugar. Era virada na cama de duas em duas horas para que não desse escara (ferida que desenvolvem quando a pele é comprimida entre a proeminência óssea e a superfície externa, (cama, colchão) por um longo período de tempo e que depois de aberta, demora vários meses para se fechar). Tive muitos pesadelos, quase não dormi porque tive uma coceira infernal durante esses dias, e para piorar eu não conseguia levantar o braço, aí tinha que recorrer a quem estivesse ao meu lado.

Nesses dias tentamos conseguir uma vaga no Hospital Sarah Kubitschek, e depois de muitos pedidos eles marcaram para o dia 15 de março. Passados esses cinco dias o médico me enviou para o Hospital de Apoio para continuar minha reabilitação. Foi muito triste porque saímos no finalzinho do dia em uma ambulância, eu e minha mãe, com alguns parentes de carro nos acompanhando. Chegamos à noite nesse lugar que a princípio não tinha vaga. Eu e minha mãe choramos muito. Como viram que não tínhamos para onde ir àquela hora, arrumaram um quartinho que tinha apenas uma mulher chamada Joana, muito religiosa, mas que infelizmente não me lembro do rosto, pois fiquei a maioria dos dias deitada com um colar cervical que limitavam os poucos movimentos que me restaram. Nesse hospital recebi também várias visitas e telefonemas. Meu namorado (na época), foi para BSB me acompanhar e me dava muita força.

Depois de quase 10 dias deitada e vendo o mundo de um angulo diferente, chegou o dia de sentar em uma cadeira de rodas. Foram alguns dias levantando a cabeceira da cama aos poucos para me acostumar de novo com a posição, porque dava muita falta de ar e tonteira. Nessa hora, todos seguraram o choro para não me deixar triste e eu tentando entender tudo o que estava acontecendo. 

As mudanças continuaram nos dias seguintes. Minha mãe aprendeu a fazer cateterismo (retirar a urina com uma sonda de 6 em 6 horas) e a me dar banho deitada em uma maca fria, que graças a Deus nessa hora, sentia só do ombro para cima. Começaram as fisioterapias que a princípio não gostei por causa do próprio fisioterapeuta enviado para a função.

Coisas boas também aconteciam. Minha avó Maria saiu do sul de Minas para nos ajudar em Brasília. Ela conseguia cada coisa. Entrava com comida, dormia no nosso quarto e nos confortava com aquele jeito carinhoso só dela.

Foram quinze longos dias até ser transferida para o tão esperado Sarah. Mais uma viagenzinha de ambulância deitada olhando para o teto. Cheguei e logo fui atendida. A primeira coisa que a médica falou foi que eu tinha muito a comemorar, pensei “será o que tenho a comemorar nesta situação?” Falou que por muito pouco a lesão não atingiu o meu sistema respiratório e que se isso tivesse ocorrido teria que andar acompanhada com um aparelhinho ligado por um tubo até o pescoço vinte e quatro horas por dia. Nessa hora todos ficaram emocionados, até os médicos. Fiz mais e mais exames até que me mandaram para a ala das crianças, para menores de 18 anos. Foi um mês nessa ala, fazendo fisioterapia, hidroterapia (na qual morria de medo de afogar porque agora dependia de alguém para me segurar), aprendendo um novo modo de entrar no carro (carregada por alguém), ganhando diversos adaptadores (para segurar o garfo, pentear o cabelo, escrever, escovar os dentes, digitar no computador), conhecendo pessoas com diversos problemas, recebendo visitas todos os dias e minha mãe dormindo comigo.

Depois me passaram para ala de adultos, na qual apavorei porque minha mãe não poderia mais dormir comigo. Isso foi um pesadelo, quem iria me ajudar? Só servia ela. Mas eu tive que conformar. Não sei quem sofria mais, se eu ou ela por me deixar lá. Mas passados dois longos dias, eu fiquei doente e pedi para ela ficar comigo e para nossa alegria eles deixaram. Mais um mês se passou e agora já podia ir para casa no final de semana. Alugamos um apartamento em Brasília para não precisar viajar a Unaí nos finais de semana e voltar segunda.

A primeira coisa que senti falta quando saí do hospital e fui para o apartamento foi acordar e levantar da cama na mesma hora, agora demorava pelo menos uns vinte minutos até minha mãe fazer cateterismo e colocar a minha roupa. Normalmente eles falam que quando a gente tem um problema os amigos se afastam. E comigo foi diferente até pessoas que achava que não eram minhas amigas passaram a ser a partir daquele momento e as que já eram mostraram seu amor por mim. Fiquei sabendo que a cidade inteira rezou para a minha recuperação. Acho que por isso, meus familiares e Deus eu tirei de letra essa fase.

Pedia todo dia a Deus que quando eu tivesse alta do Sarah que ele segurasse na minha mão para de pé e caminhando saíssemos de lá. Infelizmente não foi o que ocorreu, saí em uma cadeira de rodas nova que meu pai foi comprar e que seria minha companheira de todas as horas a partir daquele momento.

Voltei para Unaí depois de três meses longe de casa e com uma nova realidade de vida. Desde então fui aprendendo cada dia mais com meu problema, tirando os adaptadores, fazendo fisioterapia e hidroterapia, voltando a estudar. Terminei o 2º grau e logo entrei na faculdade. O curso escolhido sem nenhuma dificuldade foi Sistema de Informação.

Nunca achei que seria difícil fazer algo, se tivesse vontade e alguém para me levar e cuidar de mim, ia mesmo. Tive alguns namorados que me ajudaram muito e me tratavam como uma pessoa sem deficiência. Fui por dois anos secretária da APDU - Associação de Pessoas com Deficiência de Unaí e conselheira do COMPED - Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência. Foi uma lição de vida. Fiz novos amigos, pessoas que assim como eu possuem uma deficiência, mas que não desistiram de viver e lutar por seus direitos. Aprendi mais uma vez a ver a vida de outros ângulos. Espero ter contribuído um pouco, pois, foi maravilhoso fazer parte desta família. 

Em 2010 criei este blog para contar minha história e ajudar as pessoas com deficiência trazendo informações importantes para ajudá-las a superar os desafios do dia a dia e a com esperança de tornar a sociedade mais inclusiva e menos preconceituosa. Quero e espero contribuir muito por esta causa que abracei de coração.

No dia 12/11/12 realizei um dos meus maiores e mais esperado sonhos: tomar posse no STJ - Superior Tribunal de Justiça. 
Minha vida novamente mudou depois de tanto tempo sendo cadeirante, aposentada e moradora de Unaí. Agora continuava cadeirante, mas servidora pública federal e moradora de Brasília. Pouco tempo foi necessário para amar a nova vida. Estou amando voltar a trabalhar, e deixar de ser aposentada por invalidez, pois mesmo fazendo várias coisas em casa agora me sinto realmente útil e respeitada. 

Fiz novos amigos no trabalho e na vida. Conheci muitos cadeirantes que me ensinam e incentivam todos os dias a seguir em frente.

Em 2013 comecei o processo para adquirir a carteira de motorista, estimulada por amigos que tinham a mesma dificuldades minhas. Nunca achei que poderia dirigir sendo tetraplégica, mas sempre tive vontade e fui atrás de realizar mais este sonho quando vi que era possível. E como tudo que queremos e nos dedicamos, consegui tirar de primeira a carteira de motorista. Foi incrível. Agora vou dirigindo sozinha todos os dias para o STJ e agradecendo a Deus todo dia esta conquista, pois me deu uma autonomia nunca mais vivida desde quando caí daquela escada.

Só tenho a agradecer primeiramente a Deus por tudo que ele me proporcionou depois que fiquei tetraplégica. Claro que perdi várias coisas que amo, como: dançar, andar, praticar esportes, tomar banho sozinha, sair sem precisar de ninguém, trocar de roupa em pé em frente ao espelho, olhar meu corpo por inteiro, me maquiar, etc. Mas ele me deixou o mais importante: minha vontade de viver e minha família, que sem ela não teria superado tudo isso.

Obrigada a todas as pessoas que rezaram, torceram ou me apoiaram em algum momento da minha vida. Vocês são responsáveis por toda minha aceitação, força e esperança.


"Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta."

Chico Xavier


Compartilho com vocês outros posts:




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Entrevista ao Program Via Mulher Especial de Fim de Ano - Tema Mulheres especiais - 2011

Fisioterapia do Rio

Entrevista Fernanda Zago - Superação - TV Rio Preto - Programa Via Mulher

Entrevista TV Rio Preto para o Programa Viva Melhor -  Falando sobre acessibilidade - http://www.tvriopreto.com.br/portal/?p=32867
A reportagem começa depois dos 12 minutos. 
Queridos leitores, gostaria de pedir um favor. Quando você for fazer um cometário e colocar como "Anônimo" no final peço que coloque seu nome e se quiser que eu te responda deixe também sem e-mail. 
Muito obrigada. Bjãooo

20/02/2018

5 Direitos das pessoas com deficiência nos concursos públicos

Entenda alguns direitos que toda pessoa com deficiência tem nos concursos públicos

Sala de aula com candidatos fazendo uma prova de concurso público

Ingressar em uma carreira pública é o sonho de milhões de brasileiros e não deixa de ser uma ótima opção quando o assunto é a busca por inclusão profissional. Contudo, em matéria de direitos das pessoas com deficiência muita gente desconhece alguns direitos que podem contribuir para transformar esse sonho em uma realidade.

No exercício da advocacia tenho me deparado com diversas questões que envolvem essa temática, razão pela qual resolvi elencar aqui 5 direitos essenciais que todo candidato com deficiência tem ao prestar um concurso público em nosso país. Tomem nota!

1. Direito de atendimento especializado e tempo adicional

Existem determinadas deficiências que o candidato necessitará de atendimento especializado para que possa realizar as etapas do concurso público em igualdade de oportunidades com os demais. Por exemplo: a realização de uma prova discursiva em meio digital para um candidato tetraplégico; uma prova em braile ou com fonte ampliada para candidatos com deficiência visual; tempo adicional para um candidato com deficiência motora nas mãos que comprometa o manuseio do caderno de provas ou o desempenho em uma etapa de digitação em meio a todo universo de deficiências e eventuais necessidades. Uma boa dica é levar o edital até o médico e pedir para que faça constar expressamente no laudo - que será usado para se inscrever no certame - a descrição da necessidade desse atendimento especializado e/ou do tempo adicional, inclusive esclarecendo as justificativas para tanto.

2. Direito de adaptação de provas práticas e testes físicos conforme o grau da deficiência

Segundo o art. 39 do Decreto Federal 3.298/99 o próprio edital do concurso já deve prever as adaptações de provas, do curso de formação e do estágio probatório, conforme a deficiência do candidato. Se o edital do concurso público trouxer a previsão de vagas para pessoas com deficiência é direito dos candidatos inscritos nessa qualidade que essas adaptações sejam concedidas respeitando as suas peculiaridades e a participação adaptada em todas as etapas.

3. Direito de não ser eliminado na perícia médica admissional sem ingressar no estágio probatório

Uma vez aprovado em concurso público e nomeado para o cargo, o candidato com deficiência não pode ser eliminado em fase de exames médicos ou admissionais sob alegação de que sua deficiência seria incompatível com as atribuições do cargo. Esse entendimento decorre do art. 43. §2º do Decreto 3.298/99, que prevê que essa análise deve ser feita durante o estágio probatório, assim como por inteligência do art. 34 §3º da Lei 13.146/2015 (LBI), que veda a discriminação da pessoa com deficiência em exames admissionais, bem como a exigência de aptidão plena.

4. Direito de concorrer na lista de ampla concorrência além da reserva de vagas legal

Ao contrário do que muita gente pensa por aí, em qualquer concurso público que haja reserva de vagas para PcD, a famosa cota, o candidato inscrito como pessoa com deficiência concorre em duas listas:  uma lista especial formada apenas pelos aprovados com deficiência e a lista geral, de ampla concorrência, formada por todos os aprovados. Logo, não há que se falar em um concurso segregado, pois a pessoa nessa qualidade concorre por todas as vagas, com a mera prerrogativa de ser nomeado pela reserva de vagas para PcD, caso fique melhor colocado na lista especial do que na lista geral. Lembrando que um direito não retira o outro.

5. Direito de indenização caso ocorra qualquer tipo de discriminação em virtude da deficiência

A Lei Brasileira de Inclusão da PcD, em seu art. 88, tipifica como crime de discriminação a prática, indução ou a incitação de qualquer pessoa em virtude de sua deficiência. Deste modo, qualquer situação causada pela banca organizadora, pelo órgão responsável ou autoridade competente para fornecer o atendimento isonômico e a igualdade de oportunidades em qualquer fase de um concurso público, pode acarretar a responsabilidade penal do agente envolvido, assim como a responsabilidade civil por eventuais danos morais ou materiais que a pessoa venha a sofrer pelo atendimento desigual ou inadequado durante o certame. Em caso de violação de qualquer desses direitos procure um advogado especialista no assunto e faça valer a letra da lei.


Thiago Helton

Fonte: R7

Adaptar é viver

Desde o primeiro Campeonato Mundial de Surf Adaptado da ISA, em 2015, Brasil conquistou duas medalhas de ouro, representando a diversidade e inclusão

Equipe que representou o Brasil no Campeonato Mundial de Surf Adaptado, em 2017, foi composta por atletas de diversos estados: Jonathan Borba (SC), Roberto Pino (PE), Alcino Pirata (SP), Henrique Saraiva (RJ), Felipe Kizu (MG), Carlos José Kuhl (ES), Davi Teixeira (RJ), Figue Diel (SC), Fernanda Tolomei (RJ) e Monique Oliveira (SP)Crédito: Divulgação

O surf brasileiro vive um bom momento, com 11 atletas entre os 22 melhores do ranking mundial. Outra modalidade que vem se mantendo na elite é o surf adaptado, que conquistou, pela segunda vez consecutiva, a medalha de ouro no campeonato da ISA (International Surf Association), na categoria por equipe. A final foi disputada em San Diego, na Califórnia, em dezembro de 2017.

Nas provas individuais, o Brasil conquistou 2 medalhas no feminino e 4 no masculino, com destaque para o ouro de Alcino Neto, mais conhecido como Pirata. Ele compete na categoria AS-2, em que os atletas geralmente possuem alguma deficiência nos membros inferiores e, por isso, surfam agachados ou ajoelhados. Pirata é o grande difusor da modalidade no Brasil, desde que sofreu um acidente de moto, em 1986, e resolveu continuar surfando, mesmo sem uma das pernas. A motivação para continuar no esporte, segundo ele, foi se manter em “união com a natureza e com o desafio nas ondas”.

Em 1996, ele fundou o Pirata Surf Club no litoral de São Paulo, na praia de Pitangueiras (Guarujá), com aulas gratuitas de surf e surf adaptado para crianças e adultos. Entre os alunos, estão paraplégicos, pessoas com membro amputado, deficiência intelectual e visual. Na sede também fica o Espaço Histórico do Surf Guarujá, um pequeno museu que visa disseminar a cultura local com exposição de fotos e pranchas antigas, incluindo as usadas nos primeiros treinos do campeão mundial Adriano Mineirinho, que frequentou a escola.

Wellington Silva Sales, conhecido como “primo” do Pirata, é professor de educação física e coordenador do projeto. Ele conta que a prática do surf adaptado exige boas condições de acessibilidade das praias. “No Guarujá, é um pouco mais tranquilo porque a calçada é muito próxima da areia”, explica. Além disso, podem ser necessárias rampas de acesso, esteiras e cadeiras chamadas de “anfíbias”, que não atolam na areia e não enferrujam.

As pranchas também possuem diversos tamanhos e formatos, dependendo do tipo de lesão. Em geral, são mais largas, com bastante flutuação, e podem ter alças pra pessoa segurar, como explica o coordenador. A adaptação no surf também é comum para outros tipos de necessidade: “Às vezes, o peso atrapalha ou a pessoa é muito sedentária e não consegue ter uma boa mobilidade”, exemplifica.

Outro projeto, que lançou vários atletas na modalidade, é a ONG Adapt Surf, que oferece desde 2007 aulas gratuitas nas praias da Barra e Leblon (Rio de Janeiro). “A gente tem ajuda de voluntários da área da saúde, professores de educação física, pedagogos, fisioterapeutas e surfistas. São quatro ou cinco pessoas para atender um aluno”, explica Luiz Phelipe Nobre, um dos fundadores da ONG e técnico da seleção brasileira de surf adaptado.

Além de montar toda a estrutura de acessibilidade, o projeto oferece consultoria para que outras escolas possam receber alunos com deficiência. “Os objetivos principais da ONG são desenvolver e divulgar o surf adaptado para quem tem deficiência, formar atletas e divulgar a modalidade para que mais pessoas possam participar”, sintetiza Luiz. Ele acredita que o sucesso da modalidade no Brasil se deve à representatividade de Alcino Pirata, às condições ambientais e, principalmente, climáticas. “Na Califórnia, por exemplo, faz muito frio, o que inibe pessoas com deficiência”, exemplifica.

A Adapt Surf levou vários atletas para o mundial da ISA, desde 2015, quando o campeonato começou. “Fizemos uma parceria com a CBS (Confederação Brasileira de Surf) e com o Pirata para acompanhar a equipe nesses anos”, conta o técnico. O campeonato possui seis categorias, de acordo com o tipo de deficiência, em que os atletas podem surfam em pé, agachados, deitados ou com assistência de um instrutor. Nesse último caso, temos o exemplo do pequeno Davi Teixeira, de 11 anos, que possui uma síndrome rara que causa atrofiamento dos membros. Ele conquistou a medalha de ouro, em 2016, e a prata em 2017.

A carioca Fernanda Tolomei, de 28 anos, é surfista e psicóloga esportiva. Ela conquistou o quarto lugar na categoria AS-1 (surf em pé) na divisão feminina, que antes não existia. “Ano passado competimos contra homens, mas a gente se sente injustiçada”, relata Fernanda. Por falta de patrocínio, apenas ela e a paulistana Monique Oliveira conseguiram representar o Brasil. O que mais emocionou Fernanda no último mundial foi a primeira medalha de ouro que saiu para as mulheres. “A gente torcia por todas as meninas dentro d'água e isso foi muito marcante.”

O surf tradicional vai entrar na Olimpíada de 2020, mas o adaptado ainda está no processo para ser incluído junto ao Comitê Paralímpico Internacional. “Talvez em 2024”, comenta Luiz, o técnico da equipe brasileira, ressaltando que o mundial da ISA já é feito nos moldes das Paralimpíadas. “O Brasil é bicampeão mundial, os atletas que eu selecionei são realmente os melhores do Brasil e vários outros ficaram de fora porque não tinha vaga na equipe”, comenta Luiz, em tom otimista. Que eles continuem sem limites diante das ondas que virão no futuro.


Para Alcino Neto, o Pirata, os benefícios do surf adaptado envolvem "a integração com a natureza, o envolvimento com várias outras categorias de deficiência e o contato com o mar".
Crédito: Divulgação

Cadeira anfíbia é utilizada para levar pessoas com deficiência até o mar, durante as aulas oferecidas pela ONG Adapt Surf. Ela é não atola na areia e não enferruja.
Crédito: Divulgação

"A cadeira é só para a pessoa entrar no mar, depois, ela recebe ajuda de um instrutor. Para quem não anda é legal porque pode flutuar, alguns conseguem nadar, de forma bem livre", comenta Luiz Phelipe Nobre, da Adapt Surf.
Crédito: Divulgação


Surfista Davi Teixeira ficou com a medalha de prata no individual masculino do Campeonato Mundial de Surf Adaptado realizado pela ISA, em 2017. Crédito: Luana Nobre

Fernanda Tolomei foi uma das atletas que representou o Brasil no Campeonato Mundial de Surf Adaptado realizado pela ISA. Foi a primeira vez que o evento incluiu a divisão feminina
Crédito: Regina Tolomei

Fonte: Revista Trip

Inscrições abertas para o V Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência

Cerimônia de entrega do Prêmio de 2017, no Palácio do Governo de São Paulo

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo anuncia a abertura das inscrições para o V Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência, que chega à sua quinta edição no ano de 2018. O período para realizar as inscrições é até dia 15 de abril de 2018.
 
O Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência tem o intuito de valorizar e reconhecer publicamente empresas que tenham colaboradores com deficiência em seus quadros de funcionários.

O objetivo é incentivar as organizações a aprimorarem seus planos de inclusão profissional, com foco na construção e manutenção de um ambiente profissional participativo, produtivo e igualitário, em que trabalhadores com e sem deficiência, juntos, contribuam para uma economia sustentável e humanizada.
 
PRÉ-REQUISITOS
- Ter o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ);
- Ser empresa pública ou privada, de micro, pequeno, médio ou grande porte que conte com pelo menos um colaborador com deficiência;
 
As inscrições para o Prêmio são gratuitas e devem ser feitas pelo site: http://pmetcd.sedpcd.sp.gov.br/. Para participar, a empresa deve preencher o formulário de inscrição e seguir todos os procedimentos detalhados no Regulamento.
 
A coordenação do Prêmio poderá ser contatada pelo e-mail coordpremio@ctipfi.spdm.org.br caso haja outras dúvidas.
 
O Regulamento, etapas do Prêmio, metodologia de avaliação e informações sobre as inscrições devem ser conferidos no site.
 
SERVIÇO 
V Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência
Inscrições: até 15 de abril
Realização: Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo  
Informações e inscrições: http://pmetcd.sedpcd.sp.gov.br/


15/02/2018

A geração de youtubers surdos que está ensinando Libras na internet

"O principal objetivo do canal é esse, mostrar para os ouvintes que eles precisam reconhecer a nossa língua."

Jovens surdos usam o Youtube para ensinar libras.

Você sabe falar? É genético? Dá para ler lábios? Como você escreve?

Não são poucas as dúvidas que ainda existem por parte dos ouvintes sobre a comunidade surda, apesar de o Brasil contar com uma população de quase 10 milhões de pessoas que não escutam ou escutam parcialmente.

E é para tratar desse tema, e todos os tabus que ele envolve, que uma comunidade jovem e engajada tem encontrado no Youtube uma ferramenta para literalmente se fazer ouvir.

A geração de youtubers surdos tem ganhado cada vez mais seguidores na rede social de vídeos e é por lá que eles compartilham muita informação sobre o seu dia a dia.

"Antes, nós nos sentíamos excluídos pelos ouvintes, mas agora não mais, estamos convivendo muito mais com eles, aprendendo o português e ensinando Libras", compartilha Tainá Borges, 16 anos, em entrevista ao HuffPost Brasil.

A jovem de Caxias do Sul é surda e junto com o seu irmão Andrei Borges, também surdo, comandam o canal Visurdo do Youtube. Para Tainá, a internet é uma das ferramentas mais importantes para ter contato com a comunidade ouvinte.

"Não tem muitos intérpretes de Libras na televisão ou em outros lugares, como escolas, palestras e eventos. E a gente não tem muitas escolas bilíngües que são boas para os surdos. Se você buscar na internet ou até em livros, você encontra ótimos conteúdos sobre Libras. Mas falta um lugar para a gente poder compartilhar o nosso dia a dia e os nossos interesses, que são os mesmo que os dos ouvintes. O principal objetivo do canal é esse, mostrar para os ouvintes que eles precisam reconhecer a nossa língua", compartilha Tainá.

Com a ajuda dos familiares, a dupla grava e edita os vídeos em casa. Os temas são variados e vão desde informações sobre como lidar com o preconceito, até as curiosidades da família, já que os pais de Tainá e Andrei são ouvintes e tiveram que estudar a língua dos sinais para se comunicar com os dois filhos.

Conheça outros quatro youtubers surdos e os seus canais:

Léo Viturinno

Léo começou sua carreira na internet com uma página no Tumblr, em que se divertia criando novos gifs. Não demorou muito para que ele viesse a criar o seu próprio canal no Youtube. Sem perder o bom humor, o youtuber fala de temas diversos, desde curiosidades sobre o mundo dos surdos até questões LGBTs.

Nas redes sociais, Viturinno criou a campanha #YoutuberPõeLegenda para incentivar que outros produtores de conteúdo se preocupem com quem não consegue ouvir, mas apenas ler os vídeos. Com as legendas, o repertório e as referências da comunidade surda podem ser ampliadas, defende o jovem.



Germano Dutra Jr.

Mais conhecido como Surdo Cult, Germano dedica o seu canal para fazer comentários sobre filmes, séries e personagens da cultura nerd. Ele também dá espaço para as narrativas de novelas e histórias em quadrinhos.



Gabriel Isaac

Gabriel Isaac não tem medo de perguntas difíceis em seu canal. Um dos vídeos mais assistidos do youtuber trata da criação do "Dia dos Surdos" e o que a data significa para a comunidade. Em outro episódio do canal, ele comenta sobre o tema da redação do Enem de 2017, que tratou dos desafios da educação de alunos surdos no País.





É Libras

No canal, Flávia Lima e Bruno tratam de temas relacionados a comportamento e relacionamentos para a comunidade surda.



Fonte: Senado 

Guia de acessibilidade nos estádios de futebol do Brasil

Conheça os critérios mínimos para uma arena receber pessoas com deficiência

Baseado na legislação brasileira e em guias internacionais, como o da Uefa e o da Fifa, o GloboEsporte.com mostra o que é necessário para que um estádio seja considerado acessível e receba, com conforto e segurança, torcedores com deficiência.

Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos, com base no Censo de 2010, quase 24% dos brasileiros apresentam ao menos uma deficiência, seja ela visual, auditiva, motora, mental ou intelectual.

Não há informação sobre a presença dessa população nos estádios do país, mas a legislação determina que as arenas atendam às necessidades mínimas desses torcedores.

O principal manual para um estádio acessível é a Norma 9050 da ABNT(Associação Brasileira de Normas Técnicas), um calhamaço de 162 páginas atualizado em 2015 que especifica os detalhes para a construção e adaptação de locais públicos a pessoas com deficiência.

Valor em jogo: O esporte usado como ferramenta de inclusão para pessoas com deficiências

Nas arquibancadas

O decreto 5.296 de 2004 determinou a reserva de 4% dos lugares de um estádio para pessoas com deficiência, sendo 2% para cadeirantes, 2% para pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência visual.

O Guia de Acessibilidade da UEFA aponta uma fórmula complexa para calcular o ângulo de visão mínimo para a instalação de espaços reservados a cadeirantes e considera a possiblidade de o torcedor à frente se levantar em determinados momentos de uma partida. Para isso, porém, a UEFA indica que o local reservado deve ficar num patamar 1,2 metro acima do da fileira à frente.


A norma 9050 da ABNT estipula que nenhuma estrutura deve bloquear um ângulo visual de 30° a partir da linha de visão da pessoa em cadeira de rodas.

Os assentos para pessoas obesas, também reservados, têm que ser o equivalente a dois assentos comuns e suportar carga de 250 quilos, pelo menos.

Descrição: imagem mostra cadeirante em arquibancada, num local 1,2 metro acima do espectador à frente (Foto: Infoesporte)


Descrição: imagem mostra cadeirante em local com ângulo de visão de 30º (Foto: Infoesporte)

Descrição: infográfico mostra homem com mobilidade reduzida em local adequado de arquibancada; à frente dele, um homem obeso em local reservado (Foto: Infoesporte)

Os banheiros

Os banheiros acessíveis devem ter entrada independente dos banheiros coletivos. Ou, então, um box deve ser instalado dentro dos banheiros coletivos para uso de pessoas com deficiência. Eles precisam ter 1,5 metro x 1,7 metro, no mínimo, com porta com abertura de 80 centímetros. Campainha, alarme ou interfone devem ser instalados a 40 centímetros do chão para acionamento em caso de quedas.

Os projetos devem prever também a colocação de mictórios para pessoas com mobilidade reduzida e pessoas em cadeiras de rodas. Os suspensos são instalados a uma altura de 60 centímetros a 65 centímetros do chão. As barras ficam fixadas a 75 centímetros de altura.
Descrição: Infográfico com visão superior e lateral de um banheiro acessível com as medidas mínimas das peças (Foto: Infoesporte)

Descrição: Imagem mostra posição de barras e mictórios em banheiro acessível (Foto: Infoesporte)

Mobilidade

Os corredores de uso público devem ter 1,2 metro de largura, pelo menos, com pisos regulares, antiderrapantes e não trepidantes. As portas devem ter largura mínima de 80 centímetros – nos casos de portas de folhas duplas, pelo menos uma delas deve atender a esse critério – e as maçanetas devem ser do tipo alavanca.

As rampas não podem ter inclinação acima de 8%, com sinalização tátil no início e no fim, com corrimão dos dois lados. As escadas precisam ter largura mínima de 1,2 metro, com corrimão em ambos os lados a 92 centímetros de altura. Escadas com largura superior a 2,4 metros precisam ter um corrimão intermediário.

No caso de elevadores, as dimensões mínimas são de 1,4 metro x 1,1 metro, com uma entrada de 80 centímetros, ou maior. Eles precisam de sinalização tátil em frente à porta, além de comandos sonoros e em Braille.

Descrição: imagem mostra cadeirante em corredor com as medidas mínimas, 1,2 metro, e recomendável, 1,5 metro, para ser considerado acessível (Foto: Infoesporte)

Descrição: Infográfico mostra três exemplos de rampa e escadas com corrimãos que atendem aos critérios de acessibilidade e piso tátil (Foto: Infoesporte)

Descrição: Imagem com medida mínima para a porta de um elevador, 80 centímetros, e piso tátil (Foto: Infoesporte)


Estacionamento

Os estádios devem reservar 2% do total de vagas para pessoas com deficiência. Esses espaços devem incluir uma área adicional de circulação para cadeira de rodas com, no mínimo, 1,2 metro de largura. Outros 5% das vagas devem ser reservadas a idosos.

Descrição: exemplo de estacionamento com vagas em 45º e espaço de 1,2 metro para cadeirantes (Foto: Infoesporte)


Descrição: exemplo de estacionamento com vagas em 90º e espaço de 1,2 metro para cadeirantes (Foto: Infoesporte)

Descrição: exemplo de estacionamento com vagas paralelas à calçada e espaço de 1,2 metro para cadeirantes (Foto: Infoesporte)

Os clubes e federações responsáveis por partidas realizadas em estádios para mais de 10 mil pessoas também devem, segundo o Estatuto do Torcedor, fornecer transporte, ainda que pago, a pessoas com deficiência e idosos, a partir de um local de fácil acesso – como estações de metrô, por exemplo.

A legislação

Os direitos da pessoa com deficiência estão descritos em diferentes leis e normas. As principais são as leis 10.048 e 10.098, ambas de 2000, depois regulamentadas por um decreto de 2004. Elas tratam de preferência e da promoção de acessibilidade.

Em 2015 foi sancionado o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que diz, no artigo 4º, que “toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação”.

Especificamente aos que frequentam estádios, o Estatuto do Torcedor assegura, desde 2003, “acessibilidade ao torcedor com deficiência ou com mobilidade reduzida”.


Se houver desrespeito, o Ministério Público é o órgão a se recorrer. Alguns possuem equipes dedicadas aos direitos da pessoa com deficiência.

Fonte: Globo Esporte 
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