Prevenção de lesões por pressão em pessoas com lesão medular

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por Pollyanna Carneiro

A lesão por pressão (LP) pode ser uma complicação importante que ocorre em pessoas com lesão medular (LM), pois compromete o processo de reabilitação, influencia nas atividades sociais e na qualidade de vida, além de aumentar os custos com o tratamento.

Após a ocorrência de uma LM pode ocorrer uma série de alterações na pessoa:

A sensibilidade é perdida e se os músculos não são utilizados, eles ficam menores e mais fracos, reduzindo o amortecimento natural de proteção sobre as áreas ósseas;

Pode ocorrer ganho de peso e maior pressão sobre a superfície ou emagrecimento acentuado e menor amortecimento entre os ossos e as superfícies em contato;

Impedimento dos nervos enviarem mensagens entre o cérebro e a pele causando a diminuição do fluxo de sangue e oxigênio nesta;

Complicações no controle do intestino e da bexiga, causando perdas e aumentando o contato de umidade com a pele;

As tuberosidades isquiáticas são os ossos que ficam em contato com os músculos do glúteo quando sentamos, tornando-se achatadas com o tempo nas pessoas que usam cadeira de rodas;

A dor crônica pode ser um grande problema para a mudança e movimentação de posição, que passam a ser evitadas pela pessoa.

A LP ocorre quando há uma pressão intensa e/ou prolongada em combinação com o cisalhamento (a pele se move para um lado e o tecido abaixo se move na direção oposta). Inicialmente aparece como uma área avermelhada, que ao ser pressionada não embranquece. Na pele negra pode não estar visível, porém apresentar alterações de temperatura e textura. O dano pode estar localizado na pele e/ou tecidos abaixo dela.

Quanto mais profunda for a lesão mais difícil será o tratamento, por isso são tão importantes as orientações quanto aos cuidados adequados com a pele e a prevenção da LP. Desta forma, siga as dicas abaixo:

  • Verificar diariamente a pele procurando por áreas avermelhadas, hematomas ou qualquer mudança de coloração, mudanças na textura, erupções cutâneas, ressecamento ou inchaço, crostas e bolhas;
  • Usar um espelho com cabo longo para auxiliar nas verificações, quando feita pela própria pessoa ou contar com o auxílio de um familiar ou cuidador;
  • Manter a pele limpa e seca constantemente, principalmente após eliminações de fezes e urina;
  • Aplicar hidratantes na pele, principalmente após o banho;
  • Não massagear áreas de proeminências ósseas e/ou áreas avermelhadas durante a hidratação da pele;
  • Proteger a pele da exposição à umidade excessiva através do uso de cremes barreira e pomadas específicos para assadura;
  • Alimentar-se e ingerir líquidos adequadamente;
  • Incorporar as rotinas de redistribuição de peso nas atividades diárias;
  • Aliviar a pressão durante 1-2 minutos e redistribuir o peso a cada 15 minutos quando estiver sentado;
  • Utilizar uma superfície de redistribuição de pressão como almofadas apropriadas de viscoelástico, por exemplo. Não é recomendável a utilização de dispositivos recortados em forma de anel ou luvas cheias de água;
  • Ajustar a cadeira quando estiver sentado de modo que os pés cheguem ao suporte evitando que o corpo deslize para fora da cadeira;
  • Restringir o tempo sentado na cadeira sem alívio de pressão, pois o peso do corpo causa um aumento de pressão localizada na região glútea;
  • Escolher roupas com tecido respirável que não acumule muito calor e umidade. Evitar costuras, botões espessos, zíperes e bolsos que podem se tornar pontos de pressão;
  • Utilizar sapatos um tamanho maior para não causar pressão na região dos pés e verificá-los frequentemente;
  • Sustentar o corpo inteiro com apoio “PUSH-UP” é uma maneira de mudar a posição para conforto, alongamento e correção da postura;
  • Inclinar para o lado (para alternar a pressão de uma nádega de cada vez) ou inclinar para frente ou ainda levantar cada perna longe da cadeira de rodas (para diminuir a pressão das costas e dos joelhos);
  • Realizar movimentação passiva e o repouso na cama ao longo do dia para aliviar a pressão local mudando o posicionamento a cada 2 horas, para pessoas que não tem força muscular;
  • Certificar-se que não há desgaste no colchão;
  • Manter roupas de cama bem esticadas, quando em repouso no leito.
  • Levantar os calcanhares ao deitar-se com uma almofada ou deixá-los descansar sobre a borda do colchão;
  • Não levantar a cabeceira da cama mais de 30 graus de maneira a evitar o cisalhamento (escorrer na cama);
  • Reduzir a pressão dos joelhos e quadris com almofadas ou travesseiros.

Pollyanna Carneiro é Enfermeira Estomaterapeuta titulada pela Associação Brasileira de Estomaterapia – SOBEST, coordenadora da Unidade de Estomaterapia do Hospital do Servidor Público Estadual – IAMSPE e secretária da SOBEST (gestão 2018-2020). Tem especialização em Gestão da Qualidade e Segurança do Paciente atuando principalmente na gestão em estomaterapia, assistência e no ensino.

Referências:

Bowman, T. Preventing and treating pressure sores: A guide for people with spinal cord injuries. Spinal Cord Injury. Ontario; 2015. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Pessoa com Lesão Medular, 2 ed. Brasília; 2015.

Fonte: Revista Reação

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