Oito dicas para pessoas com deficiência física viajarem

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Aproveite as recomendações e faça as malas.
Chiaki Karen Tada.

Em que devo prestar atenção na hora de programar uma viagem?
    
É importante que a pessoa com deficiência física se sinta segura para fazer a viagem e, para isso, o melhor é estar bem informada. Na hora de escolher o hotel, pergunte - e insista - se é fácil circular pelas dependências (recepção, restaurantes) e se há quartos e banheiros adequados. Nada pior do que se sentir desconfortável no lugar em que você deveria descansar. Pesquise e pergunte ao agente de viagens detalhes dos meios de transporte que serão utilizados na viagem, o tempo para ver as atrações e a distância entre elas e o hotel. Evite ao máximo as conexões nos vôos, por causa dos deslocamentos. Além disso, é indicado fazer uma avaliação das condições físicas (consultando o médico, se necessário) e do estado do equipamento, como muletas e cadeira de rodas. Guias de viagem estrangeiros, como o Fodor's e o Frommer's, explicam, ainda que de forma resumida, as condições de acesso aos destinos para viajantes com limitações físicas. Na internet, vários sites apresentam dicas que podem ajudá-lo a ter mais idéias e a curtir melhor suas férias.


Quem faz passeios para esse público?

No Brasil não existem agências especializadas. Mas você pode falar com a Ortega Turismo (tel.: (11) 3214-5556, http://www.ortegatour.com.br/), que prepara roteiros para esse turista. O diretor, Sérgio Ortega, pesquisou mais de 200 hotéis acessíveis no Brasil. Em Brotas (SP), é possível fazer rafting com a EcoAção (tel.: (14) 3653-8040, http://www.ecoacaotour.com.br/), que tem até chuveiro adaptado. No Rio, a Sociedade Brasileira de Mergulho Adaptado ( tel.:(21) 2287-0623, intervox.nce.ufrj.br/~sbma) faz cursos e viagens. Um dos alunos é o comerciante Carlos Eduardo Rosa Fraga, tetraplégico há onze anos. "Vestir a roupa de mergulho é trabalhoso, mas tudo se torna um prazer", diz.

A viagem fica muito mais cara do que um roteiro convencional?

No caso de pacotes para grupos, sim. Principalmente por causa da necessidade de contratar quem ajude na locomoção. Não é fácil subir ou descer de um veículo. Arnaldo Werblowsky, gerente da FreeWay, está preparando um roteiro de vinte dias para um grupo de deficientes físicos alemães que visitará o país. Com a adição de itens como guias-acompanhantes, a viagem deve sair de 30% a 40% mais cara do que um roteiro tradicional. Sérgio Ortega, da Ortega Tour, calcula que o custo sobe de 20% a 30%. Mas vale sempre lembrar as dicas tradicionais, como faz o corretor de seguros Claudio Mendes Gonçalves, que é tetraplégico e viajou nos últimos quatro anos para o Nordeste, acompanhado da mulher: evitar a alta temporada, perguntar por promoções nos hotéis e procurar passagens aéreas com antecedência, negociando descontos. "Assim, as viagens saem mais em conta", afirma Claudio.

Como devo agir na hora de fazer a reserva de uma passagem aérea?

Avise sempre sobre suas necessidades especiais na hora da reserva, que deve ser feita com pelo menos 48 horas de antecedência. Se possível, insista e ligue depois para alertar a companhia novamente. As empresas aéreas oferecem assistência para o embarque e o desembarque, às vezes com equipamentos que ajudam no deslocamento e cadeira de bordo. O passageiro com deficiência física geralmente pode decidir se precisa ou não de uma pessoa que viaje junto com ele, mas, se a empresa aérea exigir a presença do acompanhante, este paga 20% da tarifa cheia, segundo o Departamento de Aviação Civil (DAC). Mas veja se não vale mais a pena aproveitar as tarifas promocionais em vez do desconto. Algumas empresas disponibilizam tripulantes para acompanhar o passageiro durante o vôo, mas aí é preciso arcar com as despesas de ambos. Os equipamentos são transportados gratuitamente na cabine ou como bagagem prioritária.

É difícil viajar de trem na Europa ou nos EUA? E de ônibus?

Na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, as principais estações estão preparadas e a maioria dos trens tem acesso adaptado. Veja a possibilidade de reservar lugares específicos e avisar antes sobre suas necessidades. A Carlson Wagonlit (tel.: (11) 3443-3770, http://www.carlsonwagonlit.com.br/), que tem catorze lojas no país, envia mensagem a uma central na Europa avisando sobre o viajante, para verificar se haverá problemas. Para os trens da Europa, consulte, além da Carlson Wagonlit, a CIT (tel.: (11) 3217-8500, http://www.citemotion.com/) e o STB (tel.: (11) 3038-1555, http://www.stb.com.br/). Para os EUA e o Canadá, contate a GSA (tel.: (11) 3257-1177, http://www.gsarepresentacoes.com.br/). A rede ferroviária americana Amtrak (http://www.amtrak.com/) tem descontos para esse público. Quanto aos ônibus, as principais linhas dessas regiões estão preparadas para receber o viajante com deficiência física. No Brasil, os terminais rodoviários administrados pela Socicam (http://www.socicam.com.br/) prometem procedimentos diferenciados, como permissão prévia para chegar em veículo próprio à plataforma de embarque. Existe ainda um Passe Livre (tel.: (61) 315-8008 para informações) para viajar gratuitamente de um Estado a outro em ônibus ou trem, que é oferecido a pessoas com deficiência física, sem custo.

Como é o quarto de um hotel adaptado para esse tipo de hóspede?

As portas são mais largas, há mais espaço para circular e itens como vaso sanitário e chuveiro adaptados. No Brasil a oferta ainda é pouca. Andrea Schwarz, co-autora do guia São Paulo Adaptada (ed. O Nome da Rosa, 2001), diz que não encontrou nenhum hotel na capital paulista corretamente aparelhado. Mas uma nova classificação de hotéis (que define o número de estrelas) em implantação exige adaptações baseadas na NBR 9050, norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (http://www.abnt.org.br/), que define padrões para as construções em geral. No exterior é mais fácil encontrar quartos adequados, mas Andrea avisa que é bom reservá-los com antecedência: lá fora, os turistas com deficiência física viajam muito mais do que aqui. Um lugar curioso é o hotel alemão Haus Rheinsberg (www.hausrheinsberg.de, em alemão). É totalmente voltado para o hóspede com deficiência física, a começar pela recepção: metade do balcão está na altura de uma cadeira de rodas. Janelas são automáticas e áreas de lazer, como as pistas de boliche, são adaptados para esse público.



Quais são as cidades mais bem preparadas para receber pessoas com deficiência física?


Quem já foi aos Estados Unidos não reclama das cidades do país, que permitem maior independência. "A relação custo/benefício compensa", diz o analista de sistemas Fabio Ricci, que é paraplégico e já viajou para o Japão e a Inglaterra, além dos EUA. O dançarino Alexandro Aparecido de Souza, que usa prótese na perna direita, não apresenta grandes dificuldades de locomoção, mas tem amigos "cadeirantes" e gostou do que viu em Nova York - apesar de algumas estações de metrô inacessíveis. O Canadá também é um país para se passear. O jogador de basquete Fábio Souza, paraplégico, gostou de Fortaleza, Brasília e Curitiba. Na capital do Paraná, a maioria dos ônibus da Linha Turismo (tel.: (41) 352-8000) está adaptada. Os resorts brasileiros também são indicados. Mas os exemplos são poucos. "O mercado turístico brasileiro não descobriu que o portador de deficiência física é um consumidor interessante, que até paga mais caro por um lugar com acessibilidade", afirma Souza.

É fácil alugar um carro? Fica mais caro?

As locadoras mais conhecidas, como Hertz (tel.: 0800-7017300, http://www.hertz.com.br/) e Avis (tel.: (11) 4225-8456 ou 0800-198456, http://www.avis.com.br/), não têm carro adaptado para locação no Brasil. Mas não é complicado arranjar um nos EUA, no Canadá e nos principais países da Europa. De novo, a reserva deve ser feita com antecedência. Avise sobre as necessidades do motorista. Leve adesivo que indique que o carro está sendo usado por uma pessoa com deficiência física. Não há diferença nos valores de locação. A Mobility Online (tel.: 0800-160525, http://www.mobility.com.br/), especializada em aluguel de variados veículos, também pode ser uma fonte de consulta.

Fonte: Porta de Acesso


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Um comentário:

  1. Cara Fernanda
    Venho lhe parabénizar por este dia
    maravilhoso q e seu Aniversario.
    Claudio Coutinho

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