17/10/2013

Sem movimentos, jovem disputa campeonatos de videogame em MS

Apenas com o movimento dos dedos, Alexandre joga campeonato de videogame (Foto: Gabriela Pavão/G1 MS)


Devido a uma doença genética, Alexandre Garcia Palhares, 29 anos, não tem os movimentos das pernas e dos braços. Com movimento parcial apenas nos dedos, o jovem disputa há dois anos campeonatos de videogames em Campo Grande , competindo com jogadores que possuem todos os movimentos.

Neste sábado (5), Palhares participa pela quarta vez de um campeonato de futebol virtual, organizado por uma loja de games da capital sul-mato-grossense e os jogos de sua categoria são disputados na residência dele, já que não pode se locomover até a loja.

Ele  disse ao G1 que tem Fribrodisplasia Ossificante Progressiva, uma doença rara responsável pela formação de ossos dentro de músculos, tendões e ligamentos, como se fosse um "segundo esqueleto", o que restringe os movimentos e leva à imobilização progressiva.

Há cerca de seis anos e oito meses Palhares perdeu o movimento das pernas e há três e oito meses, o dos braços. O jovem conta que antes de perder os movimentos praticava esportes e como o movimento dos dedos não ficou totalmente comprometido, ele encontrou nos jogos momentos de diversão. “Eu jogava futebol, basquete e natação. Eu fazia de tudo, agora é tudo virtualmente. O que a gente não pode fazer, tenta substituir por outra modalidade”, disse.

A ideia de participar do campeonato surgiu quando ficou sabendo do torneio por meio de um amigo que conhecia o dono da loja. “Eu pedi para ele [amigo] perguntar se tinha possibilidade de eu participar via online”, recorda. Segundo Palhares, depois de vários testes, não foi possível fazer um campeonato diferenciado então surgiu a opção do jogo ser realizado na residência dele, para que pudesse participar. Os jogadores se reúnem na loja e são levados até a casa do rapaz.

Antes de perder os movimentos, Palhares cursava tecnologia em desenvolvimento web, mas devido a condição de só ficar deitado, teve de trancar a faculdade. “Meu mundo fica na horizontal, não fica na vertical. Então eu sinto mais tontura que uma pessoa normal. É difícil pegar um livro e ler, ficar na internet lendo a respeito de alguma coisa. Às vezes mesmo parado conversando com alguém eu sinto muita tontura”, explicou.

Além de passatempo, o videogame foi a alternativa encontrada para não ficar parado. “O videogame trouxe um conforto a mais para pessoas que tem necessidades, além de necessidades especiais, como também pessoas sedentárias. Mesmo só mexendo as mãos, ela tem um incentivo a mais. Melhor que ficar olhando a televisão o dia inteiro sem fazer nada”, disse.

Palhares explica ainda que mesmo encontrando diversão no videogame, sabe os limites de parar para não ficar viciado no jogo. “Tenho que saber meu limite, o videogame pode ocasionar problemas devido aos movimentos repetitivos. Se eu vejo que estou ficando cansado, eu paro e descanso, faço outra coisa, assisto um filme ou vejo um seriado”, conta.

Devido aos problemas de locomoção, o jovem não sai de casa. Segundo ele, o principal problema é encontrar equipamentos adaptados as suas necessidades. No entanto, ele planeja conseguir sair até o fim do ano. “Estou tentando adaptar uma cadeira e um carro. É muito investimento, não tem nada barato. A maioria das pessoas só pensa em ganhar e não vê a situação das pessoas”, disse, acrescentando que além do preço, faltam profissionais para ajudá-lo neste processo.

"Tentei trazer profissionais de fora, paguei passagens, eles chegaram e colocaram o preço alto, para me deixar olhando para cima. Se é para olhar para cima eu compro uma maca e saio andando de maca. Não tem cabimento”, reclama.

O tempo de Alexandre é gasto com várias atividades. Ele explica que sente dores no pescoço e nas costas, em razão de passar muito tempo deitado. “Meu tempo é jogar, assistir TV, tentar passar o maior tempo possível com alternativas, para ter uma distração e ficar conversando. Nunca ficar parado”, disse.

Palhares disse ainda que apesar da condição genética e das limitações é uma pessoa feliz. “Apesar dos problemas, sou muito feliz, mais do que muitos que não tem algum tipo de dificuldade”, afirmou.

A mãe de Alexandre, Marilene Palhares, disse que o filho é um exemplo de superação. "Ele é uma benção de Deus na minha vida. O Alexandre poderia ter transformado a vida da gente em uma série de dificuldades, mas ele transformou em uma série de superações", contou.
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