14/03/2014

Aplicativo possibilita que cegos 'enxerguem' através de sons


Em 1992, um engenheiro holandês chamado Peter Meijer criou um algoritmo capaz de converter imagens simples, em preto e branco, em sons. O vOICe escaneava a imagem e convertia pontos altos da gravura em frequências mais agudas. Pode parecer confuso, mas mesmo com imagens complexas - como uma foto - bastava um pouco de treino para permitir que cegos enxergassem usando o método.

Agora essa tecnologia está a um passo de se popularizar: ela virou dois aplicativo gratuitos para iPhone e Android.  Neste vídeo dá para ver o sistema em funcionamento.

O sistema tem sido desenvolvido há vários anos e é um grande avanço para possibilitar que cegos percebam melhor o ambiente. Em 2007, um grupo de cientistas na Universidade Hebreia de Jerusalém usou o vOICe para treinar deficientes visuais a "enxergarem" cenas complexas da vida real através de sons, como rostos e cenários, usando uma câmera acoplada em um capacete na cabeça dessas pessoas e fones de ouvido. Depois 70 horas de treino, os deficientes foram capazes de se locomover pelos cenários apenas se guiando pelos sons e reconhecer as posições do corpo de outras pessoas a sua frente.

Ao escanear o cérebro dos pacientes, os cientistas fizeram uma descoberta ainda mais revolucionária. O modelo geralmente aceito diz que o cérebro tem regiões dedicadas a controlar o funcionamento de cada sentido, mas que se aquelas regiões não estivessem sendo usadas - por exemplo, o córtex visual de alguém cego de nascença - aquela região seria reaproveitada pelo cérebro para melhorar a audição desse deficiente visual.

Só que as imagens cerebrais nesse estudo mostraram que a área que se acendeu nos cérebro dos participantes cegos quando eles identificavam silhuetas usando o som é a mesma que é ativada no cérebro de quem enxerga perfeitamente ao reconhecer silhuetas. Basicamente, ainda que os participantes do experimento estivessem apenas escutando sons, seus cérebros eram ativados na região responsável por processar estímulos visuais, e não os sonoros.

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