A Comunicação inclusiva como ferramenta para participação das minorias na mídia

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 Entenda a importância da comunicação inclusiva em meios midiáticos nos dias atuais


O que é Comunicação Inclusiva?

A comunicação inclusiva faz parte da Acessibilidade Comunicacional (entenda mais sobre os tipos de acessibilidade aqui), uma vez que tem como objetivo fazer as informações chegarem às pessoas sem que haja obstáculos dificultando a entrega da mensagem. Ou seja, a comunicação inclusiva visa facilitar a compreensão da mensagem pelo destinatário – público alvo -, por meio de uma entrega direta, bem explicada e inclusiva para pessoas com deficiência. 

O que a diferencia da comunicação tradicional são os recursos utilizados ou disponibilizados, seja em plataformas digitais (sites e comerciais na televisão, por exemplo), ou em estabelecimentos (como museus e exposições). 

Alguns exemplos de recursos usados são: um intérprete de Libras ao lado de um comercial de vídeo em português, a audiodescrição em vídeos, a descrição de imagens em anúncios fotográficos e a disponibilização de textos em braille em monumentos e museus. 

Qual é a Importância da Comunicação Inclusiva nas Mídias Digitais?

Atualmente, com a globalização e o avanço da tecnologia, é possível ter acesso a tudo o que se deseja pelo toque em uma tela de celular. Porém, o que é muito fácil para algumas pessoas, acabou se tornando um desafio para tantas outras.

Já pensou em não conseguir acessar aquilo que você precisa porque muitos sites não são feitos pensando na acessibilidade? Ou seja, muitos não possuem recursos de audiodescrição, legendas ou Libras em seu conteúdo, por exemplo. 

Só de imaginar uma situação como essa, já fica fácil entender a importância da presença da comunicação inclusiva nas mídias digitais, uma vez que a sua existência permite a participação igualitária de todos os usuários da internet.

Para que a comunicação inclusiva possa ocorrer nas mídias digitais é necessário estar atento a acessibilidade em três âmbitos diferentes:

1- Acessibilidade no Canal Midiático – vídeo, site e propaganda

Buscando garantir que todos consigam acessar e consumir o conteúdo disponibilizado, procure deixar o seu site acessível, por meio, por exemplo, da ativação da função “legenda” nos vídeos. Outra medida é a de usar a descrição de imagens, para que os programas leitores de tela as identifiquem e permitam ao deficiente visual, saber o que está sendo mostrado visualmente no site. 

2- Acessibilidade na Mensagem

Deve-se garantir uma linguagem inclusiva e representativa, que possibilite a compreensão do conteúdo por todos os que acessarem.

Algo muito discutido, hoje em dia, é a utilização do X e/ou do @ no lugar do “O” – desinência de gênero – nas palavras como “todOs – tod@s e todXs”, que na língua portuguesa generalizam usando o gênero masculino. 

Essa ideia surgiu de grupos que buscam uma linguagem neutra e não sexista, porém, quando grafadas dessa maneira, as palavras se tornam impronunciáveis – geram dificuldade de compreensão em pessoas disléxicas, por exemplo –  além de não poderem ser incorporadas na fala. E, como consequência, não são reconhecidas e lidas pelos programas de leitura de tela, utilizados por muitos deficientes visuais.

Portanto, para uma comunicação com foco na acessibilidade, deve-se manter o uso tradicional das palavras segundo a norma padrão da língua portuguesa.

Ainda no âmbito da norma padrão da língua portuguesa, deve-se evitar o uso de gírias e abreviações de palavras em textos, pela mesma razão.

3 – Acessibilidade nas Imagens

É recomendável buscar fazer com que as imagens escolhidas e divulgadas representem diferentes tipos de pessoas, evitando abordar somente o padrão imposto pela mídia comum.

A Comunicação Inclusiva na Constituição Brasileira

Vamos exemplificar partindo da LIBRAS e da inclusão comunicativa de surdos pela constituição do Brasil.

Como a LIBRAS não é reconhecida como língua oficial do Brasil, não há na constituição qualquer tipo de lei que sirva como forma de incentivo às instituições privadas para que haja uma comunicação inclusiva.

O que há na Constituição Brasileira é a Lei nº 10.436, de 2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS como “meio legal de comunicação e expressão”, porém, ainda não dando a ela posição de destaque como idioma oficial do país, por meio, por exemplo, do que é afirmado no art 4º parágrafo único: “A Língua Brasileira de Sinais – Libras não poderá substituir a modalidade escrita da língua portuguesa.”

Percebe-se, com isso, que o uso da língua brasileira de sinais é garantida pelo governo e na constituição, por exemplo, em atendimentos médicos em postos de saúde públicos, como também há a garantia de intérpretes em sala de aula, além da criação do curso “Letras – LIBRAS” e da obrigatoriedade do estudo da língua de sinais por todos os alunos de cursos de Licenciatura em universidades brasileiras reconhecidas pelo MEC. Acontecimentos esses que, de fato, são marcas de progresso e de avanço na realidade brasileira, mas ainda não são suficientes para suprir todas as necessidades existentes.

Portanto, é possível notar que a garantia da LIBRAS na constituição é mínima, acontece de forma a garantir e assegurar a sobrevivência e o convívio (mesmo que precário) dos deficientes auditivos em sociedade, porém, ainda os obrigando a dominar a língua portuguesa. 

Com essa breve análise, podemos perceber a ausência da garantia da comunicação inclusiva na constituição brasileira. E, se essa falta da garantia dos direitos de uma comunicação mais inclusiva e consciente acontece com a LIBRAS, amplamente utilizada pela comunidade surda do Brasil, com as outras minorias não é diferente.

E aí, você já conhecia a comunicação inclusiva? Conhece alguma empresa que está sempre à frente, procurando manter as suas mídias digitais acessíveis a todos os usuários?

Fonte: Guia de Rodas

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