Aprender libras pode virar profissão e meio de ajudar outros

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   Não foi fácil estudar. Adriana Moreira Oliveira Dias, atualmente com 35 anos, nasceu surda e foi encaminhada à escola de ouvintes pela família. Ela sempre se esforçou para acompanhar o conteúdo mesmo quando os professores se viravam e esqueciam que ela apenas compreendia o conteúdo por meio da leitura de lábios. Buscar cadernos de colegas era o jeito para contornar a situação.
   Mas depois de se envolver com um garoto na escola, como qualquer adolescente normal, a família entendeu que toda a situação era complicada demais e achou que era preciso proteger Adriana. Esse tipo de proteção, que acaba por isolar as pessoas com deficiência, ainda é algo recorrente na sociedade brasileira. As famílias temem que uma pessoa com deficiência auditiva, por exemplo, não escute a buzina de um carro e acabe por ser atropelada, explica ela.
   A decisão da mãe de Adriana, no entanto, apenas a afastou de um lugar no mercado de trabalho. "Minha mãe é do campo, tem uma cultura muito diferente. É o jeito dela de me proteger", diz. A grande mudança na vida de Adriana, no entanto, se deu depois que aprendeu Libras (a língua brasileira de sinais), aos 30 anos. A linguagem era proibida e mal vista no Brasil até pouco tempo. Considerada uma língua inferior, as pessoas com deficiência auditiva muitas vezes eram impedidas de usá-la.
   Mas o contato com Libras e com outras pessoas surdas foi algo muito importante na vida de Adriana, que abriu novos horizontes. Depois de decidir que queria ser mais que dona de casa, Adriana completou o ensino médio em um supletivo noturno, aprendeu Libras e matriculou-se em um curso superior. A experiência de cursar a faculdade não foi fácil. Enquanto ela conversava em libras com uma colega também deficiente auditiva, observava outros alunos gesticulando imitando macacos, insinuando que ela era menos humana que eles.
   Adriana não desistiu. Ela foi à coordenação da universidade que a apoiou na criação de uma apostila sobre as pessoas com deficiência auditiva e sobre libras. Foi assim que conseguiu reverter o preconceito de muitos colegas. Agora, Adriana está prestes a se formar. Seu próprio processo de inclusão social e educacional a fez entender que este não deve ser um direito para poucos, mas universal e experimentado por todos os demais deficientes auditivos. Assim, ela agora se prepara para lecionar. Estuda o ensino de libras e pretende conseguir sua colocação no mercado de trabalho dessa forma, sendo uma profissional pela inclusão dos demais.

Fonte: http://invertia.terra.com.br/terra-da-diversidade/

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