Bailarino surdo cria grupo de dança em Libras

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Um dançarino está desafiando todas as probabilidades em busca de um sonho. Surdo de nascença, Maycon Calasancio, de 28 anos, decidiu fundar um grupo de dança contemporânea totalmente em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

Para auxiliá-lo na jornada, Maycon ganhou apoio das dançarinas Aline Moura, de 21 anos, e Janaína Almeida, de 22. Ao lado delas ele fundou o grupo Senserit 3, cujo propósito é unir a dança com Libras.

“Combinamos os sinais que dialogam com os sentidos da coreografia. Trabalhamos muito as temáticas em volta da surdez, como a acessibilidade e a luta social. Expressamos na dança o que nós passamos, o que significa nossa vida”, contou Maycon em entrevista ao Correio Brasiliense.

Tanto Aline como Janaína são fluentes em Libras. As duas conheceram o dançarino durante uma oficina ministrada pelo rapaz em 2018. Desde então, passaram a admirar sua trajetória e decidiram ajudá-lo.

Os três conseguiram encontrar um espaço gratuito em Taguatinga, localizado a 25 km de Brasília. O local está sendo utilizado para ensaios do grupo, onde são feitas coreografias capazes de unir a dança e as libras.

“Como nosso objetivo é valorizar a cultura surda, não falamos em português nem durante os exercícios. Nossas conversas acontecem em língua de sinais, para que a identidade deles seja respeitada”, explicou Aline.

Além de se apresentar em eventos e exposições, o grupo pretende levar sua arte para escolas. “A bailarina Maria Fux diz que o mundo do silêncio existe e ele é experienciado pelos indivíduos surdos na sua forma mais profunda, porque eles podem sentir o ritmo da própria respiração, da própria circulação sanguínea… de uma forma que ouvintes não conseguem. Assim, eles conseguem transformar seu próprio movimento em dança”, completou Aline.

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