27/11/2015

Professores treinam para lidar com deficiências em escolas inclusivas

Terceiro episódio da série de reportagens sobre a educação inclusiva
mostra a importância de se colocar no lugar do outro.

Na terceira reportagem da série que o Jornal Nacional apresenta sobre a inclusão de crianças com necessidades especiais em escolas comuns, a Sandra Passarinho mostra a importância de se colocar no lugar do outro.

Mãe: Ela vai todos os dias pra escola.

Repórter: Vai sempre com transporte da escola?

Mãe: Da escola.

O esforço para a Suelen chegar à escola é grande, como é o prazer em estar lá.

Repórter: O que você gosta de estudar?

Suelen: Gosto mais da matemática.

Na escola municipal, ela também aprende a gostar de si mesma.

Repórter: O pessoal na escola fala alguma coisa quando você vem maquiada?

Suelen: Eles falam que eu sou muito bonita com maquiagem. E gostam também.

É possível sentir o que sente um aluno com deficiência, graças a um dos trabalhos desenvolvidos no Cefai, o Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão, da Prefeitura de São Paulo.

Repórter: Qual é a sensação que te dá ao estar na cadeira de rodas?

Professora: Emoção. E gasta muito energia.

Lá, professores treinam outros professores para educar a sensibilidade.

"É uma sensação muito angustiante não conseguir enxergar, não conseguir observar o que está ao nosso redor", afirma uma mulher.

O grupo se prepara para fazer uma simulação, lidando com a deficiência auditiva.

“Quando você começa a trabalhar com a pessoa que tem deficiência, você tem dó. Eu falo que cada um não precisa ser especialista, mas se você tiver o olhar e tentar fazer alguma coisa, a gente constrói uma sociedade melhor, mais justa e mais inclusiva pra todo mundo”, diz a professora Ana Lucia Ferreira de Lima.

Uma prática adotada na escola inclusiva é fazer com que alunos que não tem uma deficiência dialoguem com alguns colegas incluídos na linguagem que eles entendem. A reportagem mostra uma aula de libras.

A aula prática de capoeira é inclusão em uma escola em Campo Grande, onde se aprende a driblar os limites do corpo.

“A gente como mãe de criança especial, eu era um pouco cética. Tipo ‘eu só acredito vendo’”, lembra Raquel de Lima, mãe de Rafael Vinícius.

Raquel acabou vendo o que a capoeira fez pelo filho Rafael, de 16 anos, e por tantos outros jovens com deficiência.

"Ficou mais extrovertido e mais alegre também, porque a música contagia e ele gosta”, conta Raquel.

O professor Josimar acreditou nesses meninos. Ele é ligado a uma instituição que divulga a capoeira inclusiva no Brasil inteiro, e em 60 países.

"A diferença não é barreira, a diferença é que integra. Como um quebra-cabeça, as peças precisam ser diferentes pra encaixar. Se forem todas iguais, o quebra-cabeça não se forma", defende o professor Josimar de Araújo.

No lugar do ceticismo, entrou a crença na superação:


“Eu tenho dois filhos, e ele é minha inspiração. Acho que a gente nunca tem que desistir de nada. Não tem que esconder em casa, tem que mostrar. É exemplo. As pessoas precisam de exemplo”, diz Raquel.

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