20/08/2013

Muito além da LIBRAS. Dicas para falar com deficientes auditivos.

Lak Lobato possui deficiência auditiva adquirida devido à Caxumba na infância

Este artigo foi escrito por Lak Lobato, 34 anos, Publicitária, formada pela Universidade Anhembi Morumbi. Atualmente, escritora e fotógrafa. Deficiente auditiva desde os 10 anos, surda oralizada e usuária de prótese auditiva e implante coclear. Autora do blog Desculpe, não ouvi!

A principal diferença entre a deficiência auditiva e as demais deficiências é que a surdez pouco limita fisicamente o surdo, mas limita muitíssimo a comunicação social.

Como muita gente nunca teve contato com deficientes auditivos de qualquer grau, simplesmente não sabe lidar conosco e acaba evitando um contato que poderia ser bastante enriquecedor e até o começo de uma grande amizade.
  • A primeira coisa é observar para ver que tipo de limitação de comunicação a pessoa em questão tem. Se possível, veja se a pessoa utiliza aparelhos e se fala via voz. Em caso afirmativo, pergunte se ela lê lábios ou prefere que você aumente o volume da voz. Do contrário, mímicas e papel-e-caneta podem ser a melhor maneira de iniciar a conversa.
  • O volume da voz varia de acordo com a perda de audição da pessoa. Claro que você não precisa ser adivinho. Comece falando com o tom de voz habitual. Se necessário, a pessoa avisa que precisa que você fale um pouquinho mais alto, mais baixo ou mantenha do jeito que está. Além do mais, se a pessoa tem surdez quase total, não adianta gritar. Berrar ou falar sem voz dá na mesma. Ela apenas lê seus lábios.
  • Fale um pouco mais devagar, com naturalidade. Não fale separando sílabas ou articulando demais. Isso não ajuda e periga você acabar se perdendo na linha de raciocínio.
  • Não ache que todo surdo que usa aparelho necessariamente compreende o que você diz, via audição. Pode ser que ele use aparelho para ter referências sonoras ambiente apenas. Então, fale de frente pra ele, de maneira que seus lábios estejam sempre visíveis. Caso você precise virar a cabeça, faça uma pausa. Cada virada de rosto é uma sílaba ou palavra perdida que poderia alterar completamente o sentido da conversa.
  • Falar mastigando, além de não ser de boa educação, torna a leitura labial sofrida, porque vários movimentos feitos não fazem parte da conversa. Esperar engolir antes de prosseguir o diálogo.
  • Ler os lábios via espelho é perfeitamente possível. Estando no carro, num cabeleireiro ou numa loja, por exemplo, se o espelho estiver posicionado de maneira acessível, pode abusar dele sem dó.
  • Ler os lábios de lado é mais difícil. De cabeça pra baixo, é praticamente impossível. Se a posição não for favorável (vai saber onde a conversa se dá, né?) aguarde estarem com as cabeças viradas pro mesmo lado.
  • Mesmo um Surdo que só fala Língua de Sinais pode saber um mínino de leitura labial. Se você perceber ou souber que o Surdo é usuário exclusivo da Líbras e realmente precisar falar com ele, fale de maneira simplificada. Ele possivelmente irá te entender e responder como puder (falando oralmente, por sinais ou até escrevendo).
  • No entanto, se você perceber que ele não lê lábios, apele pro papel e caneta. Mas, saiba: a Libras não é idêntica ao português e existe bastante diferença entre os idiomas. Alguns termos podem ser bem diferentes entre as duas línguas, por isso, procure se expressar de forma objetiva e simples.
  • Mímicas simples podem ajudar no diálogo, mas cuidado! Uma mímica pode ser equivalente a um sinal em Libras com significado diferente e até ofensivo  Não abuse e jamais ache que mímica feita de qualquer jeito é Língua de Sinais.
  • Já os surdos oralizados falam oralmente, tal como diz o nome. A voz dele pode soar estranha pra quem não está acostumado com ela, mas ele sabe disso, fique tranquilo. Apenas tenha um pouquinho de boa vontade de compreendê-lo e não tenha vergonha de pedir pra ele repetir, caso você não entenda alguma coisa…
  • Não tenha medo de cometer gafes com figuras de linguagem. “Você está me ouvindo?” “Nossa, você já tinha ouvido falar nisso?” “Ei, ouve essa…”, isso não nos ofende nem um pouco.
  • Às vezes, as pessoas acham que deficientes auditivos são, na verdade, pessoas antipáticas. Porque falam com elas e elas não respondem, já que a deficiência não é tão visível. Se, por ventura, você se deparar com uma pessoa que não responde quando você fala quando ela está de costas pra você, existe alguma chance dela não ter boa audição. Na dúvida, pergunte.
  • Para chamar um surdo, você precisa de algum sinal visual ou táctil. Você pode abanar as mãos, acender e apagar uma luz ou até tocar o ombro dele de leve. Mas, jamais dê um cutucão com força ou um tapa agressivo. E, por favor, em hipótese alguma, jogue coisas nele para chamá-lo. Isso dói e não tem a menor graça.
  • A iluminação é um dos principais fatores do qual depende a leitura labial. Se a iluminação ambiente não for adequada, vale qualquer improvisação: isqueiro, lanterna e até a luz do celular.
  • Se você tiver curiosidade de conversar em Libras, pergunte se a pessoa tem fluência nesse idioma. Se ela tiver (se for bilíngue) terá prazer de conversar com você dessa forma. Do contrário, seria como exigir que ela converse num idioma que ela não domina.

Fonte: Acessibilidade Total

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