16/12/2013

Cadeirantes presos na Papuda reclamam da precária infraestrutura da prisão e da falta de remédios

AGUIRRE TALENTO E FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA

Paraplégicos e um tetraplégico presos no Complexo Penitenciário da Papuda, que abriga há quase um mês políticos condenados no mensalão, relatam ter ficado em uma cela com até 12 pessoas, conviver com ratos, não ter acesso a medicamentos e até já ter dormido no chão.
Cada penitenciária da Papuda tem uma cela adaptada para cadeirantes. No PDF-1 (Penitenciária do Distrito Federal 1), a cela já chegou a ter 12 detentos, segundo eles.
Atualmente lá há oito pessoas, sendo quatro cadeirantes (um tetraplégico e três paraplégicos) e outros quatro presos que lhes servem de cuidadores, trabalhando para diminuir suas penas. Na cela, eles se apertam em quatro beliches e têm como único luxo um chuveiro quente.
A Folha entrou nessa ala na quarta-feira e presenciou os relatos dos cadeirantes, feitos à deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é tetraplégica.
As condições do local estão sendo levadas em conta pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para análise do pedido de prisão domiciliar do ex-presidente do PT José Genoino, que sofre de problemas cardíacos.
Quando chegaram à Papuda, no dia 15 de novembro, os condenados no mensalão tiveram de início privilégios como visitas fora do dia -até serem vetadas pela Justiça.
O tetraplégico que teve o pedido de prisão domiciliar negado, conforme revelado pela Folha (sua defesa pediu para que seu nome não fosse publicado), diz que teve que dormir 15 dias no chão ao ser transferido para o PDF-1, há cerca de um mês, porque havia outros 11 detentos lá.
Ele estava preso desde abril no Centro de Detenção Provisória e há cerca de um mês foi para o PDF-1, após ter sido condenado em definitivo pelo crime de tráfico de drogas.
Os cadeirantes relatam não ter acesso aos remédios que tomam para melhorar as condições de vida, que servem, por exemplo, para diminuir espasmos musculares e para reter líquido.
Já os médicos são em quantidade insuficiente, dizem. O tetraplégico possui úlceras pelo corpo que, segundo ele, não estão recebendo o tratamento adequado.
Após ouvir os relatos, Gabrilli disse que pretende fazer um levantamento de todos os cadeirantes no sistema prisional brasileiro.
"No caso do tetraplégico, se as feridas não forem tratadas, ele vai morrer. Isso pode evoluir para uma infecção generalizada. Precisa de cirurgia de enxerto de pele e de alguns cuidados que não está tendo lá", disse a deputada.
Os próprios agentes da Polícia Civil que acompanharam a visita admitiram que as condições para os cadeirantes na Papuda não são adequadas.
Além desses problemas, eles são alvo de ameaças dos detentos mais perigosos, que compram suas cadeiras de rodas para transformar o metal em facas caseiras.
Procurado, o coordenador-geral da Sesipe (Subsecretaria do Sistema Penitenciário), João Feitosa, afirmou desconhecer superlotação em celas de cadeirantes e que os detentos cuidam da limpeza das próprias celas.
Sobre os medicamentos, disse que o presídio tem acesso a todos oferecidos pela rede pública de saúde. "A gente vai fazendo as melhorias [para os cadeirantes] de acordo com as necessidades", diz.



Instalações sanitárias utilizadas pelos detentos
Interior de cela da Papuda que abriga presos cadeirantes

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Fonte: Folha
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