09/05/2014

‘Afilhada’ de Bebeto, repórter surda rouba cena e cai nas graças de Felipão


Clarissa Guerretta roubou a cena na convocação dos 23 jogadores que vão defender o Brasil na Copa do Mundo. Deficiente auditiva, a repórter questionou o técnico Luiz Felipe Scolari com o auxílio da intérprete de libras Andreza Macedo. A cena chamou atenção dos presentes na última quarta-feira e revelou o trabalho da “afilhada” do tetracampeão Bebeto.

A profissional não tem parentesco com o ex-jogador e integrante do COL (Comitê Organizador Local). Entretanto, foi o ex-camisa 7 da seleção que a ajudou a fazer sua primeira pergunta em uma entrevista. Foi em 23 de março, na inauguração da nova Granja Comary, que Clarissa iniciou o trabalho na cobertura da seleção brasileira pela TV INES – WebTV ligada ao Instituto Nacional de Educação de Surdos.

“O Bebeto me ajudou muito. Ele conhece o Instituto e diversos deficientes auditivos. Já fez algumas atuações importantes lá também. Tive a oportunidade de perguntar e começar a ter um espaço desde aquele dia. Sou a primeira surda a participar de uma coletiva para a Copa do Mundo. Tenho uma intérprete fundamental no meu trabalho. Sem ela, não seria possível”, explicou Clarissa, com auxílio da profissional.

Guerretta cativou os presentes e caiu nas graças do técnico Felipão pela atitude e carisma. Ao perceber a deficiência auditiva da repórter, o técnico da seleção sorriu e reagiu de maneira positiva, se mostrando surpreso e encantando com a cena fora da realidade em outras convocações.

Até mesmo o presidente da CBF, José Maria Marin, foi conquistado, mesmo que de longe, por Clarissa. Enquanto a repórter perguntava, o mandatário sorria e comentava com os membros da mesa sobre a presença da moça.

Questionada pela reportagem do UOL Esporte sobre as principais dificuldades para exercer o trabalho, a profissional respondeu ao lado de Andreza Macedo.

“Uso as mãos para me comunicar e não sou páreo para tantos microfones (risos). Ainda falta acessibilidade ao deficiente auditivo, mas as pessoas percebem que sou surda e me fornecem o espaço necessário aos poucos. É como outro idioma. Não fico nervosa na hora de perguntar. Imagino como se todos fossem alunos em uma sala. Vou continuar. Uma emissora aberta para os surdos é o meu grande sonho. Espero realizá-lo um dia”.
Além da intérprete Andreza Macedo, a repórter Clarissa Guerretta conta com o apoio do diretor Márcio Salim e da produtora Meri Mércia. Inclusive, a última explicou o desafio de divulgar uma WebTV feita por surdos e ouvintes em libras com legendas descritivas e locução.

“O retorno está sendo positivo. Achamos que teríamos problemas, mas tem sido melhor do que o esperado. A barreira da comunicação não é o fator mais difícil. O problema é fortalecer o projeto e estudamos a melhor forma de fazê-lo. Mas a receptividade das pessoas e o carinho com o trabalho nos emociona e dá força para seguir em frente”, encerrou Mércia.

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