15/01/2014

Paraplégico recusa a ser pedinte: trabalhar para comer em vez de pedir

António Manuel, Toni, encontrou na Avenida Fernando Ferreira Fortes, perto da casa onde mora, um lugar perfeito para montar uma banca e buscar o próprio sustento. Esse cidadão mindelense paraplégico há cerca de treze anos diz que “a necessidade de ter algo, a necessidade de ter um trabalho” levou-o a fixar-se num ponto, onde hoje faz colares, brincos e concerta sapatos às pessoas.

Começou por concertar colares e a necessidade de buscar a vida obrigou-o a aprender como fazer os colares e brincos, para começar a vendê-los.

O trabalho não é certo. “Neste trabalho, nem sempre consigo dinheiro para fazer outra coisa; é somente para comer”, sublinha Toni.

Sem entrar em muitos detalhes sobre como ficou paraplégico diz que foi agredido por um indivíduo com uma faca nas costas. Apesar do estado de saúde, não deixa de tentar buscar a vida, porque não pode ficar apenas à espera que algo venha do Céu e recusa a vida de somente sentar e pedir. “Se fosse preguiçoso era só sentar na cadeira de rodas e descer para a Rua de Lisboa e pedir”, diz Toni.

Mas sente que a sua saúde poderia estar melhor se tivesse melhores condições de vida. Esta perspectiva vem da análise que faz de pessoas em situação pior do que ele mas que têm a oportunidade de fazer tratamento e sentirem-se melhor. A falta de condições financeiras é a razão que aponta para que a sua situação não seja a melhor neste momento.

Neste momento, afirma não ter ajuda das instituições da promoção social, apenas da edilidade local através da loja social da Câmara mas apenas durante seis meses.

A sua grande dor é que durante o julgamento do seu caso, como afirma, o indivíduo que o deixou neste estado foi condenado, mas ficou por receber uma indemnização que nunca aconteceu. Para a resolução deste problema, Toni afirma: “Já cansei de correr atrás da justiça”. E sente que as instituições deveriam fazer com que a legalidade fosse reposta nesta situação. Somente agradece a Deus pelo dom que tem de poder trabalhar, mesmo com as várias dificuldades que enfrenta durante o dia.


“Para quê correr atrás da justiça, só para cair na frustração. Então troco a oportunidade de procurar melhoras para a minha saúde, com a busca do pão de cada dia”, sintetiza Toni sobre a sua vida e a sua prioridade.


Fonte: Notícias do Norte e Blog Ser Lesado
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