15/08/2013

Jovens com deficiência sonham morar sozinhos e pagar as próprias contas

Independência financeira e capacidade de cuidar da própria vida. Três mães de portadores de deficiência fundaram uma entidade para tornar isso possível. 

Taís Laporta - iG São Paulo

João (e), Gabriella (c), e Nicolas: planos para o futuro surgem na passagem para a vida adulta

 “A minha casa vai ser grande no futuro”, imagina a sorridente Gabriella, de 21 anos, que tem síndrome de Noonam. Por acreditar que ela pode ser independente dos pais e morar sozinha, se assim desejar, sua mãe Monica Mota uniu-se às mães de outros dois jovens com deficiência intelectual para estimular a autonomia dos filhos.
                                                                                                                             
Juntas, as três vão fundar a JNG (abreviação de João, Nicolas e Gabriella) em 27 de agosto, no Rio de Janeiro, para estimular a criação de moradias independentes, semelhantes às existentes na Inglaterra. Também vão lutar para mudar a legislação previdenciária atual, que obriga os pais a manterem os filhos afastados do mercado de trabalho. 

A lei federal 8.213/91 determina que as pessoas com deficiência só terão direito à pensão dos pais, em caso de morte, se forem declarados incapazes. Isso impede que eles tenham um trabalho com carteira assinada, que votem e exercitem outros direitos de cidadania.O objetivo é fazer alterações na lei. 

“Eles poderiam conquistar a independência financeira se houvesse uma combinação entre seus empregos remunerados e benefícios complementares da assistência social ou previdência”, reflete Flávia Poppe, presidente da organização, economista pela PUC/RJ e mãe de Nicolas, de 21 anos, que possui o transtorno de espectro autista.

Mesmo quando a pessoa com deficiência trabalha, os pais continuam bancando o sustento do filho, em muitos casos. Dos 2,4 milhões de deficientes intelectuais declarados no Brasil (1,5% da população), 36% não possuem rendimento próprio e 46% recebem até um salário mínimo, segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010. Apenas 2% recebem acima de cinco salários mínimos. 

De passagem para a vida adulta, os filhos das três mães que criaram a JNG projetam arrumar um emprego ou continuar os estudos num futuro próximo.

Nem sempre essa transição é fácil. Nicolas parou de estudar e passou a ser aprendiz de um curso de higienização de livros raros na biblioteca da Universidade de Brasília. “Ele ficou insatisfeito quando saiu da escola. Mas o projeto deu a ele um salto enorme de consciência e amadurecimento”, repara Flávia.
 
JNG/Alexandre Campbell
Fonte:http://economia.ig.com.br/
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