10/06/2013

Atitudes que favorecem a inclusão afetiva da Pessoa com Deficiência

Fabiano Puhlmann di Girolamo

Dentro da especificidade de cada deficiência, existem algumas atitudes essenciais, que devemos implementar quando vamos promover a inclusão afetiva da pessoa.

Nas “deficiências físicas”, devemos estar atentos à acessibilidade arquitetônica e de mobiliário do lazer sexual adulto, à informação sobre tratamentos e medicações para disfunções sexuais para as deficiências físicas que tenham alterações vasculares e neurológicas

A sexualidade não está mais restrita aos tratamentos de disfunções sexuais, até porque 100% das pessoas com deficiência física têm condições de viver uma sexualidade normal. O fantasma da ereção masculina nos lesados medulares e alguns outros casos de acidente vasculares, foi vencido pelos avanços da urologia moderna.

Mas, geralmente não é o caráter físico o grande impeditivo para que relações íntimas aconteçam, mas sim os fatores de natureza psicológica, as emoções e sentimentos ligados à própria deficiência, à autoimagem e a identidade.

Hoje podemos afirmar que somente quem está em uma fase mais introvertida e depressiva não está vivendo uma sexualidade inclusiva.

As barreiras imaginárias ainda são os maiores limitadores, mas a pressão da sociedade se inverteu: no começo a pessoa com deficiência física vivia em exclusão social, depois motivado por profissionais conscientes, veio a integração social, agora estamos vivendo a era da busca da qualidade de vida afetiva e sexual para todos.

Na “deficiência auditiva”, a educação e terapia sexual devem ser realizada em LIBRAS, seja através da formação do profissional de educação e saúde nesta segunda língua brasileira, seja na contratação de interpretes de LIBRAS e, neste caso, é também recomendada a formação dos intérpretes em educação sexual. Para implementar a comunicação sobre os inúmeros detalhes da vivência sexual e afetiva, é necessária a criação e divulgação de sinais sobre sexualidade em LIBRAS. A pessoa com deficiência auditiva precisa receber informação atualizada sobre sexualidade.

Pessoas com deficiência auditiva que foram adequadamente estimuladas no período de desenvolvimento, vão lidar com a sexualidade com maior facilidade e podem estabelecer relacionamentos duradouros de namoro e casamento, podem aprender sobre métodos anticonceptivos e de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, podendo ter uma vida afetiva rica em experiências.


A pessoa com “deficiência visual” deve ser estimulada a desenvolver suas habilidades perceptivas (olfato, paladar, tato, audição, propriocepção) a serviço da vivência afetivo sexual. Necessitam de informação impressa em Braille ou em formato digital (usuários de sintetizadores de voz - Jaws, virtual vision, dosvox) sobre sexualidade. Edição de áudio livros sobre educação sexual e sobre contos eróticos.

A criança cega que for bem estimulada para ter autonomia, para ver todo seu corpo como seu patrimônio, sem zonas proibidas e tiver boa informação sobre o funcionamento do mesmo, chegara à adolescência com capacidade para lidar com os desafios afetivo-sexuais da juventude.

A deficiência visual em si não altera a sexualidade, nem exacerba sua manifestação, nem impede sua vivência. A sexualidade do deficiente visual está diretamente ligada à sua abertura para viver o enamoramento, a paixão e o amor.

A pessoa com deficiência visual que perdeu a visão como adulta, tem mais facilidade para se adaptar à sexualidade sem a visão, sabem utilizar o toque para conhecer os potenciais parceiros, o dialogo e as carícias para embalar, e no caso de terem experiências sexuais prévias, lidar com o ato sexual com nível de ansiedade adequado. Mesmo casais cegos, que perderam a visão adultos, não relatam dificuldades com a sexualidade, podem ter de lidar com problemas sexuais como qualquer pessoa, mas sem grandes dificuldades.

A pessoa com deficiência visual não tem, por causa da deficiência, nenhuma alteração em sua fisiologia e anatomia sexuais, durante suas vivências de enamoramento, paixão e amor, irá experimentar as mesmas fases do ato sexual normal, desejo, excitação, orgasmo e resolução, utilizará o recurso das fantasias eróticas que podem ter ou não imagens visuais dependendo do estímulo gerador, estímulos auditivos, olfativos táteis e gustativos, podem estar potencializados devido à intensa utilização adaptativa.

A pessoa com “deficiência intelectual” necessita que os pais, os educadores e os terapeutas sexuais utilizem mediações pedagógicas para educação sexual, indiquem acessórios e recursos sexuais para masturbação daqueles que não
conseguem ter relacionamentos. E principalmente, o fomento de uma rede de apoios para o relacionamento afetivo sexual.

Já existem pessoas com deficiência intelectual que tem capacidade suficiente de adaptação ao meio para estarem casados e vivendo muito bem. Mas, mesmo com restrições, a sexualidade é vivida na deficiência intelectual com grau variado, dependendo em grande parte, dos apoios à uma sexualidade saudável e o olhar responsável de pais e profissionais.

É uma população que enfrenta a polêmica constante em relação às fronteiras de seus direitos ao exercício de uma vida afetiva-sexual.

As pessoas com deficiência hoje estão vivendo todas as fases da Inclusão Afetiva: enamoramento, paixão e amor. O amor inclusivo é uma realidade, e é cada vez maior o número de relacionamentos e casamentos inclusivos.


Contraste de uma mesma cor, nuance de uma mesma música, a diversidade está presente sempre em cada movimento individual em busca da realização afetiva e sexual de pessoas com e sem deficiências, que vivendo as etapas de cada relacionamento acabam conhecendo um pouco mais de si mesmas, de seus corpos e de suas almas.

Fonte: Revista Reação - Edição 91
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2 comentários:


  1. Sexualidade e deficiência
    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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    A sexualidade e deficiência é uma temática da vida cotidiana dos portadores de deficiência. O senso comum delimita a vida sexual de portadores de deficiência física como se esta atividade não existisse ou como um tabu. Por desconhecimento, uma série de suposições não verdadeiras é realizada, são criadas crenças e visões estereotipadas, além do preconceito.1

    O aprendizado destas pessoas é realizado através de contato com outros indivíduos portadores de deficiência.2 Com o advento da tecnologia, tornou-se um pouco mais fácil a busca de informações através, por exemplo da Internet, nas comunidades virtuais.

    Índice [esconder]
    1 Sexualidade e deficiência mental
    2 Sexualidade e deficiência física
    3 Notas e referências
    4 Bibliografia
    5 Ligações externas
    Sexualidade e deficiência mental[editar | editar código-fonte]
    O deficiente mental é submetido muitas vezes a um tratamento protetor, como fosse um indivíduo assexuado ou eternamente criança.1 3 A sexualidade destes pode também pode ser vista como algo selvagem, que deve ser reprimido.1 De acordo com diversos autores estas pessoas sentem desejo, amam, sentem prazer e querem ser amadas. A condição de sexual destas pessoas depende muito das suas condições educacionais.1 Geralmente, trata-se as pessoas com diferentes deficiências de forma igualitária, mas, na verdade, dependem de condições psicossociais diversas.1 Também existe a fobia que um possível descendente possa ser também um deficiente mental.1 Um mito pois nem toda deficiência mental é transmitida de forma hereditária.1 Outro pensamento comum é que deficientes possuem uma condição que os faz praticarem atitutes sexuais a toda hora, e por isso devem

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