27/02/2014

Como diagnosticar que uma criança tem autismo?

Temos mais um post da série sobre autismo. Dessa vez o médico psiquiatra Francisco Hennemann, especializado em atendimento com crianças e adolescentes esclareceu algumas dúvidas sobre o autismo. Ele trabalha na APAE de Caçapava e atua no GACC em São José do Campos.

Desde o começo, do desenvolvimento infantil, os pais podem perceber alguns sinais de que seu filho seja autista. O médico identifica indícios e características típicas de autismo: a criança não falar, ou ter uma fala aquém da sua idade, nem usar outras formas alternativas para se comunicar; problemas para se relacionar com familiares ou colegas de escola, e pela forma que se relaciona com os brinquedos, ela se concentra em particularidades do objeto.

Na etapa de pré-diagnóstico é importante que os educadores também estejam atentos a essas características, informando os pais e indiquem um neuropediatra ou pediatra especializado no atendimento de crianças e adolescentes. “Enquanto psiquiatra, procuro investigar a causa do atraso de fala. Ou avaliar o quanto sua fala é rebuscada e está além da idade daquela criança. Como também se a criança se relaciona bem com seus coleguinhas da mesma idade e com seus familiares. Se ela brinca coletivamente, se olha nos olhos e se interessa pelos brinquedos de forma adequada a sua idade”, cita Hennemann.

Francisco situou a classificação de Transtorno do Espectro  Autista (TEA) na atualidade. De acordo com manual que agrupa doenças mentais e síndromes, o Autismo, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Rett e o Transtorno Desintegrativo da Infância passaram a fazer parte do grupo de TEA. “Pois, acredita-se que, com as infinitas variações no surgimento das características de cada doença, todas façam parte de uma continuidade. Ou seja, façam parte de um espectro, onde algumas características se destaquem mais enquanto outras, menos”, concluiu.

Uma das síndromes que faz parte desse espectro é o Asperger, já tratamos dela em outro post na história do personagem Max, da animação Mary and Max. Geralmente,  perceber que uma criança tem Asperger é mais difícil, na maior parte dos casos o diagnóstico acontece na adolescência quando se percebe que a pessoa se interessa por determinadas coisas (restritas), não tem atraso de fala, se desenvolveram acima da média e considerados tímidos, são desajeitados socialmente.

Diferenças entre Asperger e o Autismo

Para o psiquiatra, uma das diferenças entre outras síndromes  e o Asperger, “no segundo caso não há atraso de fala, eles se comunicam de forma até mais “adultizada”. Podem se tornar profissionais excelentes, mas com comprometimento social-pessoal. Caso não tenham QI adequado, seus interesses específicos podem não os levar a profissão alguma”, diferenciou. 

No caso as meninas com Asperger tem mais dificuldade de descobrir, por serem muito quietas, fazem contato com muito poucas pessoas e geralmente são confundidas como tímidas ou “geniosas”. Como  elas não têm muito comprometimento cognitivo, vão se desenvolvendo acadêmica, mas não socialmente.

Autista clássico, atrasa e as vezes não desenvolve a fala,  se isola, e quando se interessa por objetos ou brinquedos os usa de maneira estranha, não usual. Ele deixou claro que em ambos os casos podem seguir rituais obsessivos e se tornarem agressivos. Dessa forma, é importante que exista uma equipe multidisciplinar par acompanhar a pessoa e sua família.

Do diagnóstico a equipe multidisciplinar

Suscintamente, o Asperger não tem atraso de fala, porém, fala de forma até mais adultizada, de forma que seus colegas zombam ou se afastam dele, o que piora a sua socialização; não consegue fazer amigos, ou os escolhem com muitas reservas; parecem tímidos e gostam de assuntos específicos, muitas vezes estranhos. Depois da “suspeita”, as crianças devem ser encaminhadas para psiquiatra infantil, neuropediatra, fonoaudiólogas, psicólogas, terapeutas ocupacionais, e para escolas que as estimulem a falar e a se socializar. Ele alertou que é importante começar o quanto antes o tratamento.


O psiquiatra infantil colabora no encaminhamento destes indivíduos aos profissionais que vão efetivamente trabalhar com essa criança ou jovem. Porém, quando o comportamento do paciente impede que ele possa usufruir destas terapias, geralmente iniciamos com medicações”, finalizou.  O uso de remédios só acontece no caso de muita agitação e agressividade constantes. Ele advertiu que antes de cinco anos deve-se evitar medicações. 

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