08/11/2017

'Fiquei muito feliz', diz candidato com deficiência auditiva sobre redação do Enem

Com ajuda de aparelho, Felipe Jones tem 80% da capacidade auditiva | Katna Baran

Por Katna Baran, de Curitiba

O estudante Felipe Jones, de 20 anos, saiu sorrindo do primeiro dia de provas do Enem, na PUC-PR, em Curitiba. Ele é deficiente auditivo desde que nasceu e, com a ajuda do aparelho, tem 80% da capacidade auditiva.

Por possuir bom nível de oratória e audição, ele não precisou fazer a prova com assistência da linguagem de libras, novidade nesta edição do teste. Mesmo assim, se sentiu representado com o tema da redação do Enem.

— Não sei se isso vai fazer com que as pessoas mudem a visão sobre nós, mas é um grande passo na representatividade — diz o estudante, que relata ter sofrido bullying na infância e, até hoje, se sente discriminado em alguns lugares. — Na semana passada mesmo fui ao shopping e fui muito mal-tratado por um funcionário só por causa do meu aparelho. Outro dia fui lá novamente, com meu pai, para alertar o gerente sobre o comportamento dele. Um indivíduo pode estragar uma visão de sociedade.

Para ele, que faz parte de um clube de futebol para surdos, é necessário que as pessoas aprendam mais não só sobre a deficiência auditiva, mas sobre as dificuldades que passam outros deficientes.

— Tenho um amigo que está cursando várias faculdades ao mesmo tempo. Muito inteligente. E é totalmente surdo. Nós somos pessoas normais, tanto eu, que tenho maior capacidade de audição e oratória, como os que não as possuem — desabafa.

Com a nota do Enem, Felipe pretende cursar Engenharia Mecatrônica.

— Fiquei muito feliz — resume sobre o tema da redação.

Em todo o Estado do Paraná, foram realizadas 90 videoprovas.

Fonte: O Globo
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