23/08/16

Projeto oferece acessibilidade na praia para pessoas com deficiência durante as Paralípiadas Rio 2016

O projeto PRAIA PARA TODOS, organizado pelo Instituto Novo Ser, retoma as atividades no próximo sábado dia 20/08das 9h às 14h até dia 25/09, na praia da Barra da Tijuca (Posto3) no Rio de Janeiro (RJ).

A intenção do Instituto Novo Ser (INS) é consolidar e expandir a ação para que a acessibilidade se torne uma realidade em todas as praias cariocas.

O objetivo é facilitar o acesso e estimular o contato da pessoa deficiente com a natureza e com o esporte, promovendo a socialização e despertando a atenção dos governantes e da sociedade em geral para a falta de acessibilidade do Rio de Janeiro.

Além dos aspectos mencionados, a direção do projeto tem como objetivoreceber os atletas paralímpicos e os turistas com deficiência.

Nesta intertemporada, será oferecido uma novidade aos usuários: o Sling Training – técnica de suspensão que reduz a ação da gravidade e confeccionada com bambus. A atividade é voltada para o alongamento, exercício físico e bem-estar.

Os participantes contarão ainda com as atividades tradicionais de esporte adaptado e lazer:banho assistido, vôlei sentado, surf, frescobol e piscina infantil.
Todas as atividades oferecidas no PRAIA PARA TODOSsão gratuitas e ministradas por profissionais capacitados das áreas de educação física, fisioterapia e terapia ocupacional, além de estagiários e voluntários do Instituto.
Ao todo, serão 30 pessoas envolvidas por dia para realização do Projeto.

O PRAIA PARA TODOS vai receber a visita de atletas e consulados.

Confira as datas:

20/08 – Visita do Ministro Francês dos Esportes, Thierry Braillard
10/09 – Comitiva da Dinamarca
11/09 – Visita de jovens deficientes das comunidades de Manguinhos e Rocinha organizada pelo Institut Français e a Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, tendo em vista a Semana Internacional de acessibilidade e cultura, organizada pelos mesmos em conjunto com o Consulado dos EUA, Consulado do Reino Unido e EU
18/09 – Visita da Ministra Francesa da Luta contra Exclusão, Ségolène Neuville

Atividades e Serviços:
  • Banho de mar com as cadeiras anfíbias;
  • Atividades adaptadas:
  • Frescobol adaptado;
  • Piscininha infantil;
  • Vôlei Sentado;
  • Surf Adaptado;
  • Esteira para passagem de cadeiras de rodas;
  • Vagas de estacionamento reservada;
  • Banheiros adaptados;
  • sinalização sonora;
  • Rampas de concreto para acesso à areia e às esteiras.


O programa conta com o patrocínio da MICHELIN e de FURNAS. Também conta com a parceria do 2º. e 3º. GMar, 213 Sports, Orla Rio, Rico Surf e Prefeitura do Rio de Janeiro



Fonte: Revista Incluir

Mindmate: aplicativo estimula habilidades e a independência das pessoas com demência


Na realidade a Mindmate é mais que 1 aplicativo é uma plataforma com 3 aplicativos. Um para o indivíduo que vive com demência, um para os membros da família e um projetado especificamente para os cuidados residenciais. Juntos, esses aplicativos visam:

  • Estimular o cérebro
Os jogos para estimular as capacidades cognitivas do usuário são baseados em pesquisas. Como resultado, o indivíduo que vive com demência vai encontrar uma forma envolvente e interativa para estimular atividades cerebrais.

  • Conectar quem tem demência com amigos e familiares
O aplicativo permite que cuidadores e familiares acessem as ferramentas que são fáceis e intuitivas, mantendo a pessoa com demência conectada com familiares e amigos.

  • Armazenar as memórias
O recurso “my story” armazena a história do cliente, deixando-a disponível para recurso para estimulação.

  • Proporcionar momentos de lazer com música e filmes
Ouvir, dançar e cantar junto com músicas populares das décadas de 40 a 80 também é possível. Bem como, responder a questões relacionadas à musica. A “grande pena” é que como o app ainda está só em inglês, as músicas são em outra língua.

  • Manter independente o maior tempo possível a pessoa com Alzheimer e outras demências por meio de ferramentas de gerenciamento que ajudam o doente e os cuidadores.
As ferramentas para estimular e manter a independência incluem funcionalidades como: fazer notas, listas de tarefas e lembretes customizáveis.
O aplicativo também fornece sugestões de exercícios físicos e aconselhamento nutricional para um estilo de vida mais saudável para ficar a pessoa ficar mentalmente e fisicamente apta.

Pensando em ambientes terapêuticos ou institucionais, é possível com um só app ter usuários diferentes no mesmo tablet. O MindMate Pro permite criar uma experiência personalizada, sem a necessidade de comprar um tablet por pessoa.
Os aplicativos estão disponíveis para dispositivos iOs e Android e vale a pena baixar e experimentar. Lembrando que até então, está em inglês.


Fonte: Reab.me


Designer mostra projeto de carro autônomo voltado para tetraplégicos

O designer de automóveis Rajshekhar Dass mostrou recentemente ao ReadWrite o seu projeto para o Mazda Audric. A criação, caso viesse a ser desenvolvida, seria o primeiro carro autônomo pensado para ter como motoristas pessoas paraplégicas ou tetraplégicas.

De acordo com Dass, o automóvel seria capaz de se comunicar com seu motorista por meio de reconhecimento facial e de gestos, além de algum tipo de interface de ondas cerebrais. O assento do motorista ainda seria equipado com diversos sensores capazes de detectar pequenas mudanças em sua postura ou na distribuição de peso de seu corpo.

Por esses meios, o motorista conseguiria comunicar suas intenções ao carro. Com o tempo, no entanto, sistemas de inteligência artificial conectados aos diversos sensores do automóvel poderiam aprender a interpretar os gestos do motorista. Por exemplo: se o carro percebesse o motorista inclinando a cabeça durante uma curva, ele poderia fazer a curva mais fechada. A ideia de Dass é que, com o tempo, o motorista fosse ganhando mais controle sobre o veículo.

Inspiração

Segundo Dass, a inspiração para criar um carro desse tipo veio de uma pessoa: Sam Schmidt, um ex-piloto da Fórmula Indy que ficou paraplégico após um acidente em 2000. Schmidt queria voltar às pistas mas, por conta de sua condição, se envolveu com a corrida apenas como dono de equipe. A ideia de Dass era criar uma maneira para que pessoas com essas deficiências físicas também pudessem aproveitar o prazer de dirigir.

Para Dass, o desenvolvimento de tecnologias como reconhecimento de ondas cerebrais e inteligência artificial deve contribuir para aproximar seu projeto da realidade. De fato, em anos recentes, a leitura de ondas cerebrais vem sendo alvo de grandes investimentos de pesquisa, e embora ainda não permita controlar carros de verdade, já permite controlar autoramas. A inteligência artificial, por sua vez, também deve se desenvolver em alguns anos até o ponto que Dass imagina. O veículo ainda poderia usar realidade aumentada para mostrar informações para seu motorista de maneira mais intuitiva no painel. 

Toda essa tecnologia seria complementada ainda por um design voltado para cadeirantes. O motorista entraria no carro pela parte de trás, por exemplo, e a ideia é que sua cadeira de rodas pudesse se encaixar no painel do veículo, transformando-se no próprio assento. 


Atores cegos protagonizam espetáculo infantil no Rio


O espetáculo tem entrada gratuita e fica em cartaz até o final de agosto, com intérpretes de Libras, audiodescrições e legenda eletrônicas aos sábados

O espetáculo infantil “Ventaneira – A Cidade das Flautas”, está em cartaz no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, em Santa Tereza, Rio de Janeiro. Inspirada na obra “As Cidades Invisíveis”, de Ítalo Calvino, a apresentação conta com dois atores cegos: a própria autora, Moira Braga, e Felipe Rodrigues.


Com montagem dirigida por Morena Cattoni, a adaptação já está em cartaz aos sábados e domingos, às 11h, até 28 de agosto. A classificação é livre e a entrada é gratuita, além de exibições com intérpretes em Libras, audiodescrições e legendas eletrônicas. Para Moira, que é atriz e bailarina, “O texto inspira poesia, música, movimento e aborda, com muita leveza, o tema das diferenças, da diversidade e da capacidade humana de superar limitações com criatividade e tolerância”.


Ventaneira é uma cidade fantástica onde flautas voam amarradas em pipas coloridas e só o sopro dos ventos pode tocar estes instrumentos musicais. Um dia, amanhece silenciosa, sem ventos e sem música. Até que o menino Rudin, o único habitante de Ventaneira que não sabia nem fazer flautas nem empinar pipas, e que só consegue ver o que suas mãos podem alcançar, descobre como trazer a música e a alegria de volta à cidade. Através de Rudin, o público se identificará com questões pertinentes a toda criança: se sentir diferente, ser excluído das brincadeiras, não ser compreendido por ter uma forma especial de observar o mundo.


Este é o terceiro espetáculo que Moira Braga e Felipe Rodrigues fazem juntos. O primeiro foi o infantil “Nhac! Uma Lição de Queijo”, com direção de Mati Lima, pela PAR Cia de Teatro, e, o segundo, a peça “Volúpia da Cegueira”, dirigida por Alexandre Lino. “Acho que o desafio de trabalhar com artistas com deficiência não é muito diferente do desafio de trabalhar com artistas sem deficiência. Todo o processo de criação pressupõe aprendizado e desafios”, conta Moira.


Para a diretora Morena Cattoni, que pela primeira vez trabalha com atores com deficiência, o processo tem sido uma grande descoberta. “Aprendi que atores com deficiência são pessoas com outras eficiências. Felipe e Moira são talentosos e muito disponíveis e isso é o mais importante em um processo de criação. ‘Ventaneira’ é um desafio por si só, pois não é uma dramaturgia e, sim, um conto. Como encenar este conto e torná-lo teatro é o nosso desafio”, completa.


Ventaneira – A Cidade das Flautas
Quando: de 6 a 28/8, às 11h (sábados e domingos)
Duração: 1 hora
Número de lugares no espaço: 86 lugares
Onde: Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas
Endereço: Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa
Tel: (21) 2215 0621
Quanto: entrada gratuita
Obs.: Aos sábados as sessões contam com Intérprete de LIBRAS, áudio-descrição e legendas eletrônicas


Fonte: Assessoria 

Dica de filme | Deficiência Física: “Os Melhores Dias de Nossas Vidas”

Um filme inglês bem elogiado é “Os Melhores Dias de Nossas Vidas” (Inside I’m Dancing). O filme não é novo, datado de 2004, mas o humor dos personagens e o roteiro, agradam bastante quem se propõe a acompanhar os personagens, Rory e Michael durante os 104 minutos do filme.

O roteiro: Rory (James McAvoy) é um jovem rebelde, bem humorado, que fala o que pensa, não liga para as convenções sociais, nem para nada, nem para ninguém. Seu oposto é Michael (Steven Robertson), que sempre levou uma vida completamente sem graça e enfadonha. O que estas duas pessoas tão diferentes poderiam ter em comum? A resposta é ao mesmo tempo simples e cruel: Rory é tetraplégico e Michael tem paralisia cerebral. Descontentes com as regras da vida , estes dois amigos inusitados planejam deixar a instituição onde estão internados com a ajuda de Siobhan (Romola Garai) para que eles finalmente atinjam seus objetivos: viver a vida em toda a sua intensidade. Mas quais as surpresas que o mundo fora dos portões da instituição irão revelar aos dois rapazes?

Fonte: Reab.me


Noiva cadeirante surpreende a todos ao se levantar e caminhar até o altar

A noiva, Jaquie Goncher, de 25 anos, que ficou paralisada do pescoço para baixo desde os 17 anos, surpreendeu seus convidados ao se levantar da cadeira de rodas e caminhar até o altar.
  

Uma das partes mais emocionantes de um casamento é a caminhada da noiva até o altar. Mas, nesse caso, emoção foi pouco para descrever.
Casamentos são cerimônias repletas de emoção, nervosismo, expectativas e alegrias. Tudo começa com o pedido de casamento; depois vem a preparação para o grande dia, a escolha da igreja, do vestido, dos convites, do tipo de festa...

Para Jaquie Goncher, de 25 anos, a parte mais esperada era a entrada na igreja, quando a noiva caminha até o altar em direção ao noivo. No caso de Jaquie, essa caminhada tinha um peso ainda maior: desde os 17 anos, ela estava paralisada do pescoço para baixo devido a uma lesão na medula espinhal, causada por um acidente na piscina da casa de uma amiga.

Desde então, ela escuta dos médicos que cuidam de seu caso que dificilmente voltará a andar – Jaquie chegou a ficar em pé uma vez, seis meses após o ocorrido, mas depois nunca mais tinha conseguido. Mesmo assim, ela decidiu tentar de novo alguns anos depois e, antes do casório, começou a treinar para ir andando até o altar e surpreender a todos.

Superação, esperança e amor

Por ser atleta, a pior coisa do acidente foi não poder treinar novamente. No início, ela ia para a academia e tentava treinar a qualquer custo, mas, como sempre caía, foi desistindo e desanimando. Finalmente, um ano antes do casamento, ela estabeleceu esse objetivo de ir caminhando até o altar.

Com a ajuda de diversos terapeutas, dos pais e de amigos próximos, Jaquie pegou pesado e fortaleceu mais sua musculatura. Assim que conseguiu voltar a andar, ela decidiu que, ao entrar na igreja, deixaria a cadeira de rodas na porta e surpreenderia o noivo.

O esforço valeu a pena e Jaquie não apenas andou até seu noivo, Andy Goncher, como dançou com ele na festa. A surpresa agradou a todos, especialmente a Andy, que não fazia ideia do que aconteceria. Tudo foi contado por meio do Instagram dos dois, e não demorou para que a história viralizasse e encantasse pessoas de todo o mundo. Felicidades ao casal! 






Fonte: Mundo Estranho

22/08/16

Precursor do tênis em cadeira de rodas no Brasil elogia acessibilidade na Rio-2016


Em 1972, aos 25 anos, um tiro deixou José Carlos Morais paraplégico. Treze anos após o acidente, logo após conhecer a modalidade no Centro de Reabilitação de Stoke-Mandeville, na Inglaterra, esse gaúcho radicado em Niterói levou o tênis em cadeira de rodas no Brasil.


Desde então, foi hexacampeão brasileiro e representou o país em nove Mundiais. Nas Paralimpíadas de Atlanta, em 1996, foi, ao lado de Francisco Reis Junior, o primeiro a defender o Brasil na modalidade.


Fundador do projeto Cadeiras na Quadra, em Niterói, Morais, hoje com 69 anos, visitou na terça-feira o Centro de Tênis Olímpico, na Barra. E gostou do que viu:


"Surpresas agradáveis de acessibilidade me acompanharam desde a estação do metrô de Botafigo até a Barra".


A integração com o BRT da mesma forma. No ponto final outro ônibus é oferecido ao cadeirante. Mas declinei o convite e testei as rampas que me levaram até o Centro Olímpico.


Na quadra central o acesso é oferecido por rampas ou por um grande elevador. A vaga para estacionarmos a cadeira é ampla e há um lugar para acompanhante.


A visão e ótima, mas eu retiraria as barras de ferro para aumentar o plano de visão - analisou Morais, que, antes de conhecer o tênis para cadeirantes, integrava a seleção brasileira de basquete adaptado.


O precursor do tênis em cadeira de rodas no país não conheceu apenas a quadra central:

"Depois fui na quadra 4 e uma plataforma recebe os cadeirantes de braços abertos. Não testei as demais e talvez na quinta-feira eu tenha está oportunidade. Por enquanto a nota é 9.5 só por causa do banheiro, embora perfeito na acessibilidade, não tem como trancar por dentro. Um simples detalhe que numa emergência pode ser fatal'. sorri, ao comentar

O médico gaúcho espera que o legado relacionado à acessibilidade, nas arenas, na Vila dos Atletas e meios de transporte, perdure pós-Jogos. Ele também vê outro ponto positivo na primeira Olimpíada da América do Sul:


"Os Jogos no Rio são importantes para mostrar à sociedade que merecemos praticar esportes e que devam ser criadas oportunidades para isso. Não estou me referindo à elite. E sim à massificação das oportunidades".

Sobre a disputa olímpica, Morais aponta a saída precoce das irmãs Venus e Serena Williams, de Novak Djokovic e a derrota dos mineiros Bruno Soares e Marcelo Melo como as maiores surpresas até agora. Mas aposta em uma disputa emocionante até o final, domingo:


"Parece que Nadal está muito disposto em busca da medalha e terá um Murray querendo o biolimpico. Enfim, acho que teremos emoção até o final e a história tem mostrado o crescimento nesta competição de jogadores não favoritos' observa.

O precursor do tênis para cadeirantes no Brasil, que recebeu, em outubro de 2012, uma bela e merecida homenagem de Gustavo Kuerten, durante a Semana Guga (vídeo abaixo) está na contagem regressiva para a Paralimpíada, que começa no dia 7 de setembro:

"Acho que vai ser um momento muito significativo. Eu sou contra essa baboseira de força de vontade, superação e outros chavões para definir o esporte adaptado. A superação está no cara não ter onde treinar e ter que pegar duas a três conduções para chegar no treino. Como muitos não deficientes. Força de vontade todo o atleta tem que ter. O cara que bolou o tênis adaptado no pós Segunda Guerra tinha como objetivo usar o esporte como elemento reabilitador, integração social e tornar a vida do deficiente mais interessante" observa.

Morais vê a Paralimpíada como um marco no esporte:



"É uma baita oportunidade de ver a evolução do tênis em cadeira de rodas. Novas cadeiras, tecnologia desenvolvida em laboratórios de pesquisa serão uma novidade. O dinamismo de um jogo de duplas com alternância de jogadas na rede e no primeiro e segundo quique é algo que os amantes do tênis não devem perder. Os franceses chegam como favoritos mas temos que respeitar a forte equipe argentina e os japoneses. O Brasil pela primeira vez tem quatro jogadores entre os homens, duas tenistas e dois quadriplégicos, jogadores com problemas de membros superiores", finaliza.



 Fontes: O Globo / Diversidade na Rua

Deficientes físicos e idosos encontram dificuldade para se locomover no DF

Mesmo quando os veículos estão equipados para o serviço, não há paradas de ônibus, nem calçadas de acesso devidamente preparadas, com marcação táctil e sinal sonoro


"Se não tem ninguém na parada, paro todos os ônibus e pergunto", afirma o massagista Flávio Luís
Todas as sextas-feiras, Flávio Luís da Silva, 47 anos, presta serviço de massagem em funcionários de uma agência bancária de um shopping na área central de Brasília. Às 18h, ele deixa o trabalho, segue até a Rodoviária do Plano Piloto e tenta pegar um ônibus para a casa, no Gama. O que parece uma rotina comum exige um grande esforço. Em meio ao barulho do trânsito e sem nenhuma sinalização, o caminho fica mais tortuoso. Flávio Luís é cego e precisa contar com a memória e a boa-fé alheia para conseguir chegar à parada e subir no coletivo correto.


O que parece detalhe é essencial para Flávio Luís. Sem o piso tátil próximo aos pontos de ônibus, ele precisa afinar o ouvido e prestar atenção se há barulho de frenagem e de pessoas subindo no veículo para identificar qual é o local certo de esperar o transporte. Os outros passageiros o ajudam a confirmar o destino. “Se não tem ninguém na parada, paro todos os ônibus e pergunto”, comenta. Sem o piso tátil para o guiar até o ponto, Flávio Luís também usa o meio-fio da calçada como referência.

Embora seja capital do país e tenha a mais alta renda per capita, o Distrito Federal não tem requisitos mínimos de acessibilidade em 93,52% das 5 mil paradas de ônibus existentes. Essa falta de acesso respeitoso aos deficientes físicos foi tema de uma auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), à qual o Correio teve acesso com exclusividade. O relatório mostrou ainda que 99,07% das calçadas têm falhas, o que dificulta a locomoção dos deficientes físicos, assim como 90,74% dos pontos não dispõe de piso tátil e 61,22% não têm rampa próxima para a travessia da via.

A alta porcentagem de paradas fora do padrão atrapalha a mobilidade de mais de 570 mil pessoas no Distrito Federal. Segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 22,23% da população do DF declaram algum tipo de deficiência. São histórias como a do atleta paralímpico Rafael Prudêncio Gonçalves, 28 anos. Ele ficou paraplégico há quatro anos, após levar um tiro nas costas durante uma tentativa de assalto em Fortaleza (CE).

Anterior Inicio