Desreipeito de uma empresa de transporte a uma cadeirante

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   Queridos leitores e seguidores, no início do mês de agosto recebi um email da Carol Santos, cadeirante e moradora de Porto Alegre, RS. Ela foi desrespeitada pela empresa de transporte Belém Novo. Além dos poucos ônibus adaptados, os funcionários estão desrespeitando as pessoas com deficiência não tratando com dignidade os mesmos.
    Este relato infelizmente reflete o que acontece diariamente no Brasil não só no transporte, mas em todas as áreas, mostrando que as leis não são cumpridas pela maioria das empresas e nem pelos órgãos públicos que deveriam ser os primeiros a dar exemplos.
   Lamentavelmente temos que fazer como a Carol, protestar, falar e recorrer ao judiciário para tentar ter os seus direitos garantidos.
   Faça como ela, fale, peça, grite se for preciso, pois precisamos realmente ter nossos direitos garantidos e respeitados por todos.
   Abaixo segue o relato da Carol contando o que aconteceu com ela no dia 09/08/12.
 
   “No dia 09/08 estava na parada esperando o ônibus adaptado, pois tinha um compromisso as 10:00 hr. Fui surpreendida ao ver o ônibus normal e então perguntei para o motorista o que tinha acontecido. Ele me disse que não tinha ônibus na garagem. Pensei: como assim se o horário é de um carro adaptado? Liguei na mesma hora e falei com o fiscal cobrando que fosse mandado um carro adaptado, pois tinha um compromisso. O mesmo pediu que eu aguardasse na parada. Logo o onibus chegou e fui para meu destino. Mas conversando com o motorista que me conhece de anos, o mesmo me relatou que o fiscal que foi gentil comigo pelo telefone tinha dito que eu não pegava todos os dias, ou seja não teria porque a empresa se preocupar em colocar um carro adaptado como se eu tivesse que sair de casa todos os dias porque eles colocam um ônibus adaptado saio de casa quando necessário e não quando querem que eu saia. A opinião deste fiscal é absurda a pessoa sai de casa quando quer e ter carro adaptado circulando é direito de quem precisa.
    Fui no meu compromisso, passei o dia na rua e a tarde fui para a parada que fica na Uruguai pegar o ônibus que sai as 18:00 do centro, mas quando cheguei percebi que havia um senhor esperando também pelo mesmo ônibus. Então pensei: terei que ir no corredor como acontece de costume, já dividi espaço com três cadeiras no corredor por ter poucos horários e todos utilizarem o mesmo ônibus. Os funcionários embarcaram o senhor e quando chegou a hora de eu subir o cobrador me olhou e me disse que eu não poderia embarcar por ter só um lugar. Eu ri e perguntei: como não poderei subir se só tem este horário e o próximo será as 21:00hs? Muito tempo pra quem tinha ficado o dia todo na cadeira e só queria ir pra casa descansar.
   Na mesma hora foi chamado o fiscal que me disse que eram regras. O fiscal conversou com o senhor que já havia entrado e ele se negou a descer e pegar outro ônibus pois iria descer no caminho e pegar qualquer Restinga. O fiscal me pediu que eu subisse no ônibus que estava encostado atrás, que o motorista do Belem Novo Hipica ficaria me esperando no local onde o senhor desceria. Disse para eles que eu não teria outro ônibus e me deram a palavra. Quando cheguei no local quem disse que estavam lá, tive que ficar horas esperando pelo próximo.
    Como a empresa vai me impedir de ir pra casa? Será que terei que tirar par ou impar quando houver outro cadeirante que more no bairro para vermos quem vai para casa primeiro? E quando estiver sozinha a noite, pois estudo terei que ficar na rua se houver outra pessoa?
    Na hora de pagarmos os impostos, se não pagamos somos punidos e na hora de uma empresa respeitar quem usa cadeira de rodas ela não é punida? Cadê o direito de igualdade? Naquele dia me senti um lixo e não um ser humano. A empresa presta um péssimo serviço.
   Sou uma pessoa que tenho uma vida normal, estudo, trabalho, tenho compromissos e pelo fato de usar cadeira de rodas não posso fazer nada disso? Estou sendo descriminada pela empresa de transporte Belem Novo.”
   Luto tanto pelo direito de acessibilidade. Uma rampa mal feita, uma rua sem rampa, calçada inacessíveis. Todos me impedem de ir e vir se não forem acessíveis e é, o que eu mais enfrento todos os dias ao sair de casa e me aventurar pelas ruas da nossa capital.
    Me vejo como uma maratonista que todos os dias ao sair de casa tem que ter espirito de esportista. Ainda bem que não sofro de depressão, se não coitado do psicólogo."

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3 comentários:

  1. Oi Fernanda sou muito amiga da Carol e todos os dias saimos juntas pelas ruas de POA e estava com ela este dia você nem imagina nossa revolta, ela é muito guerreira e luta mito pelo inclusão aqui.
    Agradeço a voce por ajudar a mostrar o desrespeito na cidade que é considerada mais acessivel do Brasil.
    Josiane França.

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  2. Oi Josiane, infelizmente as pessoas com deficiência ainda sofrem muito no Brasil. Então temos q continuar lutando pelos nossos direitos, pois realmente precisamos deles. Obrigada pelo carinho. Volte sempre. Bjos

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  3. Olá Guilherme, muito obrigada pelo comentário, muito informativo e enriquecedor.
    Infelizmente temos muito a melhorar no quesito acessibilidade no Brasil e no mundo. Mas espero que as leis sejam cumpridas por todos para cada vez mais pessoas com deficiência possam sair de casa sem ter que passar por inúmeras barreiras arquitetônicas e atitudinais.
    Volte sempre.
    Abraço

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