26/01/2015

Morre o médico Aloysio Campos da Paz, fundador da Rede Sarah

Aos 80 anos, médico apresentava saúde fragilizada

Aloysio Campos da Paz Junior durante entrevista no Sarah, em Brasília
BRASÍLIA - O médico Aloysio Campos da Paz Júnior, fundador da Rede Sarah, morreu neste domingo, aos 80 anos, de insuficiência respiratória. Ele vinha sendo internado com frequência e, já com a saúde fragilizada, não resistiu. A morte foi registrada às 14h30m. O velório e o enterro serão realizados em Brasília.

Em nota, a presidente Dilma Rousseff lamentou a perda, afirmando que “o Brasil e a medicina são devedores da dedicação e determinação” do médico:

“Campos da Paz dizia que sua filosofia era trabalhar para que cada paciente fosse tratado com base no seu potencial e não nas suas dificuldades. Foi com esta fé na potencialidade de cada paciente que ele e sua equipe ajudaram a melhorar a qualidade de vida de milhares de brasileiros”.

Diretor do Hospital Sírio-Libanês e médico particular da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Roberto Kalil Filho ressaltou que atuação de Campos da Paz na Rede Sarah é um exemplo para instituições públicas.

— O que ele criou é algo único. O feito que ele conseguiu, de atender a população do SUS, tem que ser seguido por toda a instituição pública. Tomei posse há dois dias como presidente do Incor (Instituto do Coração) e disse logo na primeira reunião do conselho que meu sonho é fazer do Incor uma Rede Sarah para cardiologia, com qualidade de atendimento e suporte econômico que ele conseguiu — afirmou.

O médico infectologista David Uip, secretário de Estado da Saúde de São Paulo, também lembrou o perfil empreendedor do amigo:

— Conheci o doutor Aloysio por um paciente em comum. A partir daí veio uma grande amizade e muita admiração. Ele foi um grande empreendedor em termos de novas e grandes ideias. Com a Rede Sarah, conseguiu financiar o que num primeiro momento era uma grande ideia e depois se tornou uma realidade, e referência.

O senador José Sarney (PMDB-AP) destacou o trabalho do médico, afirmando que acompanhou sua obra como amigo e também como Conselheiro Representante da Comunidade do Sarah.

"O Brasil perde um dos maiores homens do nosso tempo, o grande cientista de renome internacional, que era uma das maiores autoridades das doenças do aparelho locomotor. Sua extraordinária obra à frente do Hospital Sarah, por ele fundado, não só salvou milhares de vidas, como também gerou uma rede de hospitais no Brasil inteiro, formando equipes e criando métodos de administração hospitalar, granjeando um prestÍgio que o coloca entre os grandes nomes da medicina brasileira em todos os tempos”, escreveu em nota.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1934, Aloysio Campos da Paz Júnior iniciou sua história com a Rede Sarah em 1968. De volta ao Brasil após uma pós-graduação em ortopedia e reabilitação com o catalão Joseph Trueta em Oxforf - experiência que considerou um divisor de águas em sua vida -, ele foi convidado a assumir a direção do então Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek. O hospital havia sido criado em 21 de abril 1960, junto com a fundação da capital federal, por Juscelino Kubischek.

Em 1976, Campos da Paz consegue a aprovação pela Presidência de um projeto para criação de um grande hospital que prestaria serviços à região Centro-Oeste, mas que também formaria médicos e paramédicos e desenvolveria tecnologia própria. A última etapa do projeto previa a implantação de toda uma rede nacional de hospitais do aparelho locomotor, a Rede Sarah. O Hospital Sarah é inaugurado em 12 de setembro de 1980 e, em 1993, expande suas atividades com uma unidade em São Luís, no Maranhão.

A rede conquistou fama internacional e, no Brasil, já foi palco do tratamento de celebridades – como o músico Herbert Vianna, que ficou paraplégico depois de um acidente de ultraleve. Políticos e ministros também já se trataram na instituição, como o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que tem um problema crônico nos quadris. Em 2005, a rede é reconhecida por ter implantado um novo método de neurorreabilitação, com uma abordagem que incorpora a família e o contexto de cada paciente no processo de neurodesenvolvimento.

Hoje, a rede conta com nove unidades hospitalares (Brasília, Salvador, São Luís, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Macapá e Belém), um centro de reabilitação às margens do Lago Paranoá, em Brasília, uma universidade de pós-graduação e um Centro de Tecnologia, em Salvador.



Fonte: O Globo
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