14/05/2014

Falta de sinalizações em piso tátil compromete a mobilidade na Av. Paulista

Cegos têm dificuldade para encontrar entradas do Metrô e pontos de ônibus na região

Os pisos táteis nas calçadas da Av. Paulista, em São Paulo, apesar de terem sido instalados para dar autonomia a pessoas com deficiência visual, não estão adequados às necessidades dos usuários, porque a via não tem indicações às entradas das estações do Metrô e aos pontos de ônibus. Segundo João Felippe, professor de orientação e mobilidade da Laramara - Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, “a falta de pisos de alerta e direcionais na região confunde, atrapalha e prejudica a autonomia de quem tem problemas de visão”.

De acordo com a Associação Paulista Viva, em 2008, a Prefeitura de São Paulo investiu cerca de R$ 8 milhões nas calçadas da Av. Paulista. A ideia era melhorar sua acessibilidade, por isso engenheiros e técnicos apostaram em rampas de acesso a cadeirantes e faixas com referências táteis para cegos. Apesar dos avanços positivos, o local precisa passar por outra obra de infraestrutura para corrigir os problemas deixados.

“A acessibilidade ainda é um desafio em São Paulo. Além da falta de piso tátil de orientação, existem vários fatores que prejudicam a mobilidade de uma pessoa com deficiência visual, como a falta de semáforos sonoros nas faixas de pedestre, calçadas irregulares, lixeiras e postes mal instalados. Esses problemas podem ser sanados com políticas públicas de melhor abrangência social”, completa o professor.

Ainda não há dados concretos sobre o número de pessoas com deficiência visual no estado, mas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que há mais de 6,5 milhões brasileiros com problemas de visão, sendo que 582 mil não possuem a capacidade de enxergar.

Sobre a Laramara:

A Laramara é uma das mais atuantes instituições especializadas em deficiência visual e um centro de referência na América Latina no desenvolvimento e na pesquisa na área da deficiência visual. Realiza atendimento especializado nas áreas socioassistêncial e socioeducativas com ações complementares e atividades específicas essenciais à aprendizagem e desenvolvimento das pessoas com deficiência visual e com deficiências associadas. As atividades são realizadas em grupos, organizados por faixa etária e os usuários dispõem ainda de atendimentos específicos de Braille, Soroban, Desenvolvimento da Eficiência Visual (Baixa Visão) e Orientação e Mobilidade. Disponibiliza recursos humanos para apoio à inclusão social, colabora para o aperfeiçoamento e a capacitação de profissionais e divulga suas experiências e aquisições para todo o Brasil, por meio de 30 recursos instrucionais produzidos por sua equipe, como livros, manuais e DVD's, contribuindo para que todas as crianças brasileiras possam ser educadas e beneficiadas. Laramara trouxe para o Brasil a fabricação da máquina Braille e da bengala, indispensáveis para a educação e a autonomia da pessoa cega. Buscando a inclusão profissional de jovens e adultos com deficiência visual, ampliou seu projeto socioeducativo, incluindo a preparação para o mundo do trabalho e vem desenvolvendo um programa especial para os jovens maiores de 17 anos. Laramara, desde sua fundação, acredita no valor do brincar e do brinquedo para a interação com a criança e para facilitar o desenvolvimento infantil; defende o direito da criança com deficiência visual a um aprendizado alegre e prazeroso, com brincadeiras e otimismo e continua cada vez mais unida em torno deste ideal. O trabalho de Laramara que, em 2013 completa 22 anos, atua efetivamente no estado de São Paulo e procura colaborar também para a inclusão das pessoas com deficiência visual em todo o Brasil.

Fonte: E-mail Henrique Malveis
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