14/07/2014

'Pintura Sem Limites' apresenta obras de artistas com deficiência

Quadros pintados com a boca ou pés fazem parte da exposição em cartaz até 29 de agosto no Sesc Carmo, em São Paulo.

Não importa se as mãos, inertes, não respondem aos comandos do cérebro. A arte nasce do corpo do artista e não de um membro específico. Prova disso é a exposição Pintura Sem Limites, que fica em cartaz até 29 de agosto no Sesc Carmo, na capital Paulista.

As obras têm temas e estilos variados. Em comum, apenas o fato de terem sido feitas por artistas com deficiência, que executaram os quadros com a boca ou os pés. As 14 obras são de integrantes daAssociação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP), cujo objetivo é incentivar esses artistas por meio de bolsas de estudo para que possam continuar se aperfeiçoando, além de fazerem a divulgação dos trabalhos e assessoria.

Entre os destaques da mostra estão O Palhaço, pintado a óleo com o pé por José Marcos dos Santos; Mulher Golfinho, feito com a boca por Ronaldo Cupertino da Silva, que combina técnicas de desenho e pintura em óleo sobre tela; e Minha Sogra, pintado com a boca em tinta acrílica por Clêncio Ventura. A exposição pode ser conferida pelo público em geral, o que inclui pessoas com deficência visual, já que conta com audiodescrição e legenda com caracteres ampliados.

Além da mostra, na quinta-feira, 17 de julho, o Sesc oferece duas aulas abertas e gratuitas que ensinam noções básicas da técnica por meio de temas figurativos. A professora Daniela Caburro, integrante da APBP, é tetraplégica e se dedica desde 1995 à pintura com a boca. As aulas, que requerem inscrição antecipada, são recomendadas para maiores de 13 anos e incluem todo o material necessário.

O Sesc Carmo não abre no feriado de 9 de julho e os horários de funcionamento em dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo estão sujeitos à alteração.

Incentivo

A Associação dos Pintores com a Boca e os Pés foi criada em 1956 pelo alemão Erich Stegmann, que pintava com a boca e resolveu reunir artistas com deficiência física de oito países da Europa. Sua intenção era ganhar o próprio sustento por meio sua arte, por isso idealizou a entidade que reproduz os trabalhos de seus artistas na forma de cartões, calendários e outros produtos. Hoje integram a APBP cerca de 800 artistas de 75 países, incluindo o Brasil, que tem 48 membros.

Desde o início, Stegmann rejeitou que a entidade fosse considerada como “de caridade”, palavra que para ele era tão abominável quanto “pena” e “piedade”. O que ele sempre sonhou foi a inclusão dos artistas com deficiência no mercado da arte.

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