08/08/2013

Voluntários vendados vivem experiência de cegos em passeio pelo DF

Com apoio de um guia, voluntários experimentam emoções como se fossem cegos. Visitam exposições, sentem a forma das esculturas e aprendem a lidar com os 190 mil deficientes visuais residentes no Distrito Federal.

Luiz Calcagno

Projeto Brasília Tátil promove o curso de acessibilidade para cegos: sem enxergar, videntes conhecem os contornos da escultura no Itamaraty.
Passos vacilantes guiados por um braço na escuridão pelas escadarias do Palácio do Itamaraty ou pelo Salão Verde da Câmara dos Deputados, tateando e sentindo os contornos das estátuas e dos murais de Athos Bulcão. Na ausência de luz, surge uma nova forma de enxergar o mundo. Esse é o resultado do curso de Acessibilidades para Cegos, promovido pela Associação Brasileira de Deficientes Visuais de Brasília (ABDV) para não cegos.

Durante toda a manhã de ontem, 18 voluntários caminharam pelos pontos turísticos do Executivo e do Legislativo de olhos vendados, experimentando o mundo de quem é privado da visão. O objetivo: mostrar para o governo e a população as necessidades dos cerca de 190 mil cegos do Distrito Federal e como pensar e lidar com essas carências, inclusive diante de um objeto de arte.

O curso faz parte do projeto Brasília Tátil, elaborado pela ABDV. Na oficina, os voluntários têm uma aula de condução de deficientes visuais e, em seguida, dividem-se em duplas em que o primeiro é vendado, e o segundo faz o trabalho de guia. Depois, a venda é passada para o outro companheiro, que perde a visão durante a nova etapa do trajeto.

Quem guia o par tem o dever de orientá-lo não só quanto aos perigos no caminho, como degraus, placas, escadas, mas também precisa descrever as obras de arte e, se for permitido, tocar no exemplar, guiar a mão do amigo pela escultura, por exemplo, para que, sem os olhos, os participantes consigam contemplar o objeto diante deles. Tanto no Itamaraty como na Câmara dos Deputados há um roteiro turístico em que cegos podem tocar em parte do acervo.

Conduzindo um cego

» O deficiente deve segurar no cotovelo do condutor ou no ombro. Exemplo, com a mão direita, ele segura no lado esquerdo do guia

» A pessoa que conduz deve se lembrar de que atua como os olhos do cego na hora de decidir o caminho a percorrer e escolher as rotas mais seguras

» É importante parar antes de cada obstáculo, como calçadas ou escadas, e anunciar o que vem pela frente

» Na rua, com um desconhecido cego, seja educado. Identifique-se e pergunte se ele precisa de ajuda antes de tentar guiá-lo. E não precisa gritar.

Pontos de visitação

» Palácio do Itamaraty
O monumento oferece um trajeto em que os cegos podem tocar em esculturas e também em um painel de Athos Bulcão.

» Câmara dos Deputados
O Salão Verde da Câmara dispõe de uma maquete tátil com relevos diferentes para a representação da grama, do asfalto e do espelho d’água, além de esculturas e de um painel que representa o Rio Araguaia.


Contatos
Associação Brasileira de Deficientes Visuais (ABDV) de Brasília
Endereço: SGAS 903, Lote 78, Bloco C, Asa Sul,
ao lado do Aeroclube
Site: brasiliatatil.com.br e abdvweb.com.
E-mail: abdvweb@gmail.com.
Telefone: 3322-9718 e 3326-1745.


Fonte: www.correiobraziliense.com.br e APNEN Nova Odessa
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