19/11/2014

Autismo: como uma mãe melhorou a vida do seu filho pela alimentação

Claudia Marcelino foi doceira por 16 anos, até que descobriu na dieta sem glúten, sem lactose e sem aditivos químicos, uma aliada no tratamento do autismo do seu filho Mauricio. Claudia então passou a dedicar-se inteiramente à construção de uma nova rotina para sua família, com hábitos alimentares completamente diferentes. Hoje, a estudante de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comemora a recente vitória contra o monstro do vestibular, mais uma forma de se aprimorar e continuar na luta pela melhoria de vida do seu filho e de outras crianças autistas. Responsável pelo site “Desvendando o Autismo”, do blog “Cozinha sem glúten e sem leite” e autora do livro “Autismo: Esperança pela Nutrição – Historia de Vida, de Lutas, Conquistas e Muitos Ensinamentos”, Claudia Marcelino compartilha com os leitores da Anna Ramalho alguns de seus conhecimentos.

Como você descobriu que a alimentação era importante no tratamento do autismo?

Através de informações de pais passadas em grupos de discussão sobre autismo na internet. Meu filho até os 16 anos foi tratado de forma convencional, com medicação psicotrópica e tratamento terapêutico multidisciplinar, mas não estava satisfeita com os resultados. Então comecei a ler e vi que tinha alternativas. Resolvi tentar para ver se teria resultados melhores.

Quais são as restrições e permissões alimentares do seu filho Maurício?

Comecei em 2007 retirando glúten, caseína, soja, aditivos químicos corantes e conservantes. Passei a oferecer a ele uma dieta mais saudável, a mais natural possível, à base de grãos, legumes, verduras, frutas, carnes, oleaginosas, sementes e leites vegetais. Fazia a maior parte de todos os seus alimentos em casa. Com a melhora do quadro e com o organismo mais limpo, passei a perceber que ele reagia comportamentalmente com um quadro de alergia cerebral, que está bem explicado em um post do meu blog “Sinos de Vento”. Aí vários outros alimentos tiveram que ser retirados, reforçando com outros que ele não reagia e ricos nutricionalmente como o abacate, o inhame, os caldos de carne e peixe e sementes germinadas.

Quais as melhoras observadas no comportamento e na saúde do Maurício com a alimentação regrada?

No final de 2012 ele não apresentou mais nenhum sintoma de alergia cerebral, como agitação, agressividade, espasmos musculares, entre outros. Isto graças à melhora do seu sistema imunológico. Ele também não toma mais nenhuma medicação psicotrópica, o que é difícil de ser visto quando se trata de autistas adultos clássicos e severos. Ele teve ganhos nas três áreas que a síndrome compromete: socialização, imaginação e interesse, além dos ganhos na área da saúde. Sua escala de comprometimento avaliada pelo questionário “ATEC – Checklist de Avaliação do Tratamento do Autismo”, baixou em mais de 30 pontos. Estes são resultados muito animadores, pois estamos falando de um autista clássico, severo, adulto. Nesta fase o tratamento costuma estar bem estável, sem ganhos significativos e com muitos casos de bastante comprometimento até pela falta de tratamento adequando na infância.

Por que cortar o glúten, o leite animal e os aditivos químicos?
O assunto é bem complexo, envolve vários sistemas metabólicos. Não é apenas uma questão de alergia ou intolerância. Hoje temos fortes evidências através de pesquisas científicas que o autismo é uma espécie de inflamação cerebral. A alimentação ajuda a diminuir esta inflamação, dando chances para uma recuperação maior das funções cerebrais.

Você lançou o livro “Autismo: Esperança pela Nutrição”. Como a comunidade médica no Brasil vê a questão alimentar no tratamento do autismo?

No geral o entendimento da classe médica ainda é zero, impressionante! Ainda estão esperando comprovação científica com grupo controle e testes placebo para um posicionamento, e isto talvez nunca aconteça pelo simples fato de que não consumimos pílulas! Sabemos exatamente o que estamos comendo e a comida sem glúten por mais gostosa que seja, é diferente da comida com glúten, não dá pra comer enganado, como é no teste com placebo. Não dá para o grupo de controle não saber o que está consumindo. Além do mais, todos os testes com grupos de controle e placebo demandam pouco tempo para exibir o resultado da pesquisa, cerca de um mês. Pra medir o resultado da dieta é necessário no mínimo 8 meses. Fica inviável financeiramente e quem banca pesquisa científica não produz comida, e sim pílulas, por isso a falta de interesse! Todos os princípios justificáveis para a utilização de uma dieta específica para autistas estão em livros de biologia, fisiologia, imunologia, biologia molecular. A solução para tratar pela alimentação é saber que tipos de problemas os autistas costumam apresentar, saber os exames que devem ser feitos, pegar o resultado das pesquisas clínicas e estudar como aplicar e direcionar para cada caso. Felizmente os grupos de discussão e ajuda para pais estão crescendo, os congressos estão acontecendo, as boas informações estão mais acessíveis e os pais estão mais exigentes. Isto tudo faz com que médicos busquem caminhos que estão sendo sinalizados e, aos poucos, mais médicos estão indicando uma dieta específica.

Além da alergia alimentar, quais são os outros agravantes e causadores de autismo?

Tem artigos e mais artigos científicos apontando para mercúrio e metais pesados devido à predisposição genética de dificuldade de desintoxicação, vírus, bactérias, parasitas, fungos, poluição, falta de nutrientes como vitamina D, zinco e outros, diversos fatores ambientais, doenças autoimunes.

E o que pode auxiliar no alívio dos sintomas da síndrome?

Sempre um tratamento em conjunto de fatores biológicos aliado a terapias comportamentais, sensoriais e sociais.

O autismo tem cura?

Não, não tem cura. Tem recuperação. A pessoa pode melhorar muito a sua condição, podendo levar um vida plena de tributos e prazeres como qualquer pessoa típica.

Qual a dica que você daria para os pais que estão na dúvida ou confirmaram o diagnóstico de autismo em seu filho?

Comprem o meu livro e tratem-no da forma mais natural possível. A alimentação pode sim fazer uma enorme diferença no quadro do autismo.

Sites com conteúdo produzido por Clauda Marcelino:


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