01/12/2012

Acessibilidade: Deficiência visual


Por Luciane Molina*

   A presença de deficientes visuais nos espaços públicos de grande circulação de pessoas tem causado um impacto quanto às exigências por acessibilidade. Isso inclui, entre outros, as adaptações arquitetônicas, acessibilidade comunicacional e prestação de serviços por funcionários de estabelecimentos comerciais.

   Por um lado é muito positivo saber que essas pessoas, antes marginalizadas por sua limitação, abriram as portas de suas casas para que pudessem usufruírem do convívio em sociedade, embora tenham que esbarrar em certos obstáculos. E, apesar dessas barreiras não provocarem mais a alienação por parte delas, muito ainda é preciso conquistar para que tenham seus direitos respeitados.
   Por outro lado, a presença das pessoas com deficiência visual tem deixado ainda mais visível o despreparo da sociedade em lidar com as situações que surgem nesse contato e evidencia a necessidade em disseminar informações que cumpram o papel de desmitificar certos estigmas acerca da cegueira ou da baixa visão.
   E nesse sentido, as próprias pessoas com deficiência visual são as grandes responsáveis pela mudança do cenário atual, não só por sua presença como consumidores de produtos ou serviços, mas no papel de indicar o melhor caminho ou a solução mais satisfatória naquele momento. A postura da própria pessoa cega que vai determinar se serão vitimadas, superprotegidas ou respeitadas em direitos e deveres como qualquer cidadão.
   O conhecimento sobre a escrita Braille e seu impacto na vida do cego seria um fator positivo para que os estabelecimentos comerciais disponibilizassem as informações impressas em tinta, também em Braille, como cardápios, etiquetas com preços, legendas em geral e identificação dos espaços. Uma maquete do local seria bastante válida quando se tratar de estabelecimentos maiores. O conhecimento sobre a audiodescrição é fator relevante para que os atendentes descreva com precisão os produtos que o cego pretenda consumir, tais como cores, detalhes sobre as peças em exposição na vitrine, alimentos em um restaurante e disposição física dos elementos do ambiente, permitindo que os toquem, sempre que possível, explorando suas características. O conhecimento sobre técnicas de orientação e mobilidade poderá servir de subsídio para que os funcionários do estabelecimento conduzam, de forma segura e confortável, a pessoa cega até o local de destino, oferecendo ajuda quando necessário.
   Por isso, quando falamos em inclusão não estamos nos referindo apenas à inclusão escolar, mas a partir dela garantir que os espaços, serviços e produtos estejam disponíveis também para as pessoas com deficiência visual. A acessibilidade não deve ser o diferencial de uma marca, mas sim propor alternativas que reduzam a barreira entre os sentidos. E para você que não deseja cometer gafe, a única regra é: “pergunte sempre”! E isso vale tanto para a pessoa com deficiência visual quanto para quem pretenda ajudá-la…

Luciane Molina é pedagoga e pessoa com deficiência visual. Atua com inclusão escolar e Atendimento Educacional especializado pela Secretaria Municipal de educação de Lorena, por meio do Projeto VIDA (Vivenciando a Inclusão, Diversidade em ação).
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