Treinamento ensina cegos a aproveitar ajuda do cão-guia

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Curso de 200 horas capacita o deficiente visual a usar o animal como mecanismo de apoio à locomoção.

   A utilização do cão-guia como um instrumento de promoção da acessibilidade dos cegos. Esse foi o objetivo da demonstração ocorrida ontem, durante Curso de Orientação e Mobilidade promovido pela Associação de Cegos do Estado do Ceará (Acec), em parceria com a Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS).
    Nas principais metrópoles do País, como São Paulo e Brasília, a prática do cão-guia já ganha força, funcionando como mecanismo de apoio à locomoção do cego, que visa obter sua autonomia com maior segurança, inclusive, evitando sofrer acidentes. No Ceará, essa utilização ainda está se iniciando.
  No início da noite de ontem, frequentadores e orientadores do curso de orientação e mobilização (deficientes visuais, pais, professores e representantes da comunidade) participaram da experiência de utilizarem o cão-guia, no trajeto da sede da Acec, nas proximidades do início da Av. Bezerra de Menezes até o North Shopping. Os professores Flávio Duarte e Josué Felício, ambos deficientes visuais, comandaram treinamento para os demais integrantes do curso.
    Flávio Duarte veio de São Paulo especificamente para participar do curso na Acec. Possuidor de larga experiência no trato com cão-guia, afirmou que existem raças de cães, como labrador, poodle e pastor alemão que são preferenciais, no entanto, o cão mestiço (nosso comum vira-lata) também pode ser usado como cão-guia.
    Em sua opinião, hoje, o custo de um cão-guia pronto para a prática atinge à faixa dos R$ 25 mil. Segundo ele, para que um cão possa estar apto a ser um guia, é necessário um trabalho em fases que demanda cerca de um ano e meio. "Existe uma série de fatores que influem no processo de formação do cão-guia. Primeiro, a escolha do animal. O cachorro tem de possuir características apropriadas à função que vai desempenhar. Não pode ser medroso e curioso, deve ter o equilíbrio entre esses fatores. Não temer barulho e surpresas. Após a fase de socialização e convívio, ele é ainda submetido a avaliação, se realmente pode se tornar guia para cego. E, no último estágio, ele se submeterá à adaptação com o cego que conduzirá. Aí entra a compatibilidade com o futuro usuário", explicou.
   "Cada cão tem o seu perfil. Um é farejador, outro, de guarda e outro guia", acrescentou Flávio Duarte.
   Com relação ao elevado custo para formar um cão-guia, o professor diz que o problema não está no poder aquisitivo, mas, sim, na cultura do povo.
   "As empresas recebem incentivos de isenção por parte do Governo, para aquisição e promoção de treinamentos de animais que servirão para este fim. Entretanto, é preciso conscientizar a empresa de que o papel que ela está prestando não é simplesmente propiciar um treinamento de um cachorro, mas sim, oferecer a oportunidade para um cego conseguir sua autonomia, ter uma vida mais independente e ser incluído socialmente", finalizou.

Independência
   Já o técnico educacional do Projeto Garantindo a Acessibilidade, concebido pela STDS e o qual o curso está inserido, Josué Felício de Oliveira, falou da importância dessa iniciativa em promover o curso e também a demonstração com o cão-guia.
   "Uma iniciativa valiosa, em que mais uma alternativa é mostrada para os cegos busquem suas autonomias. O cego ainda está preso ao uso da bengala e precisa de novas opções. A alternativa do cão-guia é importante também como instrumento de independência", acrescentou.

Curso  
   A Acec iniciou o curso de orientação e mobilização, ministrado em sua sede, no último dia 17 de setembro e com término previsto para 17 de novembro. O curso é constituído de 200 horas/aula e é destinado a cegos, pais e professores. São 16 integrantes que recebem ensinamentos sobre técnicas de locomoção interna (casa) e externa (rua) e acesso a determinados ambientes e como ultrapassar obstáculos.
   A STDS desenvolve o projeto "Garantindo a Acessibilidade", que é o responsável pelo apoio à realização do curso da Acec. O objetivo do programa é contribuir para consolidar a política de geração de emprego, trabalho e renda do Governo do Estado, especialmente para o programa Ceará Acessível, que engloba várias ações na questão da acessibilidade.
  O projeto é articulado com outras políticas públicas, com a perspectiva de fortalecer a cidadania e a ampliação das oportunidades de inserção dos cidadãos com deficiência, em situação de vulnerabilidade social e econômica no mercado de trabalho informal e formal.
   Com base no modelo de gestão compartilhada entre os poderes Estadual e Municipal, o projeto conta com a participação de instituições públicas e privadas e entidades e para pessoas com deficiência, capazes de responder às transformações no mundo do trabalho e às peculiaridades da força de trabalho deste público.

Duração e Custo
   18 Meses é o período estimado de duração para que um cachorro possa se tornar um cão-guia. É preciso o cão ser treinado em quatro fases até que ele fique adequado a seu usuário.   
   30 mil Reais é o valor aproximado que se deve gastar para obter um cão-guia. Incentivos fiscais fazem parte da parceria público-privada para viabilizar o treinamento. 

Fonte: Diário do Nordeste - 18/10/2011

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