11/03/2014

Vôo adaptado de balão leva pessoas com deficiência pelos céus de Minas Gerais

Cadeirante Gilberto Porta conta a realização de seu sonho de infância de voar de balão

Quando criança, ao ver balões nos céus de São Paulo nos dias e noites de festas juninas, eu me imaginava lá em cima com eles, vendo tudo do alto, sentindo a leveza de ser levado pelo vento e até mesmo sendo recebido pelas pessoas na hora do pouso.

Finalmente esse dia chegou! Domingo, 23 de fevereiro de 2014, consegui tornar esse sonho realidade, não só pra mim, mas também para Telma, sua mãe Terezinha, seu irmão Felipe e mais um amigo, o Guilherme.

Foram várias as tentativas de conseguir alguém com boa vontade e disposição a tornar o voo adaptado, acessível e seguro, já que temos necessidades diferentes das pessoas sem deficiência física. Recebemos alguns “nãos” até que encontramos o Glauco, da empresa byBrazil Balonismo, que abraçou a ideia com muita empolgação.

Depois de alguns contatos por telefone e e-mail, conseguimos montar esse grupo de cinco pessoas, preenchemos alguns formulários com nossos dados, incluindo o peso de cada um para fazer a distribuição dos passageiros fazendo o cesto ficar equilibrado. Marcamos o local, dia e horário para nos encontrarmos: Água do Treme Lake Resort em Inhaúma, MG, 23 de fevereiro de 2014 às 5h da madrugada. Graças ao roteiro que nos foi passado pelo Glauco e pelo mapa do Google conseguimos chegar lá em cima do horário! Saímos de casa às 3h30min em dois carros: Felipe e Guilherme foram na frente por conhecerem melhor a região. Eu, Telma e Terezinha fomos seguindo com o nosso carro.

Na chegada recebemos um pequeno lanche. Após, orientações sobre o voo e como deveríamos nos comportar durante o passeio. Fomos apresentados à equipe de balonistas e aos profissionais que iriam filmar e fotografar a aventura para divulgação da byBrazil Balonismo. Elke e Marcelo voaram conosco e outro membro da equipe 7 1/2 Filmes ficou com o pessoal da equipe de apoio terrestre. Essa turma acompanha o balão pelo solo, comunicando-se através de rádio com o piloto, sendo encarregada de recuperar e transportar o balão e todo o equipamento e levar os passageiros de volta ao ponto de partida.

Adaptação feita para um vôo convencional. Ainda não existem cestos acessíveis no Brasil.
Glauco fez uma adaptação improvisada, porém sem deixar de lado a segurança e as condições para que eu pudesse apreciar a paisagem tanto quanto as pessoas que estavam em pé. Colocou um tablado de madeira dentro do cesto de vime e sobre ele uma cadeira de escritório, que foi firmemente fixada; assim, mesmo sentado fiquei em altura adequada em relação à borda co cesto. Ainda, foram usados dois cintos de segurança para assegurar que não houvesse qualquer acidente na hora do pouso.

Tudo perfeito! Nada de vento, céu limpo e sem nenhuma previsão de chuva ou fortes ventos. O balão começa a ser inflado com ventilador pelo piloto Enrico Dias, que é habilitado pela ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil para pilotar balões de ar quente. Entramos dentro do balão tomando os devidos cuidados para não causar nenhum dano ao tecido: quem anda teve que tirar os sapatos, Telma entrou usando suas bengalas, botas e órtese seguindo um membro da equipe que foi orientando onde pisar e eu fui carregado na minha cadeira de rodas até o centro do balão para as tradicionais fotos. Saímos do balão e agora é a vez de aquecer o ar com os maçaricos.

Depois de o balão estar completamente inflado é chegada a hora de entrarmos no cesto. Eu fui literalmente carregado e colocado na cadeira especialmente preparada. Telma também precisou da ajuda de braços fortes, os outros passageiros entraram sem muita dificuldade. Todos a postos, abre-se o gás, as chamas dos maçaricos aquecem ainda mais o ar dentro do balão até que começamos a flutuar. A corda de segurança é solta e alçamos voo de forma muito suave. Praticamente nem se percebe que estamos subindo. Novos horizontes e sensações vão surgindo: o sol nascendo, lagos, montanhas, plantações, gados, pássaros, riachos, fazendas, diferentes tons de verde das matas e plantações, formatos curiosos de lagos, a sombra do balão na mata, o som e o calor que vêm do maçarico, diferentes correntes de ar que nos levam a diferentes direções, as técnicas de voo, as caras de felicidade dos passageiros… tudo é extremamente gostoso de se apreciar. É pura contemplação!

Chegamos à velocidade máxima de 16 Km/h e pouco mais de 300 metros de altura. A velocidade e a direção é a mesma do vento e varia de acordo com a altura. Para encontrar a direção que se pretende seguir deve-se encontrar a altura em que o vento está soprando e manter o balão ali até decidir pousar. O tempo de voo depende da quantidade de gás utilizada mais uma margem de segurança para qualquer eventualidade, como passar por cima de redes elétricas, árvores, matas mais densas ou qualquer outra coisa que possa atrapalhar a segurança do pouso.

Pousamos tranquilamente em um gramado ao lado de uma plantação de milhos. A descida foi acelerada com a abertura do topo do balão para a saída de um pouco do ar quente e não corrermos o risco de pegar uma corrente de ar em sentido contrário. Pouco antes de chegar ao solo, abre-se o gás para aquecer novamente o ar e frear a descida até tocar o chão o mais suave possível. Depois de poucos segundos, Enrico pede ao Felipe para descer do cesto e puxar a corda que está presa ao topo do balão e ajudar a tombá-lo no gramado. Pronto! Agora todos estamos liberados para desembarcar com segurança! Fizemos um brinde com espumante, tradição desde o primeiro voo de balão tripulado. Vimos a equipe de apoio chegando pela estradinha de terra, Glauco comemora conosco e fica muito satisfeito ao ver a felicidade estampada em nossos rostos, afinal, o desafio de tornar o voo de balão acessível foi superado e as portas estão abertas a todas as pessoas, incluindo as com deficiência.

Voltamos ao ponto de partida, onde uma farta mesa de café nos esperava. Hora de confraternização, troca de impressões e a certeza de que esses momentos jamais serão esquecidos.
Fonte: BH Legal e Turismo Adaptado
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