04/05/2015

Corrida pela cura de lesões na medula reúne centenas em Brasília


Prova ocorreu em 33 países simultaneamente na manhã deste domingo



O medalhista Vanderlei Cordeiro de Lima, o ex-BBB Fernando e Daniela Cicarelli 
Foto: Marcelo Maragni / Divulgação


Se na Wings For Life World Run – prova de corrida disputada ao mesmo tempo em 33 países do mundo na manhã deste domingo – a linha de chegada pode ser várias, a qualquer quilômetro do percurso, o objetivo da iniciativa é apenas um: edições ocorrerão anualmente até que se descubra a cura das lesões da medula espinhal. Como? Todo o dinheiro arrecadado nas inscrições vai para pesquisas na área. 

– Não é só para chamar a atenção para a causa. É uma forma de como resolver, porque o dinheiro está indo todo para o problema. Aqui, a gente está indo direto na fonte – defende Fernando Fernandes, atleta de paracanoagem que sofreu um acidente de carro há seis anos e perdeu o movimento das pernas por uma lesão na medula espinhal. 

Não à toa o ex-BBB é um dos embaixadores da prova e participou da corrida que, no Brasil, ocorreu na capital federal. 

– O esporte sempre fez parte da minha rotina, mas depois do meu acidente, vi que era a ferramenta que precisava para mudar minha vida, mas também para mudar a vida de todo mundo. Pensei: "tô numa cadeira de rodas, numa posição que todo mundo me vê como um incapaz, o que eu vou fazer agora para quebrar essa barreira, para quebrar esse paradigma da sociedade? Esporte. Fazer o que ninguém espera que eu faça. Vou lá saltar de paraquedas sozinho, vou andar de motocross duas rodas, esquiar na neve, remar, vou surfar a pororoca... – revela.
 

Gaúcha é um dos símbolos da causa

Mas além de mudar estereótipos, Fernando espera que cada vez mais o estudo de células-tronco em humanos avance, algo que pode ser financiado pelos recursos da prova: 

– Vou ganhar com isso, mas muita gente que está atrás de mim vai ganhar muito mais. 

Neste domingo, Sabrina Ferri, gaúcha que perdeu os movimentos do pescoço para baixo em um acidente em um balanço que simula o surfe, na Praia do Rosa (SC), em 2008, participou da prova mais uma vez, empurrada pela irmã. Ela também tem se tornado símbolo da causa: 

– Esse ano teve o dobro de participantes, foi muito legal. 

Prova em formato diferente 

A disputa da Wings For Life World Run é global inusitada. Após 30 minutos da largada, um "carro perseguidor" (car catcher, em inglês) parte atrás dos corredores com velocidade determinada, que aumenta a cada hora. Quando um atleta era ultrapassado pelo veículo, a corrida terminava para ele. Nesta edição, o piloto do carro era Cacá Bueno. 

Quando o pentacampeão de stock car se aproximava, a adrenalina subia e os corredores aceleravam o passo, em um último gás, para não serem alcançados. Muitos elogiavam essa lógica da prova. 

Mas nem todo mundo correu para ser alcançado. Fernando, que se prepara para a copa do mundo de canoagem na Alemanha, daqui a três semanas, resolveu fazer apenas dois quilômetros em sua cadeira de rodas, pois precisava se poupar. 


Já o medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima, também embaixador da ação, disse que a participação dele foi além da expectativa: 


– Esperava correr 10 quilômetros, acabei correndo 13, em 43 minutos. Estou treinando muito pouco e sem tantas condições físicas, mas o mais importante é estar compartilhando com todas essas pessoas aqui essa grande causa.

Os últimos a serem alcançados vencem. Mas apenas um é o grande ganhador mundial. O vencedor masculino mais uma vez foi o etíope Lemawork Ketema, que correu 79,9 quilômetros na Áustria. Correram 68.791 pessoas no mundo todo. No Brasil, foram 4 mil inscritos, contra 1,7 mil no ano passado, primeira edição da prova. A próxima já tem data marcada: 8 de maio de 2016. 

Fundação Wings For Life


Sem fins lucrativos, é dedicada à pesquisa de lesões na medula espinhal. Desde 2004, a instituição financia projetos de pesquisa e testes clínicos pelo mundo. Recentemente, uniu forças a Fundação Christopher & Dana Reeve, que tem avançado no estudo de estímulo peridural – aplicação de uma corrente elétrica contínua, com frequências e intensidades variáveis, em locais específicos da parte de baixo da medula espinhal. Em estudo clínico, testarão 36 pacientes com lesão. 

– O estímulo peridural é usado para ativar os circuitos nervosos na medula para dar sinais que normalmente viriam do cérebro. Em termos mais simples, é um simulador que é colocado dentro do corpo e ligado à medula espinhal. O simulador é acionado por um controle remoto do tamanho de um smartphone. Quando o simulador está ligado, ele dá comandos como "mova minha perna esquerda", o que resulta em movimento. De certa forma, os pulsos elétricos "acordam" as células nervosas da medula espinhal.
 

*A repórter viajou a Brasília a convite da organização.

Fonte: ZH Vida
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