24/06/16

Especialistas promovem curso de automaquiagem para cegas



Rede de salões Jaques Janine e Associação Laramara ensinam técnicas adaptadas a mulheres com deficiência visual


Olhar no espelho e ter certeza de estar passando a maquiagem do jeito correto é um dos passos básicos para a maioria das mulheres que se produzem. No caso das pessoas com deficiência visual, o ritual muda. É preciso tocar o próprio rosto e sentir onde sobrancelha, lábios, olhos começam e terminam para passar sombra, blush e batom. Para ajudar mulheres cegas a se sentirem mais independentes e bonitas, a rede de salões de beleza Jaques Janine e a Laramara (Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual) criaram um curso de automaquiagem ministrado por especialistas.

A primeira turma foi encerrada na quarta-feira, 15, e já existe uma fila de espera de 40 pessoas para a próxima, prevista para agosto. Em seis aulas teóricas e práticas, as alunas aprendem desde preparação da pele, passando pelas funções dos produtos, até truques de como delinear os olhos – um dos grandes desafios da maquiagem para qualquer um.

“Esse curso me fez pensar a maquiagem de uma maneira diferente. Faz você se sentir mais bonita independentemente de você estar se vendo ou não. Nós que estamos nos vendo sempre no espelho nunca pensamos nisso”, diz Chloé Gaya, maquiadora e consultora de imagem do Jacques Janine.

Geisa Souza Santos, 37 anos, ficou cega aos 26 em decorrência de um glaucoma, e afirma que o curso elevou sua autoestima. “Ganhei mais autonomia e independência. Fiquei dez anos sem tirar os óculos escuros, mas agora me encorajei”, conta. “Posso me maquiar e me sentir tão bonita quanto as outras mulheres.”

Para a massoterapeuta Débora Perossi, de 56 anos, a maquiagem ajuda também no âmbito profissional. “Estou me sentindo mais confiante com minha aparência para atender meus clientes”, afirma. A Laramara percebeu que as pessoas com deficiência visual atendidas pela associação tinham a necessidade de aprender mais sobre automaquiagem durante as atividades da vida cotidiana.

“Sabemos que não é só a maquiagem que vai definir a autoestima de uma pessoa, mas ela contribui muito para elas se sentirem mais felizes”, coordenadora do Programa do Jovem e do Adulto, Cecília Maria Oka. A instituição Laramara também ensina técnicas para que pessoas com deficiência lidem com situações do cotidiano, como limpar a casa, cozinhar, estudar e cuidar da própria higiene pessoal.



Fonte: Jornal Estadão por Gabriela Marçal.

Professor cego concorre a prêmio por técnica que descreve insetos por sons

O psicólogo, pesquisador e doutor em psicofísica Francisco Lima, 51 anos, é um dos finalistas do Prêmio International and Career Achievement Awards Description Project, do Conselho Americano de Cegos (ACB), que acontece no início de julho, na cidade de Mineápolis, nos Estados Unidos. O professor cego de audiodescrição ensina no Departamento de Psicologia e Orientação Educacionais/Centro de Educação (CE) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A indicação para participar da premiação surgiu após ele desenvolver uma técnica nos museus a partir de imagens de insetos, que os descrevem por meio de sons. A ideia não pretende substituir a visão, mas contribuir na captura imagética da mente, confirmando uma hipótese e elucidando ambiguidades, além de ajudar tanto estudantes quanto idosos e profissionais no dia a dia.

O audiodescritor narra as imagens e transforma em palavras para os cegos e deficientes visuais consumidores de meios de comunicação visual, onde se incluem a televisão e o cinema, a dança, a ópera e as artes visuais. Segundo o professor Francisco, a pesquisa pode ajudar todos os cegos a saber o que está acontecendo, mesmo sem enxergar. “Somente vão precisar de alguém para descrever o que está acontecendo”, contou. Este estudo será tema do seu pós-doutorado do professor no exterior.

Os trabalhos começaram com a formação de profissionais para audiodescrever os insetos do museu Dragão do Mar, em Fortaleza, no estado do Ceará, e do museu de geologia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais. Umas das conquistas foi a inclusão da disciplina de acessibilidade na UFOP. “No futuro um estudante cego de biologia vai estudar a planta com mais precisão, conhecendo melhor a morfologia de um inseto”, explicou. Para participar da premiação nos Estados Unidos ele solicitou à UFPE recursos para bancar a hospedagem e passagem aérea.

Sempre acompanhado de seu cão-guia, Francisco Lima dá aulas nos cursos de jornalismo, rádio e TV e pedagogia na UFPE. Para facilitar sua comunicação com os alunos e funcionários, comprou um transmissor e acoplou no seu notebook. O equipamento está facilitando sua comunicação ao responder e-mail, através de um visualizador de telas, que transforma as mensagens de texto em áudios.
Durante o Encontro Nacional de Audiodescrição em Estudo (Enades), realizado no dia 3 de maio,  além de debater os resultados da pesquisa desenvolvida pelo professor no museu da UFOP. “Os estudantes narraram a experiência inédita de aprender a descrever informações da imagem para o texto e apontaram o aumento de visitas no local, inclusive de deficientes”, analisou.

De acordo com o pesquisador, a audiodescrição não é somente para as pessoas cegas. “Vai ajudar alguém que não sabe um idioma, por exemplo, ao assisitir a um filme legendado, esse profissional detalha todas as cenas sem intervalo para as trilhas sonoras”, disse. Ele também acrescentou que as pessoas que sofrem com dislexia – dificuldade no aprendizado, também poderão ser beneficiadas. “Ainda temos muitos analfabetos e isso pode ser uma alternativas para interagir nas salas de aulas”, disse Francisco.

Fonte: Diário de Pernambuco por  Max Felipe – Especial para o Diario.

22/06/16

Central de Libras será inaugurada em São João do Piauí



Uma Central de Interpretação de Libras (CIL) será inaugurada, neste sábado (18), no município de São João do Piauí. A implantação desse espaço é realizada através da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Governo do Estado do Piauí, por meio da Secretaria de Estado para Inclusão da Pessoa com Deficiência (Seid), em parceria com a prefeitura.



O objetivo da CIL é garantir o atendimento de qualidade às pessoas com deficiência auditiva por meio de serviços de tradução e interpretação, facilitando e viabilizando seu acesso à serviços públicos e informações diversas, ampliando a comunicação e interação entre ouvintes e surdos. O órgão oferecerá atendimento de forma presencial, virtual e, quando solicitado, o acompanhamento de intérprete de LIBRAS ao local da demanda. A Central receberá bens móveis, computadores e a doação de um veículo e  funcionará na Avenida Candido Coelho, 517- Centro, São João do Piauí.



Segundo o Censo IBGE de 2010, o Piauí apresenta um número de 4.730 pessoas que não ouvem de modo algum, 37.474 que possuem grande dificuldade para ouvir e 143.771 com alguma dificuldade.



O secretário da Seid, Mauro Eduardo, fala que a central fortalecer o elo de comunicação entre a comunidade surda e os ouvintes. “Hoje o Brasil é um país bilíngue. Dessa forma, é de fundamental importância à implantação de um órgão que ajudará na comunicação dos deficientes auditivos com os ouvintes, por meio de serviços de tradução e interpretação de libras”, enfatiza o gestor.


Fonte: Sempre Incluídos

21/06/16

Braille, guizos e beleza exuberante: medalhas da Paralimpíada inovam

Láurea dos Jogos Paralímpicos emitem sons diferentes para ouro, prata e bronze pela primeira vez na história, facilitando identificação para os deficientes visuais



Por Thierry Gozzer Rio de Janeiro



Terezinha Guilhermina tem seis medalhas paralímpicas em sua casa. Três de ouro, uma de prata e duas de bronze. Em Pequim 2008, a velocista das classes T1 e T2, para deficientes visuais, trouxe uma de cada cor para o Brasil. Se repetir esse feito na Cidade Maravilhosa, a mineira de Betim não precisará mais de nenhuma ajuda para diferenciar suas láureas. O Comitê Rio 2016 inovou e no lançamento das medalhas da Paralimpíada apresentou as primeiras da história a emitem sons que possibilitam identificar se são de ouro, prata ou bronze. A novidade só foi possível graças a uma caixa metálica de ressonância que foi instalada entre os dois discos que formam a medalha. Dentro dela estão guizos, bolinhas de aço que produzem efeitos sonoros para permitir a acessibilidade de pessoas com deficiência visual.



As medalhas paralímpicas, desde sua essência, era importante trazer essa inovação no campo sensorial. Ela traz um elemento super novo, que são as esferas que ao serem sacudidas as medalhas trazem sons e que produzem sons diferentes entre elas para o ouro, a prata e o bronze. Para o deficiente visual, será essencial - disse Dalcacio da Gama Reis, gerente de design dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.



A medalha de ouro emite um som mais forte, poderoso, com 28 esferas. A de prata tem um ruído um pouco menor com 20 e a de bronze é ainda mais fraca com 16. Assim, é possível diferenciar qual medalha o atleta tem em mãos. Para o presidente do Comitê Paralímpico do Brasil (CPB), Andrew Parsons, a presença dos guizos roubou a cena no lançamento das medalhas olímpicas e paralímpicas da Rio 2016.



Acredito que é a grande inovação. Desde o começo da criação da Rio 2016 queríamos fazer muito mais sensorial. Você tem a pessoa que é deficiente, que está na cadeira de rodas, mas você tem uma parcela grande de deficientes visuais. Surgiu essa ideia e o desafio de fazer sons. Então, o atleta consegue diferenciar as medalhas. Por exemplo, a Terezinha (Guilhermina, atleta brasileira), se ela ganhar entre prata e ouro, ela sabe a diferença. E tinha que ser leve e com um design atraente. Conseguimos fazer isso e colocar os seixos que representam a espiral ascendente - disse Andrew Parsons.

Confecção da medalha paralímpica  
(Foto: Divulgação/Casa da Moeda do Brasil)

Os sons, contudo, não foram as únicas diferenças das medalhas paralímpicas. Assim como as olímpicas, elas pesam 500g e tem 85mm de diâmetro, mas, ao contrário da Olimpíada, não há a obrigação do uso no anverso da imagem da deusa Nike, que representa a vitória. Assim, trazem no anverso a inscrição Rio 2016 Paralympic Games em braille, a escrita para deficientes visuais, e no reverso a marca dos Jogos Paralímpicos Rio 2016.



A medalha de ouro tem 494g de prata (metal) com 92,5% de pureza e 6g de ouro, com 99,9% de pureza. A produção desse ouro teve preocupação socioambiental e está isento de mercúrio. A de prata tem 500g de prata. A de bronze, com 40% de cobre reutilizado de restos da própria Casa da Moeda, tem 475g de cobre (97%) e 25g de zinco (3%). As fitas da medalhas são feitas com quase 50% de fios de garrafas PET recicladas.



Foi um desafio enorme. Era tudo muito inovador. Mas, a Casa da Moeda, em termos de inovação em segurança, está muito acostumada a trabalhar assim. Aliamos essa experiência nossa em sempre estar à frente com os desejos do Rio 2016. A medalha paralímpica tem os guizos, que é uma novidade impressionante, e além disso tivemos preocupações em termos sempre insumos sustentáveis. O ouro sem mercúrio, as fitas com PET. Fomos buscar materiais, pessoas que fazem isso no mundo. Tudo isso foi importante para nós - esclarece Lara Caracciolo Amorelli, presidente interina da Casa da Moeda.



Chevrolet participa do Mobility & Show, com condições especiais para pessoas com deficiência



A Chevrolet é destaque na 2ª edição do Mobility & Show, que acontece nos dias 24 a 26 de junho, no Aeroporto do Campo de Marte, zona norte de São Paulo. Durante o evento, a Chevrolet com apoio da Chevrolet Serviços Financeiros promove um feirão para pessoas com deficiência. Nele, os modelos da marca como Onix, Prisma, Cobalt, Spin e Trailblazer, serão vendidos com condições especiais para compra como descontos de fábrica, benefícios fiscais previstos na legislação e ofertas que chegam a até 35% na redução de preço.

Profissionais especializados estarão à disposição no estande da marca para tirar dúvidas e dar suporte ao consumidor interessado em adquirir um veículo com as isenções. “A orientação correta ao cliente é muito importante para que ele consiga encontrar o produto ideal com os benefícios fiscais a que tem direito por lei. Muitos desconhecem que além dos motoristas, os não-condutores, por exemplo, também têm o direito a adquirir os carros com condições especiais”, atenta Marcos Saraiva, gerente regional de vendas diretas da GM.


Pessoas com deficiência têm direito à isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para qualquer automóvel de passageiros nacional e também pode ter isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), desde que o carro não custe mais do que R$ 70 mil, na tabela de preço público sugerido pela montadora.


Linha completa


A Chevrolet possui a mais completa linha de automóveis do país, com produtos modernos e que podem ser adaptados às diversas necessidades dos consumidores. A marca tem ainda mais de 600 concessionárias espalhadas pelo país e a maior variedade de veículos equipados com transmissão automática.


A Chevrolet foi uma das pioneiras no desenvolvimento de produtos nacionais acessíveis equipados com transmissão automática. Isso vem desde os anos 80, com o Chevette, depois com o Corsa e agora com o Onix, Prisma e Cobalt. No estande da marca estão expostos o Onix, além do Cobalt, Spin, Prisma e Trailblazer, modelos 2017.


Test drive


Na área de Test Drive da feira, a Chevrolet disponibilizará os cinco modelos automáticos para test drive: Cobalt, Onix, Spin, Trailblazer e o Prisma – atualmente o veículo da marca mais vendido para PcD.


Já o Cobalt 2017, sedã mais acessível do segmento, pode ser adquirido com isenção de IPI e ICMS, equipado com transmissão automática de seis marchas, sistema multimídia MyLink e com OnStar. Também estará disponível para test drive, o Trailblazer, modelo Chevrolet de muito sucesso de vendas a PcD.


Sobre o evento:

Mobility & Show 2016
Dias: 24 a 26 de junho
Horário: Das 12h às 18h dia 24/06 ——— Das 9h às 18h dias 25 e 26 de junho
Local: Aeroporto do Campo de Marte – Av. Santos Dumont 2.241
Entrada e estacionamento gratuitos
Mais informações: www.mobilityshow.com.br


Fonte: Meio Norte

Plano de saúde terá que arcar tratamento por equoterapia para criança com síndrome de Down

Em causa patrocinada pelo escritório Carlos Reis Advogados Associados foi garantida, por meio de liminar, que plano de saúde arque com os custos do tratamento de equoterapia prescrito a uma criança com síndrome de Down.


Na ação apresentada ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal foi explicado que a criança, com 04 anos de idade, nasceu com síndrome de Down e que uma das consequências da alteração genética é a presença de uma forte hipotonia, que pode ser definida, a grosso modo, como uma “flacidez nos músculos”. A hipotonia atinge todas as pessoas com síndrome de Down.


Também foi destacado que o Conselho Federal de Medicina e o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional reconhecem a equoterapia como modalidade de tratamento. Por meio da utilização do cavalo e dos movimentos tridimensionais necessários ao equilíbrio de quem monta, toda a musculatura é trabalhada e fortalecida.


Além dos benefícios físicos, a equoterapia traz benefícios no desenvolvimento das habilidades sociais e cognitivas, beneficiando o desenvolvimento global das pessoas com deficiência.


Apesar dos grandes benefícios proporcionados na equoterapia, o plano de saúde da criança negou a cobertura, alegando que o tratamento não consta no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, estabelecido pela ANS, conforme Anexo I da Resolução Normativa 387/2015.


O argumento, constantemente invocado pelas operadoras de planos e seguros de saúde, no entanto, não é suficiente para justificar a negativa, conforme de forma sistemática decidem os tribunais brasileiros.


Como o plano de saúde não possui nenhuma prestadora do serviço de equoterapia credenciada em sua rede de atendimento, os pais da criança pagarão pelas sessões e, posteriormente, serão reembolsados de forma integral.

Exoesqueleto para crianças faz pacientes andarem pela primeira vez

Primeiro exoesqueleto para crianças faz pacientes andarem pela primeira vez



O dispositivo de 12 kg é composto por hastes longas de suporte ajustadas para caber em torno das pernas e do torso de uma criança. Uma série de motores imita os músculos humanos nas articulações, dando ao paciente a força necessária para ficar em pé e andar.


O sistema conta com uma série de sensores, um controlador de movimento e uma bateria de cinco horas. Trata-se de um protótipo em fase pré-clínica, então ele deve receber melhorias de design no futuro.


Este exoesqueleto de alumínio e titânio pode ser expandido e modificado para acomodar crianças com idade entre 3 e 14 anos. A pesquisadora Elena García, do CSIC (Consejo Superior de Investigaciones Científicas), explica a necessidade disso em um comunicado:


A principal dificuldade ao desenvolver este tipo de exoesqueleto pediátrico é que os sintomas de doenças neuromusculares, tais como a atrofia muscular espinhal, variam ao longo do tempo tanto nas articulações como em todo o corpo. Por isso, é necessário um exoesqueleto capaz de se adaptar a essas mudanças de forma autônoma. Nosso modelo inclui articulações inteligentes que modificam a rigidez automaticamente e se adaptam aos sintomas de cada criança a cada momento.


O exoesqueleto foi desenvolvido pelo órgão espanhol CSIC, e faz mais do que apenas ajudar as crianças a andar – em alguns casos, pela primeira vez. Fazendo com que elas se movam, o dispositivo evita o aparecimento de escoliose, osteoporose e insuficiência respiratória.


A atrofia muscular espinhal é uma doença degenerativa com origem genética que enfraquece os músculos do corpo e afeta aproximadamente 1 em 10.000 nascimentos. Espera-se que, no futuro, este exoesqueleto não seja usado apenas em hospitais, como também nas casas dos pacientes.


Fonte: GIZMODO

A deficiência devia ser valor e não problema na escola, diz Ika Fleury

Ika Fleury
Incluir um aluno deficiente é permitir e desejar que ele participe de todas as atividades da escola, como todo e qualquer aluno. É assim que se define educação inclusiva para Ika Fleury, ex-primeira-dama do Estado de São Paulo e atual presidente do Conselho Curador da Fundação Dorina Nowill, uma instituição que trabalha há 70 anos pela inclusão de crianças, jovens e adultos cegos e com baixa visão.

Para ela, o conceito, apesar de aparentemente simples, ainda não é amplamente aplicado. Isso, na sua opinião, porque as gerações anteriores não conviveram com deficientes e ainda sentem dificuldades em lidar com a questão. Era uma época em que o costume era manter o deficiente dentro de casa, mais isolado.

O desafio, atualmente, é colocar em prática essa nova maneira de lidar com a deficiência – que é integrando o deficiente na escola, no trabalho e no convívio social. Apesar de o Brasil ter muita legislação a esse respeito, ainda não é corriqueiro encontrar instalações adequadas, materiais adaptados e profissionais treinados para lidar com essa situação, que pode ser tão complexa quanto enriquecedora.


UOL – Para a senhora, o que é educação inclusiva?

Ika Fleury – Para mim, educação inclusiva é querer que o aluno participe de todas as atividades. A escola precisa se recriar para um novo olhar, o da diferença. Nós somos diferentes, não somos? Se a escola tiver esse olhar da diferença como valor e não como problema, já é um grande passo.

Para o bom aprendizado, precisamos de políticas públicas, estratégias pedagógicas, das famílias e da gestão escolar. É necessário um olhar diferente para essa nova escola. Uma escola para todos que, é difícil de se fazer, mas é possível. Temos ilhas de excelência nesse sentido. São escolas que sofreram transformação e se dedicaram na formação de profissionais.

Aliás, mais importante do que a formação especial do professor, está o profissional que entende que precisa dar aula para todos e enxerga cada aluno individualmente. Educação inclusiva é aquela em que o aluno vai para a educação física, para o recreio, como qualquer outro. Essa educação vai além de se colocar a lei que obriga as escolas a receber os alunos deficientes. 

UOL – As escolas brasileiras já estão preparadas para a educação inclusiva?

Ika Fleury – Na verdade, o Brasil precisa ter mais responsabilidade. As nossas leis são as mais adiantadas quanto ao direito dos deficientes, mas precisamos da prática.

A professora não tem apoio nem para conversar com uma orientadora ou em sala de aula. Às vezes, até existe um curso de formação, mas ela não sabe procurar. Os professores necessitam de uma estrutura que precisa ser mudada. Existe todo um questionamento a ser feito em relação às famílias. Qual é o valor que a família dá para a educação? A família que tem um filho com deficiência entende o potencial da criança?

É preciso compreender que, no passado, a sociedade era muito diferente. Antes, a criança com deficiência ficava em casa ou numa instituição. Depois, veio o momento a integração. Hoje, é o momento da inclusão. Todos juntos querendo mudar a realidade das pessoas com deficiência. 

UOL – Qual é a reação de pais de alunos não deficientes diante de um estudante deficiente? Existe preconceito?

Ika Fleury – Os pais e avós não são culpados de nada. Na geração deles, o convívio como deficiente não existia. Claro que existe o preconceito e uma série de problemas. Há o pensamento de que o estudante não deficiente não vai aprender porque a professora vai se dedicar ao aluno deficiente. Existem esses mitos.

Quando você tem uma sala com deficiente e a escola é bem estruturada, o aluno não deficiente leva uma forma diferente de pensar para dentro de casa.

Agora, do mesmo jeito que existe deficiência devia ser valor e não problema na escola, diz Ika Fleuryem pais que rejeitam, outros querem que o filho seja o mais solícito do mundo com o colega deficiente. É preciso ter equilíbrio. E também ter apoio. A Fundação Dorina Nowill apoia famílias e colégios, por exemplo. Ninguém sozinho pode fazer tudo.

Fonte: UOL 
Thiago Varella Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

20/06/16

Cirurgia de Derivação da Bexiga - Parte 03



Olá queridos amigos e seguidores! O post de hoje é para falar como foi a minha cirurgia e o pós operatório. Como vocês viram nos outros dois vídeos eu estava muito feliz, apesar de saber um pouco de como era lento e desagradável o todo o processo.

Fui operada no dia 1º de junho na parte da tarde. Foram mais ou menos 6 horas entre anestesia, cirurgia e recuperação.
Quando acordei na sala do pós operatório eu já sentia muita dor na barriga e falta de ar. Me deram morfina duas vezes e não adiantou nada. Depois o tubo no nariz começou a incomodar e nada melhorava o incomodo na garganta. As 19 horas subi para a enfermaria onde minha mãe e meu namorado me esperavam. Para minha sorte eles deixaram minha mae dormir comigo enquanto fiquei com o tubo no nariz. Não dormi nada nas duas primeiras noites, pois estava com muita dor e incômodo. A partir do terceiro dia tomei remédios para dormir para recuperar melhor.

Para fazer a derivação eles pegaram um pedaço do intestino delgado, pois meu apendice é muito pequeno e mesmo assim o orifício ficou na lateral direita da barriga e não no umbigo, como eu queria. Também descolou minha bexiga do peritônio para aumentar a capacidade dela, não precisando fazer a ampliação da mesma.

Senti muita dor na garganta, no estômago, na barriga e nas costas nos 4   primeiros dias. 


O sexto dia foi o primeiro a tomar banho no chuveiro e o que não senti dor alguma. Comecei a receber visitas, a beber e comer com restrições, a sentar na cadeira, sendo um dia melhor que o outro.
No décimo terceiro dia tiraram o sonda de demora e no dia seguinte começaram a fazer o cateterismo por cima.  

Finalmente depois de dezessete dias internada tive alta. Vim para casa com a sonda fixa na barriga porque ainda não cicatrizou o canal e pode machucar se ficar passando a sonda. Essa semana volto ao Sarah para vê quais serão os próximos passos.

E se tudo der certo logo volto a trabalhar.

Resumo do pós operatório:
  • 3 dias com o tubo nazal, podendo conversar o mínimo possível para evitar gazes e diminuir o incômodo;
  • 3 dias sem beber água e comer;
  • 3 dias só na cama e com muita dor nas costas;
  • 4 dias com muita dor na barriga por causa da cirurgia;
  • 4 dias tomando banho na cama e sem lavar os cabelo;
  • 5 dias com náuzeas e dor no estômago;
  • 12 dias para a alimentação voltar ao normal.

Depois dessa experiência quero viver mais intensamente e agradecer a Deus todo dia o prazer de acordar bem e com saúde. Darei mais valor a minha mãezinha e a minha família e aos amigos que mesmo longe torceram por mim. A apreciar a água e a comida, pois passar fome e sede é muito triste. 

Saio mais forte, determinada e disposta a ser uma pessoa melhor e fiel a Deus, pois sem Ele não somos nada.

Obrigada a todos pelas orações e mensagens de apoio e carinho.












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