12/11/2014

Enem mais inclusivo

Edital deste ano do exame trouxe novidades no campo da acessibilidade. A pesquisadora Lucinda Leria comenta o assunto.


Candidatos puderam acessar o documento em formato de leitura compatível com o DOSVOX, sistema que permite que cegos e deficientes visuais utilizem computadores comuns. Já para os participantes surdos, as informações sobre o exame foram publicadas em vídeo na língua brasileira de sinais. Para as provas, o Inep oferece atendimento especial para quem tem algum tipo de deficiência.

No entanto, alguns casos de falta de acessibilidade ainda ocorrem no exame. Um exemplo é o do cadeirante Maurício Zortea, quem em 2011 teve que ser carregado até o local da prova, que não possuía rampas, apenas escadas. Além disso, sua cadeira de rodas não passava na porta do banheiro. Ele entrou com uma ação na justiça e, em outubro desse ano, o juiz condenou o Inep a pagar R$ 10 mil ao cadeirante.

Caio Silva de Souza, advogado do instituto brasileiro de pessoas com deficiência, afirma que a situação é recorrente no exame. “Muitas instituições que realizam as provas são locais antigos, que não tem acessibilidade. Existe a questão de não ter rampa, de o elevador não funcionar.”

Esse ano, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas) ofereceu alguns recursos de atendimento especial como auxílio ledor, auxílio para transcrição, guia-intérprete, prova em braile, entre outros. No entanto, para a pesquisadora de tecnologia da informação e especialista em acessibilidade, Lucinda Leria, esses recursos não são eficientes. Muitas pessoas com deficiência visual não leem em braile e muitos dos ledores não estão preparados. “Eles não estão dando autonomia. Se colocassem o computador, isso ia beneficiar a pessoa que tem deficiência na parte superior, pois as pessoas usam extensor na boca para digitar. Amputados também, pois poderiam usar equipamentos acoplados.”

Para participar do processo seletivo nessas condições, os estudantes devem informar, no ato da inscrição, o tipo de deficiência que possuem e, em seguida, indicar qual auxílio necessitam. Além disso, se houver interesse, os participantes também podem solicitar uma hora de acréscimo para resolução das questões, que serão corrigidas sob critérios diferenciados de avaliação.

Além de comprovar sua deficiência por meio de laudos médicos, os candidatos também recebem ligações dos funcionários do Inep após a solicitação e o encerramento do prazo das inscrições, para confirmar o auxílio requerido e a necessidade de tempo extra, dependendo do tipo e do grau da deficiência.

Escute a matéria no link: https://www.ufmg.br/online/radio/arquivos/anexos/ENEM%202014%20-%20MAIS%20INCLUSIVO%20ACESSIBILIDADE%20A%20DEFICIENTES%20-%2004-11-2014.mp3


Fonte: UFMG Educativa - Rede Saci - 
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