27/09/16

Passeata Associação Cadeira Amiga

Associação Cadeira Amiga

Com o intuito de comemorar o dia Nacional da Luta da Pessoa com deficiência e para mostrar à sociedade e ao poder público que queremos e devemos ter os nossos direitos garantidos, a Associação Cadeira Amiga realizou no último sábado dia 24, a segunda passeata em Brazlândia, juntamente com seus associados, familiares e amigos.

Foi com muita alegria que participei deste lindo evento mostrando que unidos podemos e merecemos mais, muito mais.

Abaixo segue os momentos marcantes deste dia e o vídeo com as entrevistas com o presidente da associação Edberg e o vice-presidente Marcelo, com o Benício e com o presidente da Câmara Legislativa do DF Juarezão.



Eu e o Benício

Edberg e Marcelo










Juarezão









Passeata Associação Cadeira Amiga

Com o intuito de comemorar o dia Nacional da Luta da Pessoa com deficiência e para mostrar à sociedade e ao poder público que queremos e devemos ter os nossos direitos garantidos, a Associação Cadeira Amiga realizou no último sábado dia 24, a segunda passeata em Brazlândia, juntamente com seus associados, familiares e amigos.

É com muita alegria que participo deste lindo evento mostrando que unidos podemos e merecemos mais, muito mais.

Abaixo segue os momentos marcantes deste dia e o vídeo com as entrevistas com o presidente da associação Edberg e o vice-presidente Marcelo, com o Benício e com o presidente da Câmara Legislativa do DF Juarezão.
























Atletas esperam que Paralimpíadas façam pessoas com deficiência saírem de casa

Caso da Grã-Bretanha é emblemático: menos de um ano após sediar os Jogos de 2012, a nação teve aumento de mais de 30% no número de praticantes em modalidades paraolímpicas

Torcedores acompanham as disputas da bocha na Arena Carioca 2. Foto: Francisco Medeiros/Brasil2016.gov.br

Para o esporte paralímpico brasileiro, o resultado final dos Jogos Rio 2016 vai além dos pódios e das comparações de campanhas. O principal legado para os atletas do país será fazer com que as pessoas com deficiência saiam do sedentarismo e comecem a praticar esporte. Medalha de prata nos pares da classe BC4 da bocha nas Paralimpíadas no Brasil, após quatro ouros no individual e por equipes em Pequim 2008 e Londres 2012, Dirceu Pinto é representante de uma modalidade que reúne atletas com algumas das paralisias mais severas. Nem por isso eles se resignaram a ficar em casa.

“O número de atletas no Brasil vai aumentar. Nós já temos várias pessoas nos procurando para fazer o esporte paralímpico e acredito que daqui a quatro anos o Comitê Paralímpico Brasileiro vai ter uma dificuldade grande para escolher quais atletas levar para Tóquio”, opinou Dirceu, que tem uma doença muscular degenerativa. Para ele, a maior divulgação na mídia sobre as competições despertará o interesse das pessoas. “A informação de que existe esporte de alto rendimento para deficientes, graves ou não, chegou às famílias brasileiras. Acredito que agora eles vão sair de casa”.

Reclusão que era vivida por Evelyn Vieira, também da bocha, e que foi medalhista de ouro por equipes na classe BC3 nos Jogos do Rio. “Eu sou exemplo disso. O esporte foi uma ferramenta transformadora na minha vida. Eu vivia essa realidade da pessoa com deficiência dentro de casa, só família e estudo, sem contato com a sociedade. Quando passei a praticar o esporte, descobri que os limites que eu acreditava que tinha, na verdade não existiam, e passei a superá-los”.

Uma grata surpresa para o time da bocha brasileira foi a visita da ex-ginasta e praticante de esportes na neve, Laís Souza, que ficou tetraplégica após um acidente enquanto treinava para as Olimpíadas de Inverno em Sochi 2014. Ela foi à Arena Carioca 2 assistir a uma partida da modalidade e gostou do que viu. “Ela tem espirito de atleta. Ela aceitou o nosso convite e fez o teste com a calha da Evani (a calha é o instrumento utilizado para que os atletas com comprometimentos mais severos realizem os arremessos)”, explicou Dirceu. “Acredito que logo ela estará representando o nosso país, mas vamos supor que ela só ficasse em casa vendo a vida passar. Nós perderíamos uma atleta. Outras pessoas viram e também vão praticar as diversas modalidades”, projetou.



O caso da Grã-Bretanha, que reúne um conjunto de países (Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales) competindo sob a mesma bandeira, é emblemático. Menos de um ano após sediar os Jogos de Londres 2012, a nação teve um aumento de mais de 30% no número de praticantes em algumas modalidades paralímpicas (hipismo, 33%; goalball, 31%; ciclismo, 25%; bocha, 23%; natação, 20% e; vôlei sentado, 20%, são os principais exemplos).

Karen Bradley, ministra de Estado para Esporte e Cultura britânica, durante encontro com ministro do Esporte, Leonardo Picciani. Foto: Gabriel Heusi/Brasil2016.gov.br

O resultado foi que os britânicos, que já haviam conquistado um excelente resultado em casa, terminando em terceiro com 120 medalhas (34 ouros, 43 pratas e 43 bronzes), nos Jogos Rio 2016 melhoraram o desempenho e ficaram em segundo, com 147 pódios (64 ouros, 39 pratas e 44 bronzes). “O sucesso nos Jogos do Rio começou depois que as pessoas acompanharam de perto as competições em Londres. Isso despertou essa paixão pelo esporte. Muitas pessoas vieram falar comigo e disseram que após os Jogos ficaram motivadas a praticar alguma atividade, porque há tempos não se exercitavam”, revelou Karen Bradley, ministra de Estado para Esporte e Cultura britânica.

Outro ponto importante foi como os próprios deficientes passaram a enxergar a sua condição. “As pessoas com deficiência viram que elas também poderiam se tornar aqueles seres humanos que faziam coisas incríveis. Elas viram de perto e passaram a ter certeza de que o país inteiro era acessível a elas”, opinou Bradley. No dia Nacional Paralímpico britânico de 2013, uma pesquisa foi feita com 18 mil pessoas e 37% dos entrevistados disseram que foram inspirados a fazer um esporte que não praticavam anteriormente como consequência direta da data, na qual são realizados diversos eventos.

Viés de alta

O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, pretende manter uma agenda grande de eventos e trabalhar com os principais atletas para que o paradesporto no país continue a crescer. Candidatos ao posto de ídolo não faltam, ainda mais que o Brasil diversificou o número de modalidade com medalhas. “Sempre falavam em atletismo e natação, agora nós medalhamos em 13 modalidades, algumas inéditas, como halterofilismo, ciclismo, vôlei sentado e canoagem, outras que voltam a medalhar como hipismo e tênis de mesa, que também teve a sua primeira medalha no individual. É um bom sinal que a gente consegue diversificar e atrair atletas para essas modalidades. As medalhas atraem e as pessoas têm seus ídolos”, analisou.

Andrew também elenca as iniciativas da entidade para que novos talentos surjam. “A gente já faz um programa de atendimento na base com a Paralimpíada Escolar e um programa grande de capacitação de profissionais de educação física das redes públicas municipais e estaduais de ensino, para que eles recebam as crianças com deficiência na sala de aula. Temos várias iniciativas para aproveitar este momento de alta, mas também para sermos capazes de receber essa demanda, porque não adianta as crianças quererem fazer esporte e não haver profissionais que saibam recebê-las”.


Se na base o país conta com essas iniciativas, que incluem ainda as diversas associações, clubes e entidades que direcionam as pessoas para a iniciação esportiva, no alto rendimento o grande legado em infraestrutura das Paralimpíadas Rio 2016 é o Centro de Treinamento construído em São Paulo, com estrutura de ponta capaz de abrigar as seleções de 15 diferentes modalidades.

Outro olhar

A visibilidade que o esporte paralímpico recebeu durante o megaevento sediado em Londres mudou a maneira como os britânicos viam os deficientes. “A luta pelo direito à acessibilidade teve uma incrível visibilidade com os Jogos Paralímpicos. As pessoas não estavam assistindo apenas esportes, mas queriam ver aqueles seres humanos inacreditáveis, que mostravam que não é porque eram deficientes que não seriam capazes de fazer as coisas impressionantes que eles faziam”, comentou Bradley.

Uma pesquisa feita pela British Paralympic Association (BPA) indicou que os Jogos Paralímpicos tiveram grande efeito sobre as crianças: sete entre dez mudaram a forma como enxergavam os deficientes. Entre os adultos, o percentual em entrevista sobre o mesmo tema realizada após a Cerimônia de Encerramento foi de 81%. A ministra britânica acredita que o mesmo pode ocorrer no Brasil. “Eu vi os brasileiros celebrando, curtindo as Paralimpíadas e compartilhando a felicidade daqueles atletas. Tenho certeza de que as milhares de pessoas que viram as mais incríveis performances na Cerimônia de Encerramento, com os músicos e dançarinos com deficiência, mostrando o que pode ser alcançado, vão querer que voltem eventos como esse e vão ajudar a cidade a ser um lugar mais acessível”.

O craque da seleção brasileira de futebol de 5, Ricardinho, que conquistou o tetracampeonato paralímpico nos Jogos Rio 2016, acredita em uma mudança no comportamento dos não deficientes em relação às pessoas com deficiência, mas acha que será um processo lento. “O primeiro legado que vai ficar é que as pessoas estão conhecendo mais de perto o deficiente, viram que somos profissionais do esporte e que a gente tem êxito no que faz. Só que nosso país precisa melhorar muito a acessibilidade. Se temos vários problemas sociais, imagina quando entra em uma área ainda mais restrita, que é a da pessoa com deficiência. Acredito que possa ter uma mudança, vai ser lenta, mas o resultado que tivemos vai ser importante até para que as pessoas, ao encontrarem um deficiente, ajam de forma diferente”.

Novos ídolos: atletas do tênis de mesa em cadeira de rodas comemoram bronze com a torcida. Foto: Francisco Medeiros/ME

Dirceu no pódio (à esq. no alto), Laís Souza durante evento nas Paralimpíadas (à esq. abaixo) e Evelyn realizando arremesso com a calha (à dir.). Fotos: Brasil2016.gov.br

Gabriel Fialho

Fonte: Brasil2016

22/09/16

6 conquistas do Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência


Hoje é comemorado em todos os estados brasileiros o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Essa data foi instituída em 2005, pela Lei Nº 11. 133, mas começou a ser lembrada em 1982, por iniciativas de movimentos sociais.

O ativista Cândido Pinto Melo que propôs o dia 21/09, que foi escolhido pela proximidade com o início da Primavera, e e coincide com o Dia da Árvore, datas que representam o renascer das plantas, que simbolizam o sentimento de renovação das reinvindicações em prol da cidadania, inclusão e participação plena na sociedade. 

É fato que os avanços são poucos, mas nós listamos 6 conquistas dessa data, pra te incentivar a continuar lutando por esta causa. Veja:

1.  Atendimento preferencial 


As pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida devem ter atendimento prioritário nos órgãos públicos e bancos.

2. Inclusão Cultural 


Peças de teatro, exposições e sessões de cinema estão se adaptando para melhor atender as pessoas com deficiência e oferecendo um vasto leque de programas voltados a este público.

3.  Inclusão no Esporte 


Os Jogos Paralímpicos são prova disso: o esporte adaptado é um grande aliado, uma oportunidade de testar os limites e potencialidades, pode ajudar na prevenção das enfermidades secundárias à deficiência e promove integração social.

4. Inclusão na Educação


As instituições de ensino devem oferecer ambientes acessíveis para pessoas com deficiência. Algumas instituições já estão 100% adaptadas  para atender alunos com deficiência, seja ela, física, visual, intelectual ou auditiva.

5. Inclusão Digital

 A tecnologia trouxe muitos benefícios para as pessoas com deficiência através dos aplicativos e softwares inclusivos que auxiliam na mobilidade e na comunicação. Além disso alguns sites são acessíveis para deficientes visuais, por exemplo, à medida que é possível controlar o contraste e aumentar a fonte da página.
6. Inclusão no transporte

A Lei do Passe Livre prevê que toda pessoa com deficiência tem direito ao transporte coletivo interestadual gratuito, e os ônibus e vagões de trens e metrôs  estão cada vez mais adaptados. 


20/09/16

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência é celebrado nesta quarta

Para discutir e vivenciar o assunto na prática, a União dos Escoteiros do Brasil instituiu como tema do ano Diferenças que nos unem

De vendas nos olhos e braços amarrados, as crianças vivenciaram na prática o que é ter uma deficiência
O maior desafio da inclusão social é a mudança cultural. A conclusão da Academia Brasileira de Ciências (ABC) acaba de fazer 20 anos. Em 1996, realizou um estudo a fim de encontrar alternativas que poderiam amenizar as dificuldades e melhor integrar pessoas com deficiência com as famílias e as comunidades. Amanhã, é comemorado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Em todo o país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14,5% da população têm algum tipo de deficiência — algo em torno de 25 milhões de pessoas. Os direitos dos deficientes estão garantidos na Constituição Federal, e o Brasil tem uma das legislações mais avançadas sobre o assunto (leia Proteção).


Para fomentar o debate, este ano, o tema da União dos Escoteiros do Brasil é Diferenças que nos unem. Somente no DF existem cerca de 40 grupos do tipo. No sábado, o Correio acompanhou um dia de atividades com 130 crianças e adolescentes, no Parque de Águas Claras. Aqueles que enxergam tiveram os olhos vendados para conhecer as sensações dos cegos. Os braços eram presos com fitas para se saber as dificuldades de quem não tem o membro. A inclusão não fica apenas no discurso. Cinco integrantes do Grupo Escoteiro Ave Branca têm algum tipo de deficiência. Entre eles, um chefe de equipe.


Clarisse, Ana Clara e Vinícius são deficientes e participaram da programação. Suas dificuldades, por um momento, foram substituídas por outras. O estímulo é para desenvolver aptidões e sensibilidades nos meninos. O aprendizado vai além da prática e ataca o problema identificado pela Academia Brasileira de Ciências. O essencial para se avançar na inclusão é desmistificar a deficiência e treinar o cidadão para as diferenças.


“Sou mãe de uma menina linda de 8 anos que teve paralisia cerebral e que faz parte do Grupo Escoteiro Ave Branca, em Águas Claras. Clarisse está participando das atividades há seis meses e já podemos observar o quanto está sendo importante para o seu desenvolvimento.” A apresentação é da professora Juliana Dantas, 40. Ela foi escoteira dos 15 aos 21 anos e agora voltou para acompanhar a filha. “São essas atitudes que fazem o comportamento da gente mudar. Temos que ser atuantes e brigar por avanços”, ponderou.


A lição não é apenas discurso. A menina sofreu preconceito na escola. “Uma mãe disse que ela não poderia estudar com os outros porque a Clarisse não sabia se comportar”, conta. A represália surgiu após um arranhão entre as crianças. “A Clarisse não é agressiva. O que acontece, às vezes, é ela não ter a dimensão da força dela. O toque é para chamar a atenção”, explicou Juliana. Hoje, Clarisse estuda numa instituição pública em uma classe adaptada,  com 18 alunos. Além do docente, há uma monitora exclusiva. No sábado, Clarisse tocava objetos com os pés como se fosse deficiente visual.

Convivência

Ana Clara Terra, 9 anos, nasceu com uma malformação no braço direito. “Percebo o preconceito desde quando ela nasceu. No supermercado, por exemplo, as pessoas se cutucam e comentam”, conta a corretora de imóveis Joelma de Carvalho Lima, 45, mãe da menina. Há um ano e meio, ela entrou para o grupo de escoteiros. A atividade virou o hobby da garota. “Ela gosta de participar. Os colegas também ajudam nas tarefas e isso traz ensinamentos para as duas crianças e para as duas famílias.”


Ana teve que ficar de pés descalços para uma brincadeira. Dispensou o auxílio de uma colega para calçar o tênis. “Pode deixar, eu consigo sozinha”, alertou. Ana ainda ajudou uma outra menina em uma atividade sensorial. Ela abraçou uma porção de objetos e, aos poucos, entregava os itens para o reconhecimento no tato. Os exemplos de superação são reverberados pelas crianças. Tamara Neil, uma das diretoras do Grupo Escoteiro Ave Branca,  explica que a cada experiência — de superação ou de dificuldade — quebram barreiras comportamentais. “A convivência traz naturalidade ao cotidiano. Para as crianças, isso é mais fácil”, avaliou.


Mobilização

O Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes foi instituído pelo Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes (MDPD) em um encontro nacional, em 1982. Foi escolhido 21 de setembro pela proximidade com a primavera e o Dia da Árvore, numa representação do nascimento das reivindicações de cidadania e de participação plena em igualdade de condições. A data foi oficializada na Lei Federal nº 11.133, 
de 14 de julho de 2005.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.    


Atletas paralímpicos britânicos ficam nus contra preconceito

A tenista britânica Jordanne Whiley, que sofre de um distúrbio que deixa ossos e articulações muito frágeis


Às vésperas das Paralímpiadas, quatro paratletas britânicos que vem ao Rio para a disputa dos jogos tiraram a roupa contra o estereótipo de pessoas com necessidades especiais.

Participam da campanha da revista semanal britânica “Sport Magazine” o levantador de peso Ali Jawad, a tenista Jordanne Whiley, o nadador Lewis Edwards e a velocista Bethy Woodward. Os paratletas foram clicados pelo fotógrafo Jon Enoch. A cada semana um deles irá estampar a capa da publicação.

“Queria mostrar às pessoas que você pode fazer belas fotos sem ser um modelo profissional”, disse a tenista Jordanne Whiley, 27 anos, à revista. A ideia, segunda ela, foi esmagar os estereótipos sobre atletas paralímpicos.

O levantador de peso Ali Jawad, 27 anos, nasceu sem as duas pernas
A velocista Bethy Woodward, 23 anos, tem paralisia cerebral

O nadador Lewis Edwards, 28 anos, perdeu a parte de seu braço direito em um acidente de carro

Fonte: Quem Inova e Blog Turismo Adaptado

19/09/16

Dinheiro público financiou apenas 1% do orçamento da Paraolimpíada, diz Rio-16

LUCAS VETTORAZZO
DO RIO

18/09/2016  13h30

Apenas 1% do orçamento da Paraolimpíada do Rio veio de dinheiro público, informou, na manhã deste domingo, o diretor-geral da Rio-2016, instituição que organiza os jogos, Sidney Levy.

O orçamento da Paraolimpíada foi de US$ 2,8 bilhões, dos quais apenas US$ 28 milhões (ou 1%) foi de dinheiro público, disse. Se convertido para o câmbio da última sexta, o valor foi de R$ 91,5 milhões.

"Nos comprometemos em fazer os Jogos sem nenhum recurso público. Durante essa jornada, por alguns momentos de alegria e tensão, precisamos assinar um convênio com a prefeitura do Rio, no qual teríamos acesso a R$ 150 milhões. Desse valor, usamos R$ 30 milhões. Com a candidatura, nos comprometemos a ajudar alguns comitês paralímpicos, mais pobres, a trazer os seus atletas. Isso foi pago com esse dinheiro. Afirmo que no custo total dos Jogos não passará de 1% de recursos públicos", disse.

De acordo com a Rio-2016, que organiza os jogos, o valor compreende apenas a fatia de dinheiro aportado pela Prefeitura do Rio nos jogos sem qualquer contrapartida.

O valor exclui patrocínios de R$ 65,5 milhões de empresas estatais, como Petrobras e Caixa Loterias, que puderam expor suas marcas durante a competição.

A Prefeitura do Rio assinou convênio de R$ 150 milhões com o comitê para garantir algumas operações dos jogos que estavam pendentes.

O comitê organizador encontrou problemas financeiros no início dos jogos em função das baixas vendas de ingressos e patrocínios fechados aquém do montante necessário.

A Rio-2016 informou que apenas R$ 30 milhões do dinheiro da prefeitura foi usado até agora, no pagamento das passagens aéreas dos atletas e também dos cavalos do hipismo.

Ainda há R$ 120 milhões disponíveis. Na última coletiva de imprensa da competição, Mario Andrada, diretor de comunicações da Rio-2106, afirmou que ainda há gastos a serem feitos, que haverá os custos de desmobilização, com a desmontagem de estruturas e demissão de funcionários.

Levy não descartou usar mais partes desse montante. "A prefeitura do Rio assinou um documento que é público em que se compromete a ceder até R$ 150 milhões. Isso é o fato."

O comitê não precisou usar até o momento todo o valor colocado à disposição pela prefeitura.

As vendas de ingressos aceleraram com o aumento do interesse pelas competições —foram vendidos 2,1 milhões de ingressos, fazendo dos jogos do Rio o de maior interesse da história da Paraolimpíada, ficando a cidade atrás apenas de Londres— e quatro patrocínios estatais foram fechados em cima da hora.

A Rio-2106 irá divulgar o balanço final de suas finanças somente no início do ano que vem.

De acordo com nota publicada neste domingo pela coluna do jornalista Ancelmo Gois, do jornal "O Globo", duas empresas entraram na justiça solicitando o arresto de valores do comitê organizador por temerem falta de pagamento em contratos.

Segundo a publicação, as empresas Euromedia, que faz as fachadas e decoração de arenas, e Honav, que vende produtos licenciados, declararam não terem recebido ainda o valor de seus contratos.

Segundo Mario Andrada, o comitê ainda não foi notificado. Andrada afirmou que há, de fato, uma parte do pagamento a ser feito, mas por responsabilidade das empresas que não teriam cumprido o prometido.

A Honav não teria repassado uma parcela dos royalties e valores referentes a licenciamento ao comitê. Já a Euromedia não teria entregado os equipamentos prometidos.

BALANÇO

A entrevista coletiva também foi uma oportunidade de a direção do comitê fazer um balanço dos jogos. A despeito da morte, no último sábado (17), do ciclista iraniano Bahman Golbarnezhad, o balanço feito pelo presidente da Rio-2016, Carlos Artur Nuzman, foi positivo.

Ele disse que está aliviado com o fim das competições. No mesmo dia, o presidente do Comitê Paraolímpico Internacional, Philip Craven, afirmou que os Jogos do Rio foram um sucesso.


"Sei que ontem foi um dia triste pelo falecimento do ciclista iraniano. Já enviamos os nossos sentimentos à família e ao comitê paralímpico do Irã. Quem está acostumado, sabendo a dimensão, de como é o esporte no Brasil e no nosso continente, dá para avaliar que seguimos o caminho do sucesso. Encerramos os Jogos de maneira feliz. Vou usar a palavra que usei como dirigente campeão no vôlei: alívio", disse.

Fonte: Folha

Um em cada cinco para-atletas do Brasil sofreu acidente de automóvel


Confira os infonográfico da Folha 

Praticamente um em cada cinco atletas da equipe brasileira que competirá nos Jogos Paraolímpicos do Rio tem deficiência causada por um problema crônico do Brasil: os acidentes de automóvel. 


Levantamento feito pela reportagem, com base em dados do CPB (Comitê Paralímpico do Brasil), aponta que ao menos 50 para-atletas da delegação brasileira foram vítimas de colisão de veículos ou atropelamentos. Eles representam 18% da delegação.


Foram levadas em conta informações de 282 do total de 287 para-atletas (com o veto à Rússia na Paraolimpíada, mais cinco brasileiros foram integrados ao grupo, e a reportagem não teve acesso aos dados desses que entraram por último).


O Brasil é um dos líderes mundiais em ocorrências e mortes nas ruas e estradas. Foram 43.075 mortes no trânsito do país em 2014, segundo informações preliminares do Datasus (Departamento de informática do Sistema Único de Saúde).


De acordo com o último relatório global da OMS (Organização Mundial de Saúde), com dados processados até 2013, o Brasil foi o quarto país das Américas com mais mortes em acidentes automobilísticos a cada 100 mil habitantes (23,4). Só fica atrás de Belize, República Dominicana e Venezuela.


O time paraolímpico brasileiro reflete assim a intensidade desses traumas no país.


A avaliação dos dados também evidencia problemas de outras tipos. Considerando os acidentes em geral, o percentual sobe para 35%.


Em pelo menos 12 casos, o equivalente a 4%, a razão da deficiência foi um acidente com arma de fogo.


Outros 37 (13%) se feriram em episódios que incluem ocorrências no trabalho, em casa ou em alguma atividade de lazer.


Do total de atletas da delegação brasileira na Paraolimpíada, 38% têm deficiência congênita ou a adquiriram após complicações no parto.


REABILITAÇÃO


A quantidade expressiva de atletas com deficiência no grupo por consequência de acidentes automobilísticos se explica muito por conta da frequência com que a prática esportiva integra a reabilitação das vítimas.


Os centros de recuperação no país costumam incluir o esporte em seus programas.


"Quem adquiriu a deficiência depois precisa se readaptar e redescobrir o corpo novo que tem", diz Elisabeth de Mattos, professora da Escola de Educação Física da USP.


De acordo com Paulo Guimarães, engenheiro e diretor técnico do Observatório Nacional de Segurança Viária, ainda não há, porém, um sistema padronizado de recuperação de acidentados no SUS.

Na saúde pública, segundo ele, o tratamento para as vítimas ainda costuma esbarrar na insuficiência de leitos hospitalares para emergência e de profissionais. 

Outra dificuldade é a reinserção social das pessoas com deficiência. Para Guimarães, o esporte pode "trazer acolhimento social e integrar a pessoa a outros grupos. Apesar de termos problemas, é algo que deve ser buscado". 

"A prática esportiva ajuda a autoestima e permite que a pessoa se torne produtiva e descubra novas potencialidades", afirma a professora. 


TOP 5
 

Independentemente da origem da deficiência, os brasileiros buscam feito histórico nos Jogos Paraolímpicos, que começam na quarta (7). 


A meta traçada pelo CPB é que a delegação termine a Paraolimpíada entre as cinco melhores da classificação geral, utilizando como critério o total de medalhas de ouro. 


Em Londres-2012, os brasileiros ficaram em sétimo, com 43 medalhas (21 ouros, 14 pratas e oito bronzes). 


Diferentemente do que acontece no universo olímpico, o país já é considerado uma potência paraolímpica.Com 287 para-atletas, o contingente nacional que competirá no Rio constitui recorde –em Londres, por exemplo, foram 189 atletas. 

Fonte: Folha de SP
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