A qualidade de vida das famílias de pessoas com deficiência

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Luciana Novais


Por: Luciana Novais – Primeira vereadora tetraplégica do Rio de Janeiro e Presidente da Comissão da Pessoa com Deficiência da Câmara Municipal

Desde que me tornei tetraplégica, tenho tido a oportunidade de conhecer muitas famílias de pessoas com deficiência, onde posso trocar experiências e descobrir muitas semelhanças e diferenças em nossas rotinas. Mas uma coisa é quase unânime em todos os casos: as principais atenções estão voltadas somente para a pessoa com deficiência, por motivos óbvios, mas muitos familiares e responsáveis deixam de se cuidar neste processo, e não recebem nenhum tipo de acompanhamento. São inúmeros os relatos que recebo sobre a falta de uma forma de apoio, principalmente psicológico, para estas pessoas.

A atenção que a pessoa com deficiência precisa, os altos gastos financeiros e os cuidados exigidos podem alterar completamente a rotina das famílias, sobrecarregando um ou mais membros que, geralmente, se dedicam grande parte do dia à pessoa com deficiência, não sobrando tempo ou recursos para que eles próprios se cuidem, prejudicando sua própria saúde física ou mental.

Hoje em dia, estamos conseguindo conquistar grandes avanços nas políticas públicas voltadas para as pessoas com deficiência (apesar de ainda termos muito trabalho pela frente). Porém, não podemos nos esquecer dos familiares, que também precisam de políticas claras de amparo, possibilitando o cuidado com suas próprias vidas e bem-estar. Para que se consiga uma qualidade de vida melhorada para estas famílias, é essencial que haja um suporte psicológico, inclusive na forma de lidar com sentimentos negativos que possam se manifestar, como medo, ansiedade, aflição ou até mesmo na incidência de sinais de depressão.

Diante dessa necessidade iminente, iniciei uma luta pelo acesso destas pessoas ao atendimento da rede pública municipal, através do Projeto de Lei nº 783/2018, que prevê que o Poder Público Municipal deverá disponibilizar atendimento psicológico para os responsáveis, atendentes pessoais e familiares das pessoas com deficiência, preferencialmente, no mesmo dia, horário e equipamento que o ente familiar ou assistido. Desta forma, estaremos lutando pela melhora da qualidade de vida dos familiares, responsáveis e atendentes pessoais de pessoas com deficiência, para que eles possam se dedicar ainda mais a esta incrível missão que lhes foi dada.

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