01/06/2013

Locadora paulista é exemplo em transporte acessível


O transporte acessível ainda tem muito espaço para crescer, mas há alguns avanços, como várias cidades que já possuem táxis e locadoras especializadas, além de serviços nos moldes do ATENDE, da prefeitura paulistana, que são copiados em várias cidades brasileiras. "Esse é um mercado relativamente novo, onde até pouco tempo as empresas pensavam que bastava colocar um adesivo de acessibilidade em seus para-brisas e os veículos já estariam aptos a realizarem esse tipo de transporte", analisa Mauro Zillig, sócio responsável pela parte operacional da Azul Locadora, especializada no transporte de pessoas com deficiência, que fica na zona sul da capital paulista.

Ele acredita que ainda são poucas as empresas que se dedicam a esse mercado, seja por falta de incentivo do governo (isenções), ou ainda por falta de visão do nicho como negócio. Com mais incentivos ou legislação específica por parte do governo, como o exemplo recente da obrigatoriedade das empresas de ônibus de fretamento possuírem equipamentos de acessibilidade e espaços para cão-guia, além de outros atendimentos a pessoas com mobilidade reduzida, o transporte acessível tende a se expandir rapidamente.

Zillig lembra ainda que, nos próximos anos, o Brasil terá grandes eventos, como a Copa do Mundo, as Olimpíadas e Paralimpíadas, e esse é um mercado que precisará ser atendido, fora a própria população interna.

Na capital paulista, a primeira Van adaptada para transporte escolar acessível começou a circular em 2009, na região da Capela do Socorro, na zona sul. Desde 2002 os sócios da Azul atuavam como pessoas físicas na condução de crianças, mas foi só com a constituição da empresa que as pessoas com deficiência entraram no rol de clientes.

Com o tempo, a empresa se especializou e diversificou o atendimento, passando a servir, além dos alunos com deficiência, pacientes em tratamentos, eventos, fretamento eventual e turismo adaptado. Mais de 90% do faturamento atual vem do público usuário com deficiência. Atualmente, a empresa atende, diariamente, cerca de 75 escolas e entidades, em diversas cidades de São Paulo. A frota é composta por 3 Vans adaptadas e outras 13 adaptadas exclusivamente para o transporte de alunos. "Até o final desse ano pretendemos ampliar ainda mais nossa frota, praticamente dobrando a quantidade de veículos acessíveis", planeja Zillig. A Azul também trabalha com veículos convencionais, com capacidade entre 12 e 30 pessoas.

Os veículos adaptados possuem o layout para o transporte de dois cadeirantes e mais oito não cadeirantes, todos com plataformas hidráulicas para elevação de até 350 Kg. Os demais clientes são eventuais, compostos geralmente por pessoas em passagem pela cidade e que precisam de um transporte com maior capacidade do que um taxi acessível e maior agilidade e conforto do que um ônibus.

Atendimento diferenciado

Os profissionais, sejam motoristas ou monitores de transporte, possuem cursos de mobilidade reduzida com carga horária de 18 horas aplicada por instituições conveniadas. No caso dos motoristas, eles possuem habilitação na categoria D ou E, cursos para o transporte escolar ou o de transporte coletivo. Além disso, são oferecidos aos profissionais treinamentos in-company, de modo que os clientes tenham um transporte com qualidade, segurança e respeito.
  
De acordo com Zillig, a maior parte dos clientes hoje tem origem em licitações e concorrências de empresas e órgãos públicos. "As empresas privadas ainda precisam despertar para a o transporte inclusivo dos seus funcionários. É bastante comum empresas buscarem profissionais com deficiência para comporem os seus quadros, mas ainda não oferecem a eles um transporte que seja adaptado para a locomoção entre as suas residências e o local de trabalho", afirma.

No fretamento eventual, a empresa atende, geralmente, pessoas que participam de reuniões, eventos e palestras. Nesse tipo de transporte é comum o veículo ficar à disposição por um período de 4 a 12 horas, oferecendo o deslocamento conforme as necessidades dos clientes. Os demais possuem destinos fixos, seja para tratamento ou o transporte entre as residências e escola ou trabalho. "Estamos também estudando o crescimento dos destinos para turismo adaptado, buscando soluções para que possamos oferecer o transporte até essas cidades", explica o responsável.

"Para nós, trabalhar com pessoas com deficiência é a oportunidade de poder contribuir de forma ativa para a inclusão e a formação dos alunos que transportamos. É também a gratidão por podermos colaborar com os funcionários e pacientes que se locomovem entre suas residências e o local de seu trabalho, lazer ou de tratamento. O nosso desejo é poder oferecer o que há de mais moderno e seguro para os nossos clientes e essa energia nos abastece diariamente para pensarmos em como melhorarmos dia após dia" conta Zellig.

"Esperamos que com a chegada dos grandes eventos e a exposição que nossa equipe paralímpica tem tido desde a última Paralimpíada, nosso país passe para outro nível no que se refere ao transporte adaptado, seja na adaptação de suas rodoviárias e aeroportos ou em serviços municipais, intermunicipais e interestaduais de transporte. Torcemos para que outras cidades descubram a importância do turismo adaptado e passem a oferecer mais opções aos seus visitantes. Com todos esses investimentos, enxergamos que existirão oportunidades para que novas empresas passem a trabalhar com esse mercado e, dessa forma, os usuários finais é que sairão ganhando", conclui o sócio.


A Azul, não só pela qualidade e excelência da prestação de seus serviços, mas também pelo empenho e disposição de seus proprietários e colaboradores, é exemplo no atendimento a pessoas com deficiência nesse tipo de transporte adaptado, com Vans equipadas com plataformas, e serve de exemplo de sucesso e referência para outras empresas, empreendedores e até mesmo gestores públicos. Esse tipo de transporte não só é um nicho de mercado ainda a ser explorado em todo Brasil, como também é um serviço obrigatório a ser prestado pelos municípios aos cidadãos. Fica aqui o exemplo e a dica.


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