10/12/2012

Quedas são ameaças sérias para idosos

   Antes que um bebê consiga dar seus primeiros passos sozinho, é normal que ele caia centenas de vezes, como parte de seu aprendizado natural para andar. No outro extremo da existência, a velhice, as quedas não têm nenhuma utilidade e, pelo contrário, podem ameaçar muito a qualidade de vida.
   Idosos que sofreram uma queda recente antes de uma cirurgia precisam de um período maior de recuperação no hospital e podem ter mais complicações e fragilidade após operar, segundo um estudo dirigido pela doutora Teresa Jones, da Universidade do Colorado (EUA), apresentado pelo American College of Surgeons (Colégio Americano de Cirurgiões) em Chicago.
   Os pesquisadores estudaram 208 pacientes com média 74 anos de idade que se submeteram a uma intervenção cirúrgica importante, dos quais 34 haviam sofrido pelo menos uma queda nos seis meses anteriores à cirurgia.
   Entre os que se submeteram a cirurgia colorretal houve mais de uma complicação (entre elas problemas do coração, pulmões ou rins, acidente vascular cerebral, cirurgias adicionais, coágulos sanguíneos e infecções) em 58% dos que haviam caído e só em 27% dos que não haviam sofrido algum acidente desse tipo.
   Os pacientes do grupo que havia caído também passaram quase o triplo de dias no hospital que os outros. Resultados similares se observaram entre os pacientes que se submeteram a uma cirurgia cardíaca.
   Uma pesquisa de 159 estudos em que participaram mais de 79 mil idosos realizada por pesquisadores da Universidade de Otago em Dunedin (Nova Zelândia), mostra que há várias medidas que os mais velhos podem adotar para evitar as quedas, um crescente motivo de preocupação médica em meio ao envelhecimento da população.
    “A medida antiquedas mais efetiva é o exercício com treino de força e equilíbrio, em grupo ou em casa”, afirmam os pesquisadores Lesley Gillespie e Clare Robertson, co-autores da pesquisa, que consideram que “esses programas reduziriam em 30% os tropeços traumáticos e 20% a quantidade de quedas da própria altura”.

Exercícios e cuidados especiais ajudam
   Os estudos da Universidade de Otago confirmou que os exercícios, entre os quais se inclui o Tai Chi, reduzem o risco de sofrer quedas, da mesma forma que a avaliação e a modificação da segurança em casa, especialmente se for planejada por terapeutas ocupacionais.
   As medidas para ter uma casa mais segura incluem tirar papéis e livros do chão e das escadas, assim como os tapetes pequenos que não forem fixos. Também é conveniente utilizar capachos especiais para evitar escorregar na banheira, além de providenciar barras de segurança nas paredes do box.
   Os cientistas também descobriram que, em alguns casos, medidas como suspender os remédios psiquiátricos, submeter-se a uma cirurgia de cataratas ou implantar um marcapasso (em pessoas com hipersensibilidade da artéria carótida), podem ajudar a reduzir a quantidade de quedas.
   Mudar o equilíbrio do peso de forma incorreta fazendo com que o centro de gravidade do corpo saia de sua base de suporte é a causa mais comum da que da de idosos, segundo outro grupo de pesquisadores que analisaram os vídeos de 227 quedas sofridas por 130 pessoas gravadas pela televisão de circuito fechado em dois centros geriátricos na Colúmbia Britânica, Canadá.
   Outras causas frequentes detectadas no estudo da Universidade Simon Fraser (SFU, na sigla em inglês) são os tropeços, as batidas e as topadas, a perda de suporte seguida de queda, enquanto em um quarto dos casos o motivo foi que o pé ficou preso em algum móvel.

LESÕES
   As quedas são a causa mais frequente de lesões acidentais nas pessoas a partir dos 65 anos, justificando 90% das fraturas de quadril e pulsos e 60% das lesões de cabeça nesse grupo, apontaram os autores do estudo, dirigido pelo doutor Stephen Robinovitch, da SFU.
   Outro trabalho elaborado pela Fundação Mapfre (FM) da Espanha aponta que 14,7% dos maiores de 65 anos espanhóis sofrem algum tipo de queda em um ano.
EF


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