15/04/2015

Pessoas com deficiência enfrentam dificuldades para obter CNH no interior de Goiás

Serviço especial só é oferecido na capital, tornando processo muito caro. Detran diz que não pode disponibilizar junta técnica para cada município.

Pessoas com deficiência física que moram no interior de Goiás reclamam das dificuldades em tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O serviço é oferecido apenas em Goiânia e, com isso, as despesas com viagem e hospedagem deixam o processo muito mais caro.

Dados da Associação dos Deficientes Físicos de Rio Verde (Adefirv), no sudoeste de Goiás, apontam que na cidade há cerca de 3 mil deficientes necessitam a CNH, mas não têm condições de ir até Goiânia para passar pelos testes. “A pessoa leva em torno de 20 dias para conseguir essa carteira em Goiânia e ela fica muito cara, um preço exorbitante para a pessoa com deficiência”, afirma o presidente da associação, José Carlos Queiroz.

O aposentado Silvio Gomes da Silva é morador de Rio Verde e uma das pessoas que enfrentam o problema. Em 2008, ele perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo após ser baleado. Silvio foi caminhoneiro por cerca de 20 anos e hoje não pode dirigir porque não tem a CNH especial.

Ele chegou a viajar 230 quilômetros e passou três dias na capital para fazer as provas. Os gastos com alimentação, hospedagem e transporte chegaram a R$ 800. Como ele foi reprovado nos testes, terá que repetir todo o processo.“O Detran de Rio Verde tem capacidade. Agora, eu não posso pagar pela deficiência do Detran que não tem uma junta em Rio Verde”, afirma.

Para a secretária Silmara Batista Rodrigues, os transtornos poderiam ser reduzidos se as autoescolas do município tivesse carros adaptados e os funcionários do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) na cidade também fossem aptos a realizar os testes. “Fica muito difícil porque fica muito caro. Se tivesse jeito de ter um carro, uma junta médica, uma moto adaptada, a gente também poderia se virar sozinho, sem precisar ser tão dependente de outra pessoa”, afirma.

O presidente da Adefirv afirma que realizou uma reunião com as autoescolas para tentar resolver o problema, mas não houve uma solução.“Foi sugerido até que eles fizessem uma vaquinha e comprassem um carro adaptado. Barrou numa burocracia do Detran que disse que não tinha como mandar uma junta médica para cá”, diz.

O Detran afirma que só na sede do órgão há uma equipe especializada e carro adaptado para atender os usuários com deficiências e argumenta que não consegue atender a todos os municípios do estado com uma junta técnica para tirar a CNH especial.

Fonte: G1
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