16/06/2014

Cinemas cariocas terão salas equipadas para deficientes visuais e auditivos

Enquanto algumas salas fecham, outras se adaptam. Na semana em que frequentadores de cinemas do Rio receberam com pesar a notícia de que dois cinemas tradicionais da cidade encerrariam as atividades por tempo indeterminado — o Cine Leblon, por uma crise financeira, e o Cine Odeon, para reformas — a Secretaria Muncipal de Cultura anuncia um edital para ampliar a inclusão de deficientes visuais e auditivos em dez salas de cinema digitais da cidade, num prazo de, no máximo, cinco meses.

Intitulado “Cinema acessível RioFilme”, o programa vai oferecer R$ 200 mil para que dez cinemas de diferentes regiões da cidade criem a estrutura tecnológica necessária para a exibição de filmes com ferramentas de audiodescrição, para deficientes visuais, e legenda oculta, para deficientes auditivos.

É menos complicado do que parece, explica o secretário e presidente da RioFilme Sérgio Sá Leitão, ao detalhar o software a ser implementado nas salas contempladas.

— O processo é muito simples, por isso deverá ser concluído em cinco meses, no máximo. Cada sala deve licenciar o software necessário, adaptar as salas com wi-fi e oferecer alguns tablets para os usuários que não tenham. O espectador com deficiência sensorial vai usar o aplicativo correspondente no tablet ou smartphone durante a exibição do filme. O que também não atrapalha os outros espectadores, pois o aplicativo é usado em tela sem brilho — explica o secretário. — Há um público significativo na cidade, cerca de 10% da população, que tem algum tipo de deficiência sensorial, e acaba ficando excluído da experiência de assistir a um filme no cinema. Há uma pressão por acessibilidade pela sociedade e o setor de exibição ainda não havia se manifestado neste sentido. Decidimos facilitar as coisas. Se as salas não se adaptam por conta própria, vamos romper a inércia, bancando a adaptação de pelo menos dez delas.

De acordo com Sá Leitão, o Rio será pioneiro na experiência, pois não há iniciativas semelhantes no país. A tecnologia necessária foi importada da Espanha, país que já tem 100 cinemas totalmente adaptados.

— Além de ser uma questão de cidadania, é preciso mobilizar o mercado distribuidor. Não adianta as salas se adaptarem se os distribuidores não oferecerem os filmes com essas opções de exibição (com audiodescrição e legenda oculta) — atesta o secretário, lembrando que os próprios títulos da RioFilme terão de ser acessíveis a partir deste ano, como uma contrapartida obrigatória registrada em contrato.

Sobre a implantação da tecnologia nos equipamentos da própria prefeitura, o secretário garante que será feita depois de uma avaliação do funcionamento dessas dez salas experimentais.

— Em cinco anos, todas as salas de cinema da cidade, e estamos falando de 150, deverão estar adaptadas. É importante que esta medida não seja obrigatória, coercitiva, para que o próprio mercado absorva a demanda de maneira espontânea. Os exibidores, distribuidores e o próprio público vai perceber que é possível tornar o cinema mais acessível a custo baixo, ampliando a receita do setor na cidade — argumenta o secretário, lembrando que é a receita o principal problema dos cinemas de rua atualmente.

Fonte: Site do Jornal O Globo e Blog Sempre Incluídos
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