O que é capacitismo e como remover expressões capacitistas da sua fala

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É comum usarmos frases capacitistas em nosso dia a dia, até mesmo sem percebermos. No entanto, ser comum não é igual a estar correto. O capacitismo – preconceito contra pessoas com deficiência – tem crescido nos últimos anos e precisamos tomar consciência para combatê-lo.

Pensa aí quantas vezes você já disse frases como “Ele não me viu aqui? É cego?”, ou “Está surdo?”, ou “Deixa de ser maluca!”. Ah, e você já disse que estava sem braço quando não tinha tempo hábil para resolver um problema? Pois é, assim como o racismo, a homofobia e a gordofobia, o capacitismo também é estrutural na sociedade brasileira e, portanto, um problema de todos nós!

Termos capacitistas: o que são e como removê-los da sua fala

Como vimos, reproduzimos muitas frases sem que ao menos a gente se dê conta da carga de preconceito/capacitismo que carregam. 

A Sami promoveu um movimento inclusivo que fala exatamente sobre expressões capacitistas e como removê-las do nosso vocabulário. O #CuidarDaFala nasceu internamente com o objetivo de dar valor a diversidade e promover a inclusão.

Muitas vezes disfarçados de brincadeiras, escondemos nosso preconceito e o naturalizamos. Vamos substituir expressões como:

  • “Está fingindo demência” por “O que você não está compreendendo para eu explicar melhor?”;
  • “Dei uma mancada” por “Errei e não vai acontecer de novo”;
  • “Está cego?” por “Você esbarrou em mim”;
  • “Vai dar uma de João sem braço?” por “Você não está entendendo?”;
  • “Você é bipolar”, quando acontece de uma pessoa mudar de humor, por “O que aconteceu que você mudou de humor?”

Mesmo que exista uma lei que inclua pessoas com deficiência na sociedade por meio da acessibilidade, ainda precisamos melhorar (e muito) na nossa convivência. Devemos integrar as pessoas sem que elas se sintam erradas em relação ao restante da sociedade.

Frases capacitistas estão enraizadas na nossa sociedade e, além de gerarem um enorme desconforto para quem as ouve, ainda soam agressivas.

Exemplos de capacitismos e frases capacitistas

Para tornar ainda mais fácil identificar ações e vocabulários que repetimos sem perceber, reunimos algumas frases e ações comuns que geram preconceito, como:

“Nossa, e eu reclamando da vida” ao ver alguém com deficiência física.

Esse tipo de frase coloca a pessoa com deficiência como alguém digna de pena, bem como reforça que a ideia de que são inferiores;

 “Pensei que você fosse normal” geralmente dito em tom de brincadeira.

Precisamos lembrar que pessoas com deficiência são normais.

  “Nossa, coitado!”

Não infantilize ou trate pessoas com deficiência como coitadas.

  “Eu tenho dois braços e duas pernas e não consigo fazer o que ele faz”

Essa frase se tornou muito comum nas redes sociais devido aos jogos paralímpicos que aconteceram em 2021. Esse tipo de frase só reforça a ideia de que pessoas com deficiência não são capazes de fazer grandes coisas.

  “Para de ser retardado!”

Além de ser agressivo, diminui pessoas com deficiência intelectual.

  “Caramba, mas você não tem cara de autista!”

Outro comentário comum e desnecessário. Precisamos parar com a expectativa de que podemos identificar um autista apenas olhando para ele. Não é um comportamento óbvio e precisa de diagnóstico médico.

O que pensam as pessoas com deficiência?

De acordo com uma pesquisa feita pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Ibope, pessoas com deficiência que vivem na capital paulista ou na região metropolitana sofrem cotidianamente com preconceitos dentro do ambiente de trabalho. Cerca de 69% dos entrevistados relataram vivenciar ou presenciar esse tipo de violência e discriminação.

Apesar da pesquisa apenas abordar o Estado de São Paulo, é possível compreender que o capacitismo é, infelizmente, comum em diversos lugares do mundo. Em contrapartida, uma quantidade considerável de brasileiros possuem algum tipo de deficiência: mais de 8% da população, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS)

O que é capacitismo?

A fala é um dos espaços em que o capacitismo aparece de forma nítida, mas o conceito é mais do que isso. De forma ampla, capacitismo é a discriminação da pessoa com deficiência, ou seja: é um tipo de preconceito quando pré-entendemos erroneamente as capacidades que uma pessoa tem ou deixa de ter devido a sua deficiência. 

Somos capacitistas quando excluímos pessoas com deficiência de atividades consideradas normais por pré-julgar que ela não conseguiria realizar tal tarefa ou, ainda, não fazer da maneira correta.

Outro tipo de capacitismo acontece em lugares não adaptados a pessoas com deficiência. Construir ambientes acessíveis é obrigação, de acordo com a Lei nº 10.098, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência.

Capacitismo é crime!

De acordo com o Código Penal e a Lei Brasileira de Inclusão, discriminar uma pessoa por conta da sua deficiência resulta em pena de reclusão ou pagamento de multa. O artigo 88 da Lei nº 13.146/2015 afirma que praticar, induzir ou incitar a discriminação é pena de reclusão de um a três anos e multa.

Preconceito com pessoas com deficiência

Precisamos ter em mente que usar o diagnóstico ou uma característica física de uma pessoa contra ela mesma a fim de insultá-la é preconceito e isso não pode ser tolerado. 

É importante demonstrar por meio de nossas ações e falas que a deficiência não define ninguém. Além disso, precisamos cobrar a inclusão. Vamos refletir? Nos últimos seis meses, quantas vezes você foi em um restaurante que possuía cardápio em braile? Ou ainda: a loja que você costuma frequentar tem rampa de acesso?

Podem passar despercebidas para pessoas que não possuem dificuldade de mobilidade, mas viver em uma sociedade que não torna lugares e situações acessíveis para deficientes não é um mero detalhe.

Para começarmos a ter esse tipo de pensamento inclusivo o segredo é simples: estudar. Leia e se informe para mudar seu pensamento. Afinal, ser diferente não é um defeito. É fundamental na convivência com a sociedade se colocar no lugar do outro e repensar a maneira de falar e agir.

Fonte: Sami Saúde

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