04/04/2015

Professores dão exemplo de como lidar com aluno com Autismo

Sophia Winkel – Nova Escola – 12/2014

O autismo é uma síndrome que afeta o desenvolvimento em três importantes áreas: comunicação, socialização e comportamento. Dentro das Desordens do Espectro Autista (DEA), a síndrome pode se manifestar de forma leve a severa e, normalmente, as alterações comportamentais já podem ser notadas nos primeiros anos de vida (até os 3).

Não há estatística oficial entre os brasileiros, mas especialistas acreditam que a proporção seja semelhante à encontrada em outros países: uma em cada 50 crianças tem o transtorno, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. 

Os professores podem ficar atentos às mudanças comportamentais, como comprometimento na interação social e na comunicação, além de interesses restritos e repetitivos. Mas não é responsabilidade da escola fazer o diagnóstico. “Se o docente observar esses comportamentos, deve falar com a coordenação pedagógica e com a família para encaminhar a criança para avaliações profissionais, com exames genéticos, neurológicos, psicológicos, pedagógicos, fonoaudiólogos, entre outros”, diz Isabela Barbosa do Rego Barros, pesquisadora na área de aquisição e desenvolvimento da linguagem, com ênfase em autismo.

O que cabe à escola é incluir a criança da melhor maneira possível. Na Lei nº 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, fica assegurado a ela o direito à Educação em todos os níveis de ensino. Garanti-lo não é tarefa simples: faltam profissionais habilitados, o número de alunos em sala é grande e ainda não há muitos conhecimentos consolidados sobre o tema. O que existe são bons exemplos de práticas pedagógicas que funcionaram em determinados contextos e podem ajudar o educador e refletir sobre o processo de inclusão.

OBSERVAR A CRIANÇA

Um exemplo interessante é a história de Arthur Silva Insaurriaga, 7 anos. Quando chegou à escola EEEF Olegário Mariano, em Porto Alegre, no início deste ano, o contato com os colegas e o tempo em sala eram uma tortura para o garotinho. “Ele gritava muito, recusava o toque e não ficava sentado durante a aula”, conta Clarissa Sombrio, professora da Sala de Recursos e responsável também por acompanhar o aluno em classe.

A educadora conta que, nos primeiros 40 dias, foi tentando descobrir como trabalhar com Arthur. Começou a observar as atitudes, buscando pistas. Notou, um dia, que ele sempre procurava um rádio que a professora titular usava em sala e guardava no armário. Foi então que a música virou uma grande aliada de Clarissa. Na sala de recursos, ela passou a intercalar as atividades propostas com as canções que Arthur tanto gostava. Gradativamente, a educadora foi diminuindo o tempo das músicas e aumentando o das atividades.

Maria da Paz Castro, especialista e formadora em inclusão, comenta as tentativas da professora: “Cada criança com autismo tem particularidades. É importante investigar ao máximo o que funciona com cada uma. É um processo complexo, com base na experimentação, de muitos erros e acertos. Por isso não existe uma receita”.

A música foi também uma ferramenta importante em sala de aula, ajudando o aluno a participar das atividades de alfabetização propostas. Clarissa sugeriu que ele usasse um fone de ouvido, mas a ideia não foi aceita. Ela passou, então, a colocar o rádio ao lado dele com o som bem baixinho. A estratégia ajudou o garoto a permanecer mais tempo em sala.

Os momentos de irritação ainda aparecem, mas com menor frequência. Quando o menino fica muito nervoso ou grita, a educadora e ele saem do ambiente, vão ao corredor e conversam até que se acalme e volte. “No começo, Arthur ficava muito pouco na classe, cerca de meia hora por dia.

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