Pessoas com deficiência digitalizam acervo do Arquivo Público

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Contrato emprega 220 PCDs e foi firmado por um ano, com previsão de ser renovado por mais quatro anos. Investimento inicial é de mais de R$ 14 milhões 



O contrato foi firmado por um ano, mas tem previsão de continuidade por mais quatro. O investimento inicial é de mais de R$ 14 milhões. A estimativa é de que sejam digitalizados 25 milhões de documentos a cada ano, totalizando 125 milhões ao final. São atendidos pelo projeto a Secretaria de Economia – que também é responsável pelo contrato firmado graças aos esforços das secretarias executivas de Gestão Administrativa (Segea) e de Valorização e Qualidade de Vida (Sequali) –, a Secretaria de Justiça e Cidadania, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, a Casa Civil, o Arquivo Público e as 33 administrações regionais.

“O governo tem a obrigação de cuidar desses acervos e o projeto vem para isso, para tratar os documentos e dar acessibilidade àquilo que muitas vezes está só num galpão ou num arquivo organizado”, afirma a chefe da Unidade Central de Gestão do Processo Eletrônico e Inovação da Segea, da Secretaria de Economia, Lucirene de Almeida Carneiro. “Com a digitalização, fica mais fácil não só para o cidadão ou para os outros órgãos do governo, mas também para fornecer essa informação de forma rápida”, avalia.

O superintendente do Arquivo Público, Adalberto Scigliano, comemora: “Isso vai proporcionar não só aos brasileiros, mas para as pessoas do mundo inteiro, uma pesquisa mais rápida e assertiva. Sem, claro, dizer da segurança de termos um arquivo com suporte que não vai mais precisar ser manuseado. Nem nos meus melhores sonhos, podia imaginar isso. É um projeto nunca antes visto no DF”.

Para o historiador do Arquivo Público, Elias Manoel da Silva, o trabalho dará acesso a duas tipologias documentais importantes do acervo. “Temos milhões de fotos aqui, Então, vai permitir acesso à riqueza enorme das fotografias da construção, consolidação e história de Brasília. Temos também mais de 40 mil plantas criadas por Oscar Niemeyer e Joaquim Cardoso. Essas plantas digitalizadas permitirão o acesso”, diz.

Além da facilidade, o processo ajudará na descoberta de conteúdos até então nunca acessados. “Não permite só a facilidade ao acesso, como em descobrir a riqueza do Arquivo Público, possibilitando visualização a documentos que nunca foram acessados antes”, completa o historiador.

Inclusão

Mais do que um papel de organizar e preservar o acervo, o projeto do governo visa fomentar a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. O contrato emprega 220 pessoas com deficiência (PCDs) que estão divididas nos trabalhos nos órgãos do GDF. Só no Arquivo Público, são 64 funcionários.

Todos foram capacitados para prestar os serviços especializados em gestão e tratamento documental e arquivístico pela Cetefe. Os locais contam com supervisores bilíngues, que falam português e Libras (Língua Brasileira de Sinais).

“A Cetefe atua na inclusão da pessoa com deficiência no tratamento documental. Temos vários projetos similares. A gente capacita desde o manuseio de acervos cuidando da preservação do documento, como a utilização dos equipamentos de scanner e todo o processo”, define a responsável pelos projetos da Cetefe, Andrea Vieira.

O contrato prevê atividades como higienização, preparação e digitalização de documentos; assinatura digital; conversão de documentos em mídia especial (CDs, DVDs, áudios, filmes, negativos, rolos e vídeos); tratamento de imagens; indexação de documentos com reconhecimento de caracteres (OCR); microfilmagem de documentos; classificação, ordenação documental, diagnóstico, inventário e catalogação; elaboração de instrumentos arquivísticos (código de classificação e tabela de temporalidade documental e descrição arquivística) – conforme a Norma Brasileira de Descrição Arquivística (Nobrade).

Acostumado a trabalhar nos projetos da Cetefe, Eronildo Souza Monteiro é um dos funcionários do projeto no Arquivo Público. Ele, que tem uma deficiência física em decorrência da paralisia infantil, conta que começou cuidando do áudio e agora está na parte de negativos, positivos e slides do acervo do local. “Esse acervo tem hora que até me emociona. Ouvir a voz de Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Agora vejo esses negativos de como começou Brasília. É muito legal, é uma das melhores coisas que estou fazendo na vida”, revela.

Responsável pela parte da validação do acervo, Poliana Ribeiro Barros viu no projeto a oportunidade de voltar ao mercado de trabalho após ser acometida com monoparesia do plexo braquial direito, recorrência de um derrame após a covid-19.

“Eu não conseguia emprego, porque não tinha experiência para além da área estética. A Cetefe tem esse diferencial de capacitar o profissional. Estou muito feliz e satisfeita”, define.

Agência Brasília (agenciabrasilia.df.gov.br)

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