24/05/16

Software gratuito para acessibilidade na internet

A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo (SMPED) oferece o aplicativo eSSENTIAL Accessibility.

O software foi desenvolvido pela empresa canadense de mesmo nome, e poderá ser baixado gratuitamente no site: www.prefeitura.sp.gov.br/pessoacomdeficiencia.

A tecnologia assistiva é um app para computadores pessoais que auxilia os usuários com dificuldades de controlar o mouse, usar o teclado ou ler na tela. Na prática, funciona como um navegador com recursos de acessibilidade, como por exemplo, o que permite controlar o cursor com movimentos do rosto, comandos de voz, leitor de página, zoom em texto e imagem, teclado na tela, além de outras alternativas para mouse. Pessoas com dificuldades de movimentação, deficiência visual moderada, dislexia, iliteracia e outros problemas que dificultam a leitura podem ser beneficiadas. E, uma vez feito o download em um computador, pode ser usado sem custo em qualquer outro site.

Empresas e instituições de ensino já disponibilizam o eSSENTIAL Accessibility™, mas a Secretariada Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura de São Paulo será o primeiro órgão governamental do país a oferecê-lo em seu site.

“Quando pensamos em acessibilidade, o que geralmente nos vêm à mente são as barreiras arquitetônicas, como a falta de rampas para pessoas em cadeira de rodas. Mas o conceito é muito mais amplo e inclui também adaptações necessárias para que todos tenham acesso ao conteúdo disponibilizado na internet, assim como em outras fontes de informação, de serviços e de comunicação. E a Prefeitura de São Paulo, com apoio da eSSENTIAL Accessibility, assume o compromisso de oferecer à população com deficiência uma ferramenta que proporciona autonomia no acesso à rede mundial de computadores ”, comenta a secretária Marianne Pinotti.

“A parceria da eSSENTIAL Accessibility™ com a SMPED é super importante. O app ajudará as pessoas com deficiência a superarem barreiras para navegarem no site da Prefeitura. Elas poderão pesquisar informações sobre São Paulo e poderão se sentir incluídas no dia-a-dia da cidade”, explica Simon Dermer, um dos presidentes da companhia.


Centro de Treinamento Paralímpico é aberto para atividades em São Paulo

Cerimônia conta com as presenças de Geraldo Alckmin, governador do estado, e Leonardo Picciani, ministro do Esporte. Local ajudará na preparação do Rio 2016

Por Guilherme Costa - São Paulo

Centro é inaugurado com a presença do governo de São Paulo (Foto: Guilherme Costa)
 Faltando pouco mais de cem dias para os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, foi entregue nesta segunda-feira, em São Paulo, o Centro de Treinamento Brasileiro, um local de 95 mil metros quadrados que abrigará atletas de 15 modalidades. Com a presença do novo ministro do esporte, Leonardo Picciani (PMDB), e do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckimin (PSDB), o evento reuniu mais de 50 atletas que estarão nos Jogos, marcados para o dia 7 de setembro. Para Daniel Dias, que está classificado para seis provas da natação nos Jogos do Rio, um avanço para o esporte paralímpico:

Isso é de suma importância, isso veio coroar o grande momento do esporte paralímpico brasileiro. Vai ajudar muito agora e no futuro. Veio em um ano incrível. Vamos treinar aqui um bom tempo até os Jogos, vamos usufruir, era algo que a gente estava ansioso, vai somar muito - disse o atleta, dono de 15 medalhas paralímpicas.

O Centro Paralímpico reúne 15 modalidades: atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, natação, esgrima, futebol de 5, futebol de 7, golbal, levantamento de peso, judô, rúgbi, tênis, tênis de mesa, triatlo e vôlei sentado. Além disso, há um hotel, centro de convenções, laboratórios e salas de fisioterapia.

Mais de 50 atletas presenciaram a inauguração do centro (Foto: Guilherme Costa)
O custo total da obra, que começou a ser feita em dezembro de 2013, foi de R$ 281 milhões, 167 mi do Governo Federal e 114 mi do Governo Estadual. Ainda foram gastos R$ 24 milhões para as compras de equipamentos. O local do Centro foi cedido pelo Governo de São Paulo e tem um custo estimado de R$ 390mi.

Representante dos atletas, Shirlene Coelho, campeã paralímpica do lançamento do dardo, fez um pedido aos dirigentes e políticos que estavam presentes:
Que o Centro não acabe, que continue depois das Paralimpíadas do Rio. Nós precisamos do apoio de todos. Queremos que não acabe nada, que não acabe nunca - disse Shirlene Coelho, que foi aplaudida por todos.

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckimin, afirmou que dois grandes eventos já estão confirmados para o local: em novembro deste ano, as Paralimpíadas Escolares, e em março, o Parapan-Americano juvenil.

CHOQUE NA GESTÃO

O presidente do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), Andrew Parsons, chegou ao evento com um sorriso no rosto e informando para a imprensa como seria a gestão do Centro de Treinamento pela entidade. Após a cerimônia, porém, o dirigente estava com outro semblante. Indignado, não respondeu às perguntas da imprensa:

A ideia era que a gestão fosse do CPB (...) Não sei se a gestão vai ser do CPB, tem que perguntar para o Governo do Estado - disse o presidente minutos após a cerimônia oficial, em que ele estava no palco, mas não foi chamado para discursar.

Andrew não saiu contente da cerimônia (Foto: Guilherme Costa)
 Após uma conversa de dez minutos com a secretária de Estado dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Linamara Rizzo, Andrew voltou a se pronunciar, mais uma vez de forma sucinta:

A gente veio para um momento de celebração, de inicio de trabalho e a gente sai daqui com muita dúvida sobre nosso papel na gestão sobre esse Centro de Treinamento e sobre nosso relacionamento com o Governo do Estado de São Paulo - disse.

Linamara Rizzo disse não entender a dúvida do dirigente do CPB:

Não tem nenhuma dúvida, o governo assinou para que o centro seja utilizado, gerido pelo Comitê Paralímpico. Só ele pode responder porque ele está em dúvida. O decreto diz que nos próximos 12 meses, o Comitê tem uma permissão de uso dentro do centro. Eles vão estar aqui dentro e tomando conta das instalações - disse a secretária.

Recriada a Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência

Publicada em edição extra do Diário Oficial da União medida provisória que prevê a existência da Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência na estrutura do Ministério da Justiça e Cidadania.

A MPV 728/2016, publicada em 23/05, organiza também órgãos do Ministério da Cultura e atende a um manifesto encabeçado pela Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down e mais quarenta entidades que o subscreveram, além de apoiadores individuais.


Fonte: Inclusive


20/05/16

Conheça os Direitos das Pessoas com Deficiência

Fique por dentro dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Compartilhe com amigos e familiares as principais garantias legais para a pessoa com deficiência.

Passe livre no transporte interestadual para os comprovadamente carentes.

O Passe Livre é um programa do Governo Federal que proporciona a pessoas com deficiência e carentes, gratuidade nas passagens para viajar entre os estados brasileiros. O Passe Livre é um compromisso assumido pelo governo e pelas empresas de transportes coletivos interestadual de passageiros para assegurar o respeito e a dignidade das pessoas com deficiência. Vale destacar que esse é um direito que todos podem e devem defender ainda que não fosse regulamentado por lei. É um direito justo e é legal! Mais informações

Obtenção ou renovação de carteira de habilitação

A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode ser adquirida por qualquer pessoa que consiga passar nos exames necessários. Inclusive o candidato com algum tipo de limitação física, que não interfira na capacidade de dirigir, pode conduzir normalmente, desde que o veículo seja adaptado.

O que mais acontece são pessoas que já possuem habilitação que são acometidas posteriormente por algum tipo de deficiência. Em casos como esse é necessário que o condutor faça o mais rápido possível a alteração de sua CNH. Veja mais informações

Reserva de assentos nos transportes públicos

As empresas públicas de transporte e as concessionárias de transporte coletivo deverão reservar assentos preferenciais, devidamente sinalizados, para o uso das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, idosos a partir de 65 anos, gestantes e pessoas com criança de colo, conforme as Leis Federais 10.048, de 08 de novembro de 2000, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000 (regulamentadas pelo Decreto 5.296, de 02 de dezembro de 2004), a Lei Estadual 887, de 10 de setembro de 1985, e as Leis Municipais 317, de 12 de abril de 1982, e 3.107, de 18 de setembro de 2000.

Reservas de Vagas Especiais em estacionamentos públicos e privados
Conforme Decreto Federal 5.296, de 02 de dezembro de 2004, e a Lei Municipal de cada localidade, quando houver, fica assegurada nos estacionamentos de veículos, situados em logradouros públicos, objeto ou não de concessão, e nos pátios de repartições públicas municipais ou espaços a eles reservados, a obrigatoriedade da reserva permanente de no mínimo 2% da totalidade de suas vagas, exclusivamente para o uso de veículos de pessoas com deficiência que tenham dificuldade de locomoção, em locais próximos à entrada principal ou ao elevador, de fácil acesso à circulação de pedestres, devidamente sinalizadas.

Os veículos estacionados nas vagas reservadas deverão ter identificação em local visível.

O mesmo se aplica aos estacionamentos privados.

O desrespeito às vagas de pessoas com deficiência e idosos em estacionamentos privados de uso público sem a credencial é infração gravíssima. Lei nº 13.281 de 04 de maio de 2016.

No mínimo 5% de vagas reservadas em concursos públicos
As vagas de deficiente em concursos públicos estão previstas na lei 8.112/90 em seu artigo 5º no § 2º:

“Às pessoas com deficiência é assegurado o direito de se inscrever em concurso público para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no concurso.”

O percentual mínimo de reserva para deficientes é de 5% segundo o decreto de lei 3.298/99. Isso tudo significa que se o edital prever 100 vagas, no mínimo 5 delas e no máximo 20 serão reservadas à candidatos com deficiência. Veja mais informações

2 a 5% de vagas reservadas em empresas privadas
A Lei de Cotas foi criada em 1991. (Lei 8.213 de 24 de julho 1991).

A Lei de Cotas, define que todas as empresas privadas com mais de 100 funcionários devem preencher entre 2 e 5% de suas vagas com trabalhadores que tenham algum tipo de deficiência. As empresas que possuem de 100 a 200 funcionários devem reservar, obrigatoriamente, 2% de suas vagas para pessoas com deficiência; entre 201 e 500 funcionários, 3%; entre 501 e 1000 funcionários, 4%; empresas com mais de 1001 funcionários, 5% das suas vagas.  Veja mais informações

Aquisição de automóvel com isenção de IPI, ICMS, IOF

As pessoas com deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, ainda que menores de 18 (dezoito) anos, poderão adquirir, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, com isenção do IPI, automóvel de passageiros ou veículo de uso misto, de fabricação nacional, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI).

Os descontos de impostos variam de 20 a 35% dependendo da concessionária. O valor máximo do automóvel novo deve ser de 70 mil reais. O veículo pode ser trocado de 2 em 2 anos.

Infelizmente a burocracia é o principal desafio no caminho dos motoristas com deficiência na hora de comprar um carro zero com benefício.  Veja mais informações

Matrículas nos cursos regulares de instituições de ensino

A nova legislação, chamada de Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, garante condições de acesso a educação e saúde e estabelece punições para atitudes discriminatórias contra essa parcela da população.

Um dos avanços trazidos pela lei foi a proibição da cobrança de valores adicionais em matrículas e mensalidades de instituições de ensino privadas. O fim da chamada taxa extra, cobrada apenas de alunos com deficiência, era uma demanda de entidades que lutam pelos direitos das pessoas com deficiência. Veja mais informações

Complemento de 25% na aposentadoria por invalidez quando o segurado necessitar de assistência permanente

O art. 45 da Lei 8.213/91 dispõe que: “O valor da aposentadoria por invalidez do segurado que necessitar da assistência permanente de outra pessoa será acrescido de 25% (vinte e cinco por cento)”. Tal previsão também está contida no art. 45 do decreto 3.048/99.


Isenção de imposto de renda

As pessoas com doenças graves são isentas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) desde que se enquadrem cumulativamente nas seguintes situações (Lei nº 7.713/88):

1) Os rendimentos sejam relativos a aposentadoria, pensão ou reforma; e

2) Possuam alguma das seguintes doenças:  Veja mais informações

Benefício de Prestação Continuada

É um direito garantido pela Constituição Federal de 1988 e consiste no pagamento de 01 (um) salário mínimo mensal à pessoas com 65 anos ou mais de idade e à pessoas com deficiência incapacitante para a vida independente e para o trabalho, onde em ambos os casos a renda mensal bruta familiar per capita seja inferior a um quarto do salário mínimo vigente. Veja mais informações

Lei Olímpica defende mais ingressos para pessoas com deficiência


O texto defende aumento de três vezes no número de ingressos reservados para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de exigir mudanças em sedes dos Jogos Olímpicos

Sancionada no último dia 11, a Lei Olímpica vai exigir uma adequação em todas as arenas que receberão eventos dos Jogos Rio 2016. Com base na Lei Geral da Copa, que disciplinou a organização da Copa do Mundo no Brasil em 2014, o texto muda as regras das vendas de ingressos para o evento, aumentando o número de bilhetes disponíveis para deficientes e pessoas com mobilidade reduzida.

Anteriormente, eram reservados 1% dos assentos para pessoas com deficiência e outros 1% para pessoas com mobilidade reduzida. O deputado Índio da Costa (PSD-RJ), relator do projeto, alterou os números. A nova versão resguarda 4% das cadeiras para pessoas com deficiência e 2% para quem tem mobilidade reduzida. Ou seja, aumentando em três vezes o número de bilhetes disponíveis, em um total de cerca de 450 mil ingressos. Pela legislação, os lugares devem ser disponibilizados em todos os setores das arenas, com boa visualização do evento.

Diretor de Comunicação do Comitê Rio 2016, Mario Andrada afirmou que a entidade não está preocupada com as mudanças. Segundo ele, há tempo hábil para as adequações nas arenas olímpicas. “Lei é lei, o comitê vai ter que cumprir. A gente vai adaptar a lei à nossa realidade. É muito cedo para discutir. O sistema está funcionando bem. Vamos acompanhar.”

O Comitê Organizador Rio 2016, que está fazendo um estudo de demanda, trabalha com a possibilidade de não atingir nem os 2% de ingressos anteriormente reservados para deficientes e pessoas com mobilidade reduzida. Depois da avaliação, os organizadores pretendem conversar com o Governo para uma possível adequação. “Essas leis são negociáveis. A gente sabia que o governo tinha essa intenção, mas trabalhamos com o eles para que isso fosse negociável – afirmou.”


Por João Gabriel Rodrigues

O que vai acontecer com a Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência?

Mudança na estrutura do governo federal transferiu a SNPD (Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência) para o Ministério da Justiça. Não há informações sobre a manutenção dos projetos. E não há nenhuma confirmação sobre a extinção da secretaria.

O que vai acontecer com a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência?

Ninguém sabe. Nem mesmo funcionários da SNPD, que era vinculada ao Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, e passou para o Ministério da Justiça.

Fontes da secretaria afirmaram ao blog Vencer Limites nesta segunda-feira, 16, que muitas dúvidas estão sem resposta, inclusive sobre a carreira dos funcionários.

blog Vencer Limites pediu esclarecimentos à assessoria de imprensa do Ministério da Justiça e aguarda resposta, mas a própria pasta afirma não ter ainda informações precisas sobre a manutenção, ou não, dos projetos atuais, ou sobre uma possível extinção da secretaria da pessoa com deficiência.

A SNPD tem vários projetos, entre os quais o ‘Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite’, que ressalta o compromisso do Brasil com as prerrogativas da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo o Censo IBGE /2010, 45,6 milhões de pessoas declaram tem algum tipo de deficiência no Brasil. A proposta do ‘Plano Viver sem Limite’ é de que a convenção seja incluída na vida das pessoas por meio da articulação de políticas governamentais de acesso à educação, inclusão social, atenção à saúde e acessibilidade.

Por: Luiz Alexandre Souza Ventura

Fonte: Estadão

19/05/16

Brasileiro cria óculos para pessoas com deficiência visual que mapeia e descreve o ambiente

Wallace Ugulino testa o dispositivo que desenvolveu em sua tese de doutorado na PUC-Rio.


Equipamento mapeia o ambiente e indica pontos de referência por meio do som e de vibrações emitidas por um cinto e uma luva. Ferramenta é testada por alunos do Instituto Benjamin Constant.

A falta de recursos de acessibilidade ainda impede a cidadania de pessoas com deficiência no Brasil. Em diversos setores e locais, públicos e privados, mesmo projetos recentes, modernos, atualizados, desconsideram o cenário universal, no qual tudo existe para todos, e desobedecem a Lei Brasileira de Inclusão, em vigor desde janeiro deste ano.

No caso de pessoas cegas ou com deficiência visual, esse bloqueio aparece na ausência de pisos táteis, audiodescrições, textos em braile e outros recursos que garantem o pleno domínio do ambiente. Além de impedir a inclusão real, essa exclusão representa um perigo, mesmo para quem já conquistou autonomia e independência.

Felizmente, pesquisadores atuam cada vez mais pela inclusão e têm apresentado ferramentas que ampliam de fato a acessibilidade. É o caso de Wallace Ugulino, aluno do Departamento de Informática do Centro Técnico Científico da PUC-Rio. Ele criou, em sua tese de doutorado, óculos para pessoas cegas ou com deficiência visual que fazem o mapeamento e a descrição do local e dos objetos presentes. A orientação é do professor Hugo Fuks.

Classificado como ‘wearable technology’ (tecnologia vestível), o equipamento transmite dados sobre locais mapeados, indica pontos de referência e facilita o reconhecimento de ambientes ao fornecer informações por um alto-falante e também por vibrações emitidas por um cinto e uma luva.

“A área de tecnologia assistiva ainda engatinha no Brasil. Precisamos investir mais no mobiliário urbano. Falta uma visão de que esse investimento não afeta somente cegos ou cadeirantes. Esses investimentos trazem mais segurança e conforto para todos e beneficiam também o turismo na cidade. Se a cidade pudesse ‘conversar’ com o wearable (equipamento) do indivíduo, nós poderíamos não só apoiar a mobilidade dos indivíduos com deficiência, mas também teríamos um conjunto de novas oportunidades de negócios: turismo, mobilidade urbana, produtividade, publicidade, etc”, diz o pesquisador.

A ferramenta está em fase de testes, feitos por alunos do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro. “Na fase inicial da pesquisa, a programação foi restrita a ambientes internos, o que possibilitou testar a funcionalidade dos dispositivos com mais segurança para os voluntários. A experiência no instituto consistiu em propor duas tarefas aos estudantes, que deveriam indicar em qual área do prédio estavam localizados o museu e a estátua de Dom Pedro II. Ao caminharem pelos corredores, as vibrações emitidas pelos cintos e luvas indicavam que os usuários estavam passando por pontos de referência e os óculos forneciam informações verbalizadas sobre o ponto de referência encontrado, seja ela uma porta ou um objeto no caminho”, explica Ugulino.

Para o pesquisador, desenvolver tecnologias assistivas exige preocupação com os chamados fatores humanos. “Caminhar por ruas movimentadas e locais barulhentos é uma situação comum para milhões de brasileiros, mas também é responsável pelo medo e confusão de muitas pessoas com deficiência visual. Com a perda da visão, outros sentidos se tornam muito mais sensíveis porque os cegos precisam prestar muita atenção aos sons, à textura do solo e aos cheiros. Tecnologias projetadas sem levar em conta os fatores humanos interferem nessa sensibilidade, gerando uma sobrecarga cognitiva, um fenômeno conhecido como ‘masking’, um dos temas investigados nessa pesquisa”, diz.

Próxima fase – Ugulino se dedica agora ao projeto ‘Third Eye’, uma continuação de sua tese. De acordo com o pesquisador, a meta é permitir que a pessoa seja capaz de construir mapas mentais e possa aprender sobre o local onde vive, estuda ou trabalha. “A ideia no momento não é oferecer rotas determinadas aos usuários, mas permitir que, com as informações gerais sobre o local, a pessoa possa escolher o melhor caminho sozinha”, diz.

Com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da White Martins, a próxima etapa da pesquisa inclui aplicativos de localização para celular e câmeras acopladas aos óculos do projeto inicial. “Os aplicativos nos quais estamos trabalhando conhecem a preferência e as limitações de cada usuário, mas não serão restritos a pesoas com deficiência visual. Serão adicionadas informações sobre a cidade, ruas e locais turísticos, de forma que não se torne um sistema segmentado para uma categoria de indivíduos, mas que apoie a todos: ciclistas, turistas, cegos, cadeirantes, etc. É o que chamamos de Design Universal”, afirma Ugulino.

No aplicativo, os obstáculos serão mapeados e os pontos de referência estarão disponíveis para que o usuário fique seguro para realizar tarefas em ambientes externos. Segundo Ugulino, a câmera também pode auxiliar no processo, permitindo a identificação de placas e informações do trajeto. De acordo com o pesquisador, a tecnologia deve aumentar o intelecto e o sentido, mas em alguns casos, o efeito apresenta-se de forma contrária, levando a um excesso de informações.

“Cada ambiente tem suas particularidades e vai exigir diferentes comportamentos. Por exemplo, para guiar pessoas com deficiência visual em ruas não é aconselhável usar avisos sonoros complexos (como textos longos ou tons indicativos difíceis de serem compreendidos), pois este será mais um fator de preocupação para o usuário, que já precisa lidar com tantos barulhos ouvidos diariamente. Os aparelhos desenvolvidos e testados no Instituto Benjamin Constant apresentaram resultados positivos entre os voluntários e não registraram problemas quanto ao excesso de informações”, diz Ugulino.
Abaixo, uma entrevista com Wallace Ugulino e com o professor Hugo Fuks orientador do Departamento de Informática do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio).

Vencer Limites – Você teve algum tipo de envolvimento com a deficiência visual antes do projeto? Tem amigos ou parentes cegos? O que motivou a criação de um dispositivo especifico para pessoas com deficiência visual? O que você aprendeu sobre esse universo ao trabalhar nesse projeto?

Wallace Ugulino – Eu tenho parentes cegos, mas são distantes e não convivo diariamente. O meu envolvimento com o tema foi inicialmente pelo desafio de produzir tecnologia na área. Contudo, eu me encantei mesmo depois de conviver com os professores de mobilidade e alunos reabilitandos do Instituto Benjamin Constant na fase observacional da pesquisa. Eu cheguei a fazer aulas de mobilidade com a bengala (vendado) com a professora Vanessa Zardini (IBC). Naquele momento, ficou claro para mim quão difíceis são para os cegos algumas atividades triviais para nós (videntes), como é o caso de ‘andar em linha reta’. Isso é trivial para os videntes, mas os cegos normalmente têm dificuldade com isso. Essas lições sobre propriocepção e mobilidade sem a visão mudaram minha vida e foram muito inspiradoras para o meu trabalho de prototipação. Eu aprendi o quão importante é, por exemplo, produzir tecnologia que demande menos atenção do usuário, aprendi que isso pode diminuir o risco de acidentes. Eu me senti motivado a desenvolver essa tese quando entendi a relevância que esse estudo tem para essa população em particular e as lições que isso nos traz sobre como produzir melhores artefatos computacionais. Atualmente, as lições que aprendi sobre a atenção demandada pela tecnologia estão me ajudando a projetar tecnologia não só para cegos, mas também para ciclistas urbanos, condutores de veículos automotores, e outras áreas temáticas na qual a atenção do usuário é fator crítico.

Hugo Fuks – Casos extremos iluminam as necessidades de todos. O que facilita a vida de um cego, algo como uma calçada decente, artigo escasso no Brasil, ajuda o ir e vir de todos os pedestres.

Vencer Limites – Qual a sua avaliação sobre a tecnologia assistiva no Brasil? Quais bons exemplos nacionais podem ser citados? O que outros países têm para nos ensinar?

Wallace Ugulino – A área ainda engatinha no Brasil. Precisamos investir mais no mobiliário urbano. Falta uma visão de que esse investimento não afeta somente cegos ou cadeirantes. Esses investimentos trazem mais segurança e conforto para todos e beneficiam também o turismo na cidade. Se a cidade pudesse ‘conversar’ com o wearable do indivíduo, nós poderíamos não só apoiar a mobilidade dos indivíduos com deficiência, mas também teríamos um conjunto de novas oportunidades de negócios: turismo, mobilidade urbana, produtividade, publicidade, etc.

Hugo Fuks – Engatinhando. Voltando a falar das calçadas, antes do projeto Rio-Cidade, na década de 1990, não me lembro de haver rampas decentes nas ruas para os cadeirantes. A importância de calçadas decentes. Aliás, a qualidade dos nossos governantes pode ser avaliada pelas calçadas e ruas da cidade. Não há melhor modo de compartilhar a riqueza de uma sociedade com o seu povo.
Vencer Limites – Qual a sua avaliação sobre acessibilidade e inclusão, de forma geral, no Brasil?

Wallace Ugulino – Eu acredito que avançamos um bocado na última década. Programas de inclusão são os primeiros a sofrer corte quando há uma restrição orçamentária, seja na administração pública ou privada. Parece que não há um entendimento de que a inclusão beneficia negócios, de que ela apoia a cidadania, e de que nos leva a avançar em qualidade como sociedade. Todos ganham com a inclusão: há um mercado inexplorado, com potencial de gerar lucros e arrecadação. O potencial produtivo desses cidadãos não é aproveitado por causa de espaços públicos e privados que não são acessíveis.

Hugo Fuks – Há de fato um interesse em melhorar a vida das pessoas excluídas por alguma excepcionalidade. Mas a prioridade ainda é muito baixa.

Fonte: Estadão

18/05/16

Seleção Brasileira de Judô para Todos conquista cinco ouros em Campeonato na Itália

Em Ravenna, equipe ainda levou mais quatro pratas e seis bronzes.



A Seleção Brasileira de Judô para Todos, voltado para judocas com deficiências intelectuais ou motoras, voltou da etapa realizada em Ravenna, na Itália, de mala cheia. A delegação do Brasil conquistou 15 medalhas, sendo cinco ouros, quatro pratas e seis bronzes. Todos os atletas subiram ao pódio.


“Estou realmente muito feliz. Não apenas pelos resultados conquistados, mas por ver a felicidade desses judocas. Queremos levar esses exemplos para todo o Brasil e que isso estimule ainda mais famílias e pessoas com algum tipo de necessidade especial a aderir ao Judô para Todos. O esporte é uma grande porta de inclusão para todos eles”, destaca Ricardo Lúcio, coordenador da equipe brasileira. “Aqui cada um aprende como superar barreiras", completou.



Participando pela terceira vez de uma competição internacional de “Judô For All”, a paranaense Jaqueline Xander subiu mais uma vez ao lugar mais alto do pódio. 



“Achei a competição bem difícil, mas estou muito orgulhosa de conquistar mais uma medalha de ouro para o Brasil. Quero ganhar muitas outras”, destaca a única mulher da equipe brasileira.



Outro a garantir a primeira colocação para o Brasil foi João Vitor Ferreira, estreante em competições internacionais. 



"Foi uma experiência muito boa. Gostei muito do torneio. Enfrentei adversários bem duros, mas consegui superá-los. Agora minha intenção é continuar participando de outros eventos pela Seleção Brasileira de Judô para Todos", conta o catarinense.



A equipe brasileira ficou em segundo lugar geral da competição que reuniu cerca de 130 atletas de 10 países: França, Itália, Holanda, Alemanha, Inglaterra, Noruega, Brasil, Croácia, País de Gales e Eslovênia.



A Seleção Brasileira de Judô para Todos contou com os patrocínios da Klefer Marketing Esportivo, Inclusão Judô, On Optimum Nutrition, URI (Universidade Regional Integrada - Erechim), Sea Summer Chinelos e também de campanhas de financiamento coletivo, além de apoio da Confederação Brasileira de Judô. 



Resultados finais: 
1) Antônio Lima - Sion - FJERJ / RJ - 1º lugar na categoria até 90kg
2) Guilherme Paiva - Sion - FJERJ / RJ - 1º lugar na categoria até 55kg
3) João Vitor Ferreira - Casa do Meu Amigo - FCJ / SC - 1º lugar na categoria até 81kg
4) Leandro Gonçalves - AMCF/Sistema Judoca - FPRJ / PR - 1º lugar na categoria até 81kg
5) Jaqueline Xander - AMCF/Sistema Judoca - FPRJ / PR - 1º lugar na categoria até 78kg
6) Breno Viola - CRF - FJERJ / RJ 2º lugar na categoria até 75kg
7) Orlando Cherem - Minas Tênis Clube - FMJ / MG - 2º lugar na categoria até 66kg
8) Pedro Baidek - ASSERJU - FGJ / RS - 2º lugar na categoria até 60kg
9) Saulo Palote - RBN - FJERJ / RJ - 2º lugar na categoria até 100kg
10) Yves Dupont - Sogipa - FGJ / RS - 3º lugar na categoria até 55kg
11) Felippe Reis - S.E. Palmeiras - FPJ / SP 3º lugar na categoria até 93kg
12) João Pedro Sarno - Sion - FJERJ / RJ - 3º lugar na categoria até 55kg
12) Caio Camargo - Acre Clube - FPJ / SP - 3º lugar na categoria até 75kg
13) Cássio Priosti - Acre Clube - FPJ / SP - 3º lugar na categoria até 65kg
14) Thomas Gianini - Acre Clube - FPJ / SP 3º lugar na categoria até 82kg



A comissão técnica foi formada por: 
1) Ricardo Lucio - Sion – RJ 
2) Lucio Nagahama - AMCF/Sistema Judoca – PR 
3) Rogério Reis - Acre Clube – SP 
4) Giuliano Liotto - ASSERJU - RS  
5) Giovani Ferreira - Casa do Meu Amigo - SC



*Texto: Paulo Mac Culloch

Fonte: CBJ

Cadeirantes ganham aplicativo para facilitar embarque em ônibus

Teodora Lúcia, de 53 anos, moradora do Jardim Bom Retiro, ajudou a implantar o aplicativo


Quem tem necessidades especiais em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, enfrenta um desafio diário: exercer seu direito de ir e vir. Calçadas desniveladas, semáforos sem avisos sonoros para deficientes visuais e espaços públicos sem acessibilidade são alguns dos maiores problemas. Para tentar aliviar um pouco a rotina difícil, uma empresa de ônibus da região lançou neste mês um aplicativo que facilita o embarque de cadeirantes nos coletivos. Os usuários aprovaram a iniciativa, enquanto seguem na esperança de que surjam outras como esta por parte das autoridades.

É o caso de Teodora Lúcia da Silva, de 53 anos, que mora no Jardim Bom Retiro, em São Gonçalo. Cadeirante há 30 anos, ela sempre reclamou dos serviços da Viação Rio Ita, que, segundo ela, enviava poucos ônibus com acessibilidade para o bairro:

Como tinha que acordar muito cedo, sempre ligava para a empresa perguntando o horário que eles mandariam um ônibus com o elevador para cadeirantes. Um dia, o gerente da empresa me ligou e começamos a pensar numa forma de facilitar a vida de pessoas com o mesmo problema que o meu.

O idealizador do aplicativo, o gerente da empresa Evandro Dotto Nunes, conta que o Pontos e Partidas ajuda para que o usuário monitore onde está o coletivo com elevador para cadeirantes mais perto:


O usuário precisa baixar o aplicativo através do link: app.vc/rioita. Com o app, ele pode avisar ao motorista que estará em determinado ponto em certo horário. Isso facilita a vida dessas pessoas, que às vezes demoram a chegar na parada ou precisam esperar em outros locais, porque o ponto não tem abrigo — explica Evandro.

Aplicativo tem ligação direta com os ônibus

Apesar desta melhoria, o município ainda está muito longe de oferecer boas condições para os deficientes. Quem comprova isso são os amigos e deficientes visuais Fábio Costa Figueiredo, de 45 anos, e Severino Vicente da Silva, de 67. Segunde eles, andar pela cidade sozinho é uma verdadeira prova de “desvio de obstáculos”.

Já me machuquei muito andando nas ruas de São Gonçalo. As calçadas são completamente irregulares e, muitas vezes, precisamos nos arriscar andando pelo meio rua, porque o risco de tropeçar em um bloco de concreto ou numa sacola de lixo é grande — comenta Severino: — Parece que as autoridades da cidade também não têm o menor respeito pelos deficientes.

‘Falta um plano de acessibilidade’

A falta de padronização das calçadas da cidade é uma das grandes reclamações da cadeirante Priscila da Conceição, de 33 anos. Ela tem muito medo de andar sozinha, porque o risco de queda é grande:

Eles (prefeitura) cria rampas nas calçadas, para o acesso de cadeirantes, que são altíssimas. Fica complicado de andar. Em alguns lugares, o poste fica quase em frente à rampa. Esse problema é muito frequente até no Centro da cidade.

Para a fundadora e diretora do Centro de Apoio ao Deficiente Visual de São Gonçalo (Cadevisg), Mary Jane Andrade, falta um plano de acessibilidade forte para atender a população deficiente.

É preciso criar um programa sério para que essas pessoas consigam viver melhor e com mais segurança — alerta Mary Jane.

A Prefeitura de São Gonçalo informa que a Secretaria municipal de Políticas Públicas para Idoso, Mulher e Pessoa com Deficiência tem discutido a implementação de um plano de acessibilidade para a cidade. Segundo o órgão, a expectativa é de que a medida entre em vigor antes do fim do ano.

Aplicativo tem ligação direta com os ônibus

Fonte: O Globo
Anterior Inicio