29/06/2013

Amazonense cria aplicativo para auxiliar pessoas com deficiência visual

Códigos QR podem ser codificados por smartphones.
Ciênciaempauta, Por Cleidimar Pedroso

Imagine um aplicativo leitor de códigos QR (Quick Response, que significa resposta rápida) para smartphones capaz de auxiliar deficientes visuais na identificação de objetos. Um aplicativo capaz de escanear o código QR afixado, por exemplo, em um tablet e que, em seguida, literalmente ‘fale’ o nome e outras informações sobre esse objeto.

Essa ideia foi transformada em realidade pela tecnóloga em processamento de dados Kamila Marques de Brito que, em seu trabalho de conclusão de curso, no ano passado, criou um protótipo de aplicativo que batizou de ‘QRSPEECH’. Kamila estudou na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

“Ele tem esse nome porque eu juntei a palavra QR, que é o tipo de código que ele é capaz de ler e a palavra ‘speech’, que vem do inglês e significa ‘fala’. Speech também é o nome de uma tecnologia que o aplicativo utiliza, chamada Text-to-Speech, que transforma texto em voz”, explicou Kamila.

QR é um código de barras em 2D que pode ser escaneado pela câmera fotográfica de smartphones. Esse código, após a decodificação, passar a ser um áudio informativo. O QR é bastante utilizado como código que, depois de decodificado, se transforma  conteúdo textual publicado na internet.

“O código QR é muito popular hoje em dia, utilizado em smartphones  e tem sua patente aberta, ou seja, qualquer pessoa pode utilizar. O que me chamou a atenção para utilizado no meu trabalho foi o fato dele poder ser gerado facilmente, hoje em dia existem muitos sites e até mesmo aplicativos para smartphones capazes de criar códigos QR com o conteúdo que o usuário desejar, eu vi isso como uma facilidade para o usuário e de custo quase zero”, disse Kamila.

NA PRÁTICA
O QRSPEECH pode auxiliar, por exemplo, deficientes a identificarem objetos dentro de casa. “Ele pode etiquetar as coisas dentro de casa como as roupas. Seria possível a identificação das peças cor ou modelo”, contou.

Uma das dificuldades que Kamila pretende superar em estudos futuros é auxiliar o deficiente usuário do aplicativo a posicionar a câmera do celular para escanear o código QR com facilidade. “É possível, mas um tanto complicado para um deficiente visual posicionar a câmera no ponto ideal para o aplicativo ler o código. É possível porque eles têm o tato muito aguçado, mas minha ideia inicial é implantar um feedbacksonoro que oriente se é preciso colocar a câmera mais pra cima, para baixo, direita, esquerda  ou aproximar.

A tecnóloga avalia que são poucas as ferramentas e aplicações direcionadas para os deficientes visuais. A partir dessa carência e da popularização dos smartphones, surgiu a ideia de criar o QRSPEECH.   “Tive a ideia de desenvolver uma aplicação que pudesse ajudar os deficientes e que fosse de fácil acesso para eles, sem que houvesse a necessidade de adquirir um aparelho especifico”, destacou.

TESTE
Anderson Cavalcanti, que é deficiente visual e colega de Kamila no curso de tecnólogo em processamento de dados, testou o QRSPEECH. “Ele foi um dos meus principais incentivos para a realização desse trabalho, a reação dele ao me ouvir falar sobre o aplicativo ainda no início das pesquisas me deixou realmente feliz e empolgada”, contou.

A participação de Anderson foi fundamental durante o trabalho. “Ele deu algumas sugestões para aperfeiçoar o QRSPEECH. Quando eu terminei o primeiro protótipo e pedi pra ele fazer os testes, a reação dele era de alegria e gratidão, foi quando eu soube que meu trabalho havia realmente ajudado alguém”, relatou.

MESTRADO
Kamila vai iniciar no mês de agosto estudos na área de reconhecimento de padrões dentro de um programa de mestrado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Meu TCC foi importante para a seleção (para o mestrado) por se tratar de um projeto que envolve, mesmo que de  forma muito superficial, uma forma de reconhecimento de padrão e eu acredito que isso tenha chamado a atenção de alguma forma. Essa área de estudo é muito mais complexa do que o que foi apresentado no meu trabalho, mas já era uma forma de iniciação”, contou.

A seleção ocorreu por meio de prova de títulos, análise de currículo e cartas de recomendação. O resultado foi divulgado na quinta-feira (13).


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