17/09/2012

Após acidente com moto, jovem teve de vencer burocracia por seguro

    A rotina de Carolina Vieira dos Santos, de 28 anos, teve uma transformação brusca depois do acidente de moto sofrido há cinco anos, em João Pessoa, na Paraíba. “Transformação injusta e maldosa”, como ela própria definiu em entrevista ao G1, na segunda-feira (27), ao falar sobre a perda do movimento nas pernas.
   Carolina é mais um dos envolvidos em acidentes com motocicletas que deixam vítimas com sequelas. De janeiro a junho deste ano, o Nordeste foi responsável por 30% das indenizações pagas pelo seguro obrigatório DPVAT (Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre) no país. Os dados apontam que, na região, 65% dos pagamentos no semestre passado foram para acidentes com motos.
“Transformação injusta e maldosa”
O seguro DPVAT cobre casos de morte, invalidez permanente ou despesas com assistência médica e suplementares por lesões de menor gravidade causadas por acidentes de trânsito em todo o país.
    Entre idas e vindas em hospitais particulares de João Pessoa e de Salvador (BA), Carolina gastou cerca de R$ 200 mil ao longo dos cinco anos de tratamento após o acidente de trânsito. Para auxiliar nas despesas com cirurgias, tratamentos, internações e medicamentos que não eram oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela recorreu ao DPVAT, que considera um benefício crucial na recuperação.
    Carolina, no entanto, destaca que teve um empecilho: a burocracia. “Só recebi a primeira parte do seguro, referente ao auxílio emergência, depois de três anos do acidente. Até então tive que vender tudo que tinha para poder continuar meu tratamento. Mas, mesmo com a demora e com a burocracia, o DPVAT foi uma espécie de luz no fim do túnel para mim. Principalmente no aspecto motivacional”, explicou.
    Vítimas e seus herdeiros (no caso de morte) têm um prazo de três anos após o acidente de trânsito para dar entrada no seguro. A primeira parte do seguro retirada por Carolina foi referente ao teto máximo da tabela, cerca de R$ 12 mil. Ela acredita que o processo de requerimento do seguro esteja mais fácil agora do que na época em que solicitou.
    “Só recebi a primeira parte do seguro depois de três anos do acidente. [...] tive que vender tudo que tinha para poder continuar meu tratamento” Carolina Vieira dos Santos, vítima de acidente de moto
    Segundo a jovem, a burocracia fez com que ela procurasse até um advogado para agilizar o recebimento do DPVAT. “Sei que há alguns meses as pessoas podem solicitar pelos Correios, sem nenhuma burocracia. Na minha época foi mais complicado, eram requeridos muitos documentos, laudos. Agora é só preencher os requerimentos e formulários e enviar pelos Correios”.
Coluna fraturada
   No dia do acidente, Carolina estava a caminho de uma consulta médica quando um carro deu um leve toque na traseira da moto em que ela estava. A batida foi suficiente para arremessá-la para baixo de outro veículo, que vinha no sentido contrário da Avenida Pedro II, na capital paraibana.
    Na colisão, ela quebrou quatro costelas, teve traumatismo craniano e fraturou a coluna – lesão que a deixou paraplégica. A sequela permanente mudou a vida de uma atleta ativa, estudante de Educação Física que iria para o terceiro ano de curso.
    Segundo Carolina, demorou cerca de dois anos para que ela retornasse à sua vida normal. “Parei de estudar, passei dois anos alheia a tudo que envolvia minha rotina antes do acidente. Até minha vida social, meus amigos. Tive a minha vida interrompida em um momento em que eu tinha muito por viver. Me vi em uma condição que não escolhi para mim. Não adianta falar que foi tranquilo ou fácil”, avaliou.
Vida nova
    Aposentada em decorrência das sequelas adquiridas após o acidente, Carolina usa o tempo livre para terminar o curso de Publicidade e Propaganda, para cantar numa banda formada apenas por deficientes físicos e mentais, para fazer trabalhos como modelo fotográfica e para participar ativamente em quatro ONGs voltadas para a inclusão de pessoas com deficiência.
    “Sempre tive vontade de trabalhar com serviços comunitários, ajudar pessoas que precisam de um apoio. O acidente e a sequela deixada por ele me transformaram ao ponto de potencializar este meu objetivo”, disse.
   “Tenho minha vida social recuperada. Não faço tudo que fazia antes, mas aproveito a minha vida normalmente. Uso a minha história para fazer com que pessoas que passaram por situações semelhantes à minha superem suas dificuldades”, completou.

Em horas vagas, Carol faz ensaios como modelo

fotográfica (Foto: Carolina Vieira/Arquivo Pessoal)


Carolina é vocalista da Banda Acredite, formada por pessoas com deficiência.
(Foto: Arquivo Pessoal)
Fonte: G1
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