Intérpretes de Libras: o que fazem e qual a sua importância na comunidade surda?

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A gente sempre conta aqui no Blog do Hugo fatos e curiosidades interessantes sobre a comunidade surda e, por isso, não poderíamos deixar de falar sobre um profissional que tem papel fundamental dentro dela: o intérprete de Libras. 

Sejam surdos ou ouvintes, os intérpretes de Libras são responsáveis por facilitar a comunicação de maneira neutra, garantindo o acesso à informação para a pessoa surda que se comunica por meio da Língua Brasileira de Sinais. 

É muito comum vermos a participação desses profissionais em propagandas eleitorais e comunicados federais, mas eles estão mais presentes na vida dos surdos do que se imagina. A atuação dos intérpretes de Libras é necessária também em escolas, eventos culturais e até mesmo em consultas médicas. No entanto, para que a pessoa realize esse tipo de trabalho é necessário que ela possua qualificação adequada e especialização na área em que atua (corporativa, jurídica, cultural, entre outras). Além disso, pelo fato da Libras ser uma língua viva, ela constantemente passa por melhorias e formação de novos vocábulos, e é aí que o profissional que está sempre atualizado se destaca.

Por que o intérprete de Libras é tão importante?

A maioria dos surdos tem a Língua Brasileira de Sinais como sua língua materna e fazem o uso dela para se expressar. Você pode estar pensando: “mas se eles enxergam, porque eles não se comunicam com os ouvintes escrevendo em um papel ou lendo os conteúdos que encontram disponíveis?” Além de ser inconveniente, por não respeitar a língua utilizada pela pessoa surda, isso se torna inacessível, pois uma grande parcela dessa comunidade possui dificuldades com o português e depende da Libras para obter informação. Isso não quer dizer que sejam analfabetos ou que não conheçam o português, mas acontece que por serem línguas distintas, inclusive na sua estrutura gramatical, os surdos dão preferência por se comunicar na sua língua mãe. Assim, os intérpretes de Libras se tornam indispensáveis.

Quando uma empresa ou organizadores de eventos contratam esses profissionais, eles estão possibilitando que as pessoas que fazem o uso da Língua Brasileira de Sinais acompanhem tudo o que está sendo dito ou exibido da mesma forma como os demais, proporcionando inclusão e acesso à informação e, consequentemente, engajando a marca na construção de uma sociedade mais igualitária.

O tradutor e o intérprete de Libras são a mesma coisa?

É muito comum as pessoas acreditarem que traduzir e interpretar são a mesma coisa, mas existe uma grande diferença nessas ações. O tradutor é responsável pela tradução de uma língua escrita. Tradutores de Libras convertem, por exemplo, conteúdos de livros e documentos do português para a Língua Brasileira de Sinais. Já o intérprete está envolvido nas línguas sinalizadas ou faladas, ou seja, nas modalidades visual-espacial ou oral-auditiva. Enquanto alguém está fazendo uma palestra em língua portuguesa, por exemplo, os intérpretes de Libras traduzem em tempo real o que está sendo apresentado. Do mesmo modo, ele pode interpretar para a língua portuguesa o que um surdo está sinalizando, possibilitando que um ouvinte que não conhece Libras entenda o que está sendo falado. 

Vale lembrar que o trabalho desses profissionais não é restrito apenas à Libras. Existem outras línguas de sinais em todo o mundo, afinal não existe uma língua de sinais universal! Uma muito utilizada e bem conhecida é a Língua de Sinais Americana (ASL, na sigla em inglês), que só nos Estados Unidos está presente na comunicação de 500 mil à 2 milhões de pessoas. Países como Filipinas, Porto Rico, República Dominicana e em algumas partes do Canadá e México também fazem o uso dela. Alguns intérpretes de Libras aqui no Brasil também aprendem essa língua como um grande diferencial em seus trabalhos. 

O Hugo é um intérprete de Libras?

Não. Existe uma outra modalidade de tradutores, chamados avatares ou tradutores virtuais. O Hugo é o tradutor virtual da Hand Talk que, por meio de inteligência artificial, converte conteúdos de texto para Língua Brasileira de Sinais. Ele está presente onde o intérprete de Libras humano encontra algumas dificuldades, como sites, portais e blogs, em que existe um grande volume de informações, que, em muitos casos, são atualizadas o tempo todo. Imagine como seria para uma empresa contratar um intérprete para fazer a sinalização de todo o conteúdo de seu site e toda vez que alguma informação fosse atualizada precisasse acioná-lo para sinalizar novamente? E o espaço para hospedar todo esse material? Seria um trabalho bem complexo, não é mesmo? É aí que o Hugo entra em cena!

Sabemos que nada pode substituir o contato humano e nem é esse o nosso objetivo, mas com o Hugo nos sites, a acessibilidade digital em Libras é uma realidade. Mesmo que o tradutor virtual seja diferente de um intérprete de carne e osso, ele colabora para um mundo digital mais acessível para as pessoas surdas que se comunicam por meio dessa língua. Como menos de 1% dos sites no Brasil estão acessíveis para as pessoas com deficiência, iniciativas como essa já quebram grandes barreiras. Esse é um trabalho que complementa e não exclui de forma alguma o dos intérpretes de Libras!

Respeitamos e admiramos muito a atuação desses profissionais e contamos com eles no nosso dia a dia por aqui na Hand Talk. São eles que validam nossos conteúdos em Libras, abastecem o “cérebro” do nosso querido Hugo com novos sinais e fazem ajustes, quando necessário. Eles também intermediam a comunicação entre os surdos e ouvintes, que ainda não sabem Libras, dentro do time. Temos só amor por essa profissão 🧡 

Seja no mundo online ou offline o acesso à informação é um direito de todos. E agora você já sabe com quem contar, em cada um desses espaços, para tornar seus conteúdos acessíveis à comunidade surda.  

Fonte: Hand Talk

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